Glaucio Ayala/Divulgação
Glaucio Ayala/Divulgação

Humberto Gessinger lança disco ao vivo em São Paulo

Líder do Engenheiros do Hawaii mostra o repertório do disco solo e das bandas anteriores neste sábado, 10

Pedro Antunes, O Estado de S. Paulo

08 Janeiro 2015 | 21h23

Quando a meia-noite de sábado chegar, dando início ao domingo, Humberto Gessinger quer estar sobre o palco. E, de preferência, com o baixo, seu velho companheiro, pendurado no pescoço. O show de lançamento do DVD Insular Ao Vivo em São Paulo, neste sábado, esbarrará em uma data extremamente significativa para todos os fãs da antiga banda de Gessinger, o Engenheiros do Hawaii. Foi em um 11 de janeiro que a banda estreou nos palcos, 30 anos atrás. 

A memória daquela noite de 1985 ainda é doce ao músico, mas não há espaço para nostalgias. “Não estou numa vibe muito passadista”, confessa o músico de 51 anos, falando ao telefone da casa dele, em Porto Alegre. “Quanto mais falam do passado à minha volta, menos eu quero fazer.” 

Ideia de estar no palco, três décadas depois, contudo, traz algumas memórias que permaneciam quase incubadas, esperando a hora certa para voltarem. Até aquele 11 de janeiro de 1985, Gessinger não havia se apresentado diante de ninguém. Compunha desde os 12 anos, mas guardava as canções para si. “É emocionante ainda estar ali, tentando aprender a fazer (música)”, conta ele. 

No texto de apresentação de Insular Ao Vivo, Gessinger diz se tratar do disco mais abrangente da carreira. O repertório não se resume ao álbum solo, o primeiro da carreira agora trintona, lançado em 2013. Passa por clássicos dos tempos de Engenheiros do Hawaii e o Pouca Vocal, dupla formada por Gessinger e Duca Leindecker. 

Marca também o retorno do músico à pureza roqueira da fórmula do power trio. Ao lado de Estaban Tavares (guitarra, violão e voz) e Rafael Bisogno (bateria e percussão), Gessinger esmiúça todas as canções, busca diferentes interpretações a cada uma delas. A turnê de Insular é muito particular, aponta para um retorno ao rock e ao baixo, após projetos basicamente acústicos. “Estava com saudade do formato em trio”, conta Gessinger. A escolha de músicos distintos, como Tavares, mais ligado ao rock, ex-Fresno, e Bisogno, ligado à música regional gaúcha, segundo Gessinger, é proveitosa no palco. “Talvez eu tenha procurado inconscientemente, mas reconheço que é interessante essa diferença”, conta o músico. “Quando as pessoas da banda pensam muito igual, não fazem coisas tão legais.” A própria limitação do trio proporciona a Gessinger um quebra-cabeça musical pelo qual ele se interessa muito. “É uma espécie de marcenaria, um ofício de produção artística que às vezes é menosprezado.” 

Prestes a completar a terceira década sobre os palcos, Gessinger não mostra esgotamento com fórmulas, justamente por fugir delas. Se os tempos gloriosos de Engenheiros ficaram para trás, ele não parece lutar contra a ação do tempo e não se propõe a viver como Peter Pan. 

No palco, como o DVD comprova, Gessinger ainda faz lá suas macaquices com o baixo nas mãos, joga os cabelos loiros e intactos há 30 anos, para frente e para trás, e percorre a carreira, música a música, sem pressa. Muito mais à vontade com o ambiente do que na apresentação de 11 de janeiro na Faculdade de Arquitetura do Rio Grande do Sul, em 1985. Ali, o estudante de Arquitetura, que nunca gostou de surfistas e muito menos de engenheiros, foi chamado para montar uma banda e arrematado pela percepção de que, em poucos minutos, mostraria suas próprias canções para estranhos e amigos. “Estava em pânico total”, relembra, divertindo-se, Gessinger. 

O show em um janeiro calorento na cidade só aconteceu porque a universidade havia entrado em greve no ano anterior e as aulas foram remarcadas para aquele mês. “Só consigo me lembrar do terrível gosto de conhaque que tomei”, diz ele. “Se soubesse que a banda duraria tanto depois daquele dia, teria escolhido outro nome.” 

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