Hugh Laurie, o dr. House, se apresenta no Brasil

O ator e cantor inglês faz show no Rio no dia 20 e em São Paulo no fim do mês

Jotabê Medeiros, O Estado de S. Paulo

13 de março de 2014 | 20h36

Ator, comediante, escritor (escreveu o romance The Gun Seller), roteirista de televisão (foi o autor de A Bit of Fry and Laurie) e também cantor, guitarrista e pianista. É essa faceta musical de sua carreira que o britânico Hugh Laurie, de 54 anos, traz ao Brasil pela primeira vez.

Impossível dissociar sua figura, entretanto, do dr. Gregory House, um dos mais famosos personagens da televisão internacional de todos os tempos na série House. Mas James Hugh Calum Laurie, casado há 25 anos, pai de três filhos, é o clássico gentleman, léguas distante do misantropo, narcisista, cínico e heterodoxo médico/investigador que ele encarnou e que lhe rendeu 3 Globos de Ouro, 2 TCAs, 2 Screen Actors Guild, 6 indicações para o Emmy, entre outros inúmeros prêmios. Houve até mesmo um relato de que o personagem ajudou a resolver um mistério real da medicina em Marburg, na Alemanha, este ano.

Apesar de estar a caminho do Brasil como band leader, ele diz que nunca evita o tema Dr. House. “De jeito nenhum. Sou muito orgulhoso do House e sempre serei. Também o amo e sinto como se ele nunca estivesse distante de mim. Sempre ficarei feliz de falar sobre ele”, afirmou ao Estado.

Laurie toca no Rio (dia 20/3), Belo Horizonte (21), Curitiba (25), Porto Alegre (27), Brasília (23) e São Paulo (dias 29 e 30/3), acompanhado de sua Copper Bottom Band. Seus discos são refinados – parcialmente porque ele tem extremo bom gosto, mas também porque engaja parceiros fenomenais em sua aventura, como o cantor e guitarrista Taj Mahal.

 

 

 

 

Desde o Cream, Stones e Beatles e mais tarde Led Zeppelin, muitos músicos britânicos receberam influências da música americana tradicional, especialmente do blues e do R&B, e recriaram sua música a partir daí. Em qual medida aquele legado também influenciou você?

Esses que você mencionou foram os músicos britânicos nos quais eu fui mais interessado, suponho porque eles foram fissurados na mesma coisa que eu. De outra maneira, eu nunca teria tido muito interesse pela música pop. Mas, como eles, eu fui bastante impulsionado pelos pioneiros originais do jazz e do blues. Louis Armstrong, Bessie Smith e Blind Lemon Jefferson e muitos outros.

Seu primeiro disco, Let Them Talk, foi lançado em 2011. Agora, dois anos depois, já temos o segundo, Didn’t It Rain. Já se pode dizer que você está colocando a música como o seu principal objeto de atenção artístico nos dias de hoje?

Espero que vá ser o foco principal, caso as plateias permitam isso. Tenho muita sorte de fazer isso que estou fazendo e quero fazer isso muito mais daqui pra frente.

New Orleans e as raízes do Sul americano foram muito importantes na definição do seu estilo. Quais são seus lugares e pianistas favoritos naquela cidade?

Vejo a cidade inteira de New Orleans como uma casa de shows. A música está vibrando em cada esquina, cada bar, cada casa. Suponho que o Tipitina’s vá ser sempre meu lugar favorito lá, por causa de sua conexão com o grande Professor Longhair (lendário cantor e pianista de blues que morreu em 1980).

Você colaborou com o pianista Allen Toussaint em seu primeiro disco. Quão importante foi essa colaboração para você?

Allen Toussaint fez os arranjos de metais em duas faixas de Let Them Talk e foi maravilhoso. É muito generoso. É claro que ele tem sido um herói para mim durante todos esses anos.

 

 

 

Seu novo disco inclui canções dos pioneiros W.C. Handy e Jelly Roll Morton, assim como artistas recentes como Dr. John e Alan Price. Qual é seu principal critério para escolher uma canção e colocar em um disco?

É difícil dizer. Mas eu tentei fazer desse disco uma espécie de jornada através do tempo e dos lugares, assim como através de diferentes sentimentos e emoções. Eu só tenho uma intuição sobre como aquilo poderá funcionar. Às vezes, não sei se estou certo.

Seus discos foram produzidos por Joe Henry que é, originalmente, um guitarrista, não um pianista. Ele me parece mais próximo do jazz. Como foi essa colaboração?

Pedir a Joe Henry para produzir esses álbuns foi a coisa mais esperta que já fiz. Ele deu uma direção honesta no jeito de gravar, sem truques ou badulaques de computador, só a canção em si. Foi também quando me dei conta muito rapidamente do quanto nós tínhamos em comum em termos de música, filmes e ideias sobre o mundo.

Sua banda no palco geralmente é enorme. Que tipo de formação você está trazendo consigo para o Brasil?

Somos oito no palco. É certamente um som massudo, mas também muito individualizado. Eles são músicos maravilhosos, tão bons quanto você possa ouvir em qualquer lugar. Espero que o show que vamos fazer seja também uma boa peça de teatro, não apenas a execução das canções. Espero ver as pessoas rirem, chorarem e, acima de tudo, dançarem.

A música dos filmes, do cinema, geralmente é mais espetacular, grandiloquente. Você toca uma música mais introspectiva, em geral. Ao mesmo tempo, é um homem das câmeras. Como explica esse aparente paradoxo?

Não acho que seja exatamente um tipo de divórcio. Mas eu penso a música como uma coisa íntima, e quero que toque as pessoas do jeito que a música me tocou toda a minha vida.

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