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Iara faz 'Carnavauto' de Natal no Oficina

Artista encena a ópera baile sugerida por Mario de Andrade em manuscrito

Lauro Lisboa Garcia, O Estado de S. Paulo

17 de dezembro de 2010 | 06h00

Desde quando releu Macunaíma - O Herói Sem Nenhum Caráter, de Mario de Andrade, na idade adulta, Iara Rennó diz que sentiu estar predestinada a transformar o romance em música. Em 2008, conseguiu concretizar a ideia lançando o ótimo CD Macunaíma Ópera Tupi. Dois anos depois, pesquisando sobre o autor no IEB (Instituto de Estudos Brasileiros), a compositora e cantora encontrou manuscritos de duas páginas em que Andrade sugeria a uma pessoa não identificada a criação de uma opereta em 6 quadros sobre Macunaíma.

Sentindo-se a própria interlocutora predestinada do autor, Iara deu continuidade a seu projeto e encena, entre esta sexta-feira, 17, e domingo, no Teatro Oficina, a ópera baile sugerida pelo autor. "Vai ser uma espécie de ‘carnavauto’ de Natal", brinca Iara. Ao lado de Thalma de Freitas, um corpo de baile e uma banda de 10 músicos, Iara vai cantar, tocar e dançar.

São 22 pessoas em cena. Com arranjos de cordas de Arrigo Barnabé e Dante Ozzetti, e direção artística e cenografia de Gert Seewald, Macunaíma no Oficina - Ópera Baile reúne música, dança, videoarte (Ciça Lucchesi e Fred Siewerdt), ilustrações de Tulipa Ruiz e colaboração de Zé Celso e Pascoal da Conceição. Iara reuniu trechos de várias cartas que Andrade e mandou-as a outros amigos escritores, com observações sobre Macunaíma, e montou um texto que foi gravado em vídeo por Conceição. Ele já interpretou o autor na minissérie Um Só Coração.

"Quando comecei a musicar trechos do livro Macunaíma, veio essa coisa de ópera na cabeça, porque parte de uma união de linguagens, que é da literatura com a música", diz Iara. "Então veio essa imagem de um espetáculo maior, juntando outras linguagens artísticas, a dança, o vídeo, a coisa cinematográfica da luz."

Canto da sereia. O projeto do disco foi aprovado pela Petrobrás em 2006 e o lançamento se deu dois anos depois com show no Sesc Vila Marina. Então já havia participação de um grupo de danças e trabalhos com videoarte. "Só que o tempo, o espaço e a grana que a gente tinha disponível não dava pra se aprofundar nisso." Agora, Iara conseguiu parte da verba necessária via lei de incentivo.

"Quando entrei no Oficina com Seewald vi que o que mais o espaço precisava era de cenário humano. Aí montamos o corpo de baile." Zé Celso Martinez Correia, diretor do Oficina, também gravou em vídeo falas do epílogo do livro, em que Iara decifra os indícios de que a história toda é musical. Além disso, ela sempre fez uma forte analogia entre Macunaíma e a Odisseia. Com a diferença de que o herói de Homero não se rende ao canto da sereia. Coincidentemente, o último dos seis quadros do esboço de ópera, que a cantora encontrou nos manuscritos de Andrade, se chama A Iara.

IARA RENNÓ - Teatro Oficina. Rua Jaceguai, 520, tel. 3106-2818. Hoje, 23 h; sáb., 21 h; dom., 20 h. Grátis.

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