I Musici inicia no Rio turnê pelo Brasil

O público brasileiro vai ter a oportunidade de apreciar o repertório e a performance de uma orquestra de câmara canadense que é tida como uma verdadeira superstar do circuito de música erudita internacional. Com um currículo impressionante de prêmios, críticas elogiosas, discos gravados e de turnês realizadas mundo afora, a Orquestra de Câmara de Montreal I Musici toca hoje no Copacabana Palace, no Rio, abrindo a programação do Rio Cello Encounter.Em seguida, fará apresentações em Volta Redonda, São José dos Campos, São Paulo, Aracaju, Maceió, Campinas, São Caetano do Sul, Vitória, Florianópolis, Joinville e Porto Alegre.Quem é do ramo, seja músico, crítico ou apreciador do gênero erudito, já deve conhecer a reputação de excelência que esse grupo desfruta internacionalmente. Porém, o que pouca gente sabe é que o mesmo alto desempenho obtido em relação à qualidade musical se reproduz também no modelo de gestão empresarial, digamos assim, que esse grupo adotou para se transformar num negócio saudável, rentável e cada vez menos dependente das subvenções oficiais.O orçamento da Orquestra de Câmara de Montreal I Musici para a temporada 2006/2007 é de 2,5 milhões de dólares canadenses (cerca de US$ 2,2 milhões), dos quais 35% são garantidos por diferentes fontes governamentais de âmbito federal e provincial. "Os outros 65%", explica seu diretor-geral Davis Joachin, "temos de arrancar na unha, achar na rua, isto é, disputando palmo a palmo um mercado altamente competitivo, exigente e, diga-se, muito bem servido de talentos e de opções, em matéria de repertório clássico, tanto aqui no Canadá quanto no restante do mundo."O fator de qualidade e de diferenciação da Orquestra de Câmara de Montreal I Musici baseia-se principalmente no talento e na alma do violoncelista e maestro Yuli Turovsky, que fundou o grupo e se mantém à frente dele desde 1983, na seqüência de uma carreira precoce e virtuosa iniciada na Rússia e estendida depois para o Canadá, para onde imigrou em 1979, logo obtendo sua nova cidadania. Ativo, apaixonado, carismático e incansável, Turovsky divide seu tempo como maestro com a cátedra na Universidade de Montral, onde já formou uma geração inteira de violoncelistas de renome.Turovsky mantinha um duo com a sua mulher, a violinista Eleonora Turovsky (que, com a filha, Natatasha, também violinista, participara da turnê no Brasil) e o Trio Borodine, criado em 1977 e do qual se desligou para se dedicar exclusivamente às atividades-solo e à sua orquestra. Como se não bastasse, ele ainda respondeu por quatro anos pela direção artística do Centro de Artes Oxford, onde lançou um prestigiado concurso para jovens talentos.Orquestra mozartianaSegundo Joachin, Turovsky rege a maior parte do tempo e o faz de maneira personalíssima, sempre descobrindo um novo approach ou um viés criativo e rico de sensibilidade para as obras de sua preferência, quase sempre de autores russos. Foi ele quem adotou o conceito de "orquestra mozartiana", segundo o qual a quantidade de componentes permanece mais ou menos fixa entre 26 e 32 músicos. Além do mais, todos atuam de pé.Ao adotar esse estilo, explica Davis Joachin, Turovsky quis oferecer ao seu público um novo look e, ao mesmo tempo, pretendeu gerar uma certa tensão entre a platéia e o palco, por meio de uma nova filosofia de movimentos e de ocupação de espaço, bem mais livre, mais solta, menos contida e formal, sobretudo por se tratar de uma orquestra de câmara, cuja natureza é bem mais intimista.O cardápio musical que a Orquestra de Câmara de Montreal oferece aos seus públicos (desde os bebês até os mais idosos) é personalizado e diferenciado, mas, como explica Davis Joachin, sem jamais colocar em risco a reputação de qualidade, fidelidade e respeito que compõe o principal ativo do grupo. "Nós estamos sempre inovando, mostrando algum diferencial, e isso por um raciocínio tão simples quanto pragmático: durante as temporadas canadenses, por exemplo, um concerto assinado I Musici compete com 30 outros eventos que ocorrem numa mesma noite somente em Montreal, e cada um deles de bom ou excelente nível.""Isso significa", prossegue ele, "uma oferta ao público de 90 mil ingressos por mês, ou seja, uma loucura atrair ouvintes e espectadores para o seu show, seu espetáculo, sua apresentação e evitar que eles caiam na tentação de fazer uma escolha diferente." O caminho, diz Davis Joachin, foi "aproximar-se mais das pessoas, utilizar com mais inteligência, criatividade e eficácia as ferramentas de marketing e comunicação disponíveis, prospectar os mercados potenciais e gerir todos os processos com extrema disciplina e foco bem apurado".Marketing e qualidadeEsse mix de planejamento estratégico rigoroso, de inteligência aplicada ao marketing e à comunicação, de apuro quanto à qualidade e de relação empática com o público, sem barreiras e sem arrogâncias, renderam bons frutos. "Nosso índice de fidelização do nosso público gira em torno de 80%, o que reconhecemos ser uma performance. Em outras palavras, isto significa que o cliente que compra nosso produto pela primeira vez, compra-o uma segunda vez e tornará a comprá-lo muitas e muitas vezes."BrincadeirasAs crianças são particularmente contempladas na programação do I Musici, com uma série de seis apresentações concebidas especialmente para elas, os concertos Piccoli Musici, cuja assinatura é 149 dólares canadenses para a família, 54 dólares para um adulto e 36 para uma criança. As apresentações têm por objetivo iniciar as crianças no repertório erudito (e fazer com que o apreciem), embalado de maneira especial, com jogos, teatros, fantasias e brincadeiras, mas com a música sendo levada muito a sério. Para setembro está programado um concerto apresentado por Annabelle Canto e Catherine Perrin, que contam e interpretam a história de uma jovem cantora que perde a voz às vésperas de um recital. O desafio dos ouvintes é sair à procura dessa voz tão fabulosa. Em outubro, um guia, dublê de humorista, armado de sua "clarineta engraçada", conduz uma expedição pelos bastidores da orquestra para tentar responder a algumas importantes questões que passam pela cabeça das crianças, tipo "os músicos precisam realmente de um maestro?", "em que eles pensam enquanto tocam seus instrumentos?", "quando e onde se pode chupar uma bala ou comer um bombom durante um concerto? R.W.N. I Musici de Montreal. Mosteiro de São Bento. Largo de São Bento, s/n.º, Centro, 3285-5242 . Dia 14 (segunda), às 12 h. Grátis Teatro São Bento . Largo de São Bento, s/n.º, 3328-8793. Dia 15 (terça), 21 h. R$ 85

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