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Honras a Adoniran, o maior sambista da Pauliceia

Eventos e preservação de acervo no centenário de nascimento de Adoniran Barbosa

Lucas Nobile,

06 de agosto de 2010 | 06h00

No dia 22 de fevereiro de 1982, exatamente nove meses e um dia antes de sua morte, o maior sambista que São Paulo já teve por muito pouco não foi vítima de um dos maiores deslizes envolvendo seu nome. Na ocasião, a escola Colorado do Brás desfilaria na passarela do samba, na Avenida Tiradentes, enredo em homenagem a Adoniran Barbosa. Ainda na concentração, como não estava vestido com as cores da agremiação - vermelho, branco e dourado -, o compositor quase foi impedido de desfilar, pois, segundo regulamento da União das Escolas de Samba Paulistanas, a escola perderia pontos pelo fato de o homenageado não estar trajado de acordo com as normas da liga.

 

Superada a burocracia tacanha (afinal, Adoniran estava fantasiado de ele mesmo), o sambista, sentado em uma cadeira de plástico fixada sobre um dos carros alegóricos, foi aclamado pelo público. Ainda que naquele ano a persona mais característica do samba paulistano se tenha coberto de glórias com o enredo Adoniran Barbosa, composto por Rubão. Hoje se comemora seu centenário com diversos eventos espalhados pela cidade, mas as gafes e injustiças envolvendo o compositor nascido em Valinhos, no interior de São Paulo, no dia 6 de agosto de 1910, já deram o ar de sua graça este ano.

 

Hoje, o sambódromo paulistano, no Anhembi, leva o nome de Adoniran, mas, no desfile carnavalesco, em fevereiro, nenhuma das 14 escolas do grupo especial rendeu homenagens ao maior sambista de sua terra. O Rio, por outro lado, deu uma aula de reconhecimento e gratidão à cultura do País ao levar para a avenida o samba-enredo Noel: A Presença do Poeta da Vila, de Martinho da Vila, com a Unidos de Vila Isabel, reverenciando Noel Rosa.

 

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Desfiles e rococós à parte em relação ao homem que nasceu João Rubinato, e vestiu a pele de personagens infindos, atacando como calouro, cantor, compositor, ator dramático, humorista escrachado, eternizando-se mesmo como Adoniran Barbosa, resta algum alento quando se trata de seu vasto e valioso acervo.

 

Em fevereiro, o Estado publicou o texto Centenários Incompletos, sobre os descasos com as efemérides de Adoniran e Noel. Na ocasião, em entrevistas dadas pelo jornalista e historiados Celso de Campos Jr., biógrafo de Adoniran, e por Maria Helena Barbosa, filha do compositor, ambos falaram da falta de patrocínios e incentivo para criar o museu Casa Adoniran Barbosa. Seis meses depois, a situação felizmente começa a evoluir. O material relativo ao compositor - como documentos pessoais, a famosa aliança feita com a corda do cavaquinho, de Prova de Carinho, de fotografias, discos, partituras, roteiros raros de programas de rádio -, recuperado do Museu da Imagem e do Som (MIS), no fim de 2009, recebeu pela primeira vez tratamento de preservação feito por profissionais. "Não adiantava apresentar o projeto de uma Casa Adoniran sem esse cuidado. Profissionais da Associação dos Arquivistas de São Paulo fizeram um trabalho que durou cerca de cinco meses, catalogando, organizando, separando por suportes adequados e acondicionando de forma correta todo o material. É uma espécie de inventário do que tem no acervo, um primeiro passo para a criação do museu", explica Campos Jr.

 

Raridades. A curadoria do acervo não poderia estar em melhores mãos, ficando sob os cuidados do próprio Celso Campos Jr., que relançou este ano Adoniran, Uma Biografia, trabalho mais completo já feito sobre vida e obra do sambista. Com apuração rigorosa, conferindo rigor a histórias saborosas (como a vinda da família Rubinato, da Itália ao Brasil, de navio, a influência do gênio da radiofonia paulista Augusto Moles na carreira de Adoniran, e os scripts raríssimos de programas de rádio com a participação do compositor), Campos Jr. conseguiu evitar que as mais de 600 páginas do livro não ficassem maçantes para o leitor.

 

O autor, aliás, maior especialista em Adoniran da atualidade, participa de um dos eventos mais interessantes em relação ao centenário daquele que por meio de seus sambas se tornou um dos maiores cronistas dos tipos, personagens e costumes da Pauliceia. Neste sábado, na Feira de Artes da Praça Benedito Calixto, em Pinheiros, o jornalista e historiador participa do Autor na Praça, autografando a biografia no encontro que contará também com Sérgio Rubinato, sobrinho que entoará alguns dos clássicos do tio Adoniran.

 

Ainda no dia 13 deste mês, Campos Jr. lança a biografia em Valinhos, na Pizzaria da Nona, local visitado por Adoniran em sua última passagem por sua cidade natal. No dia 25, o autor participa de um bate-papo sobre o sambista no teatro Santos Dummont, em São Caetano do Sul, ao lado do maestro Julio Medaglia.

 

Confira a programação:

Sexta (06/8) - 21 h

Wandi Doratiotto e Danilo Moraes, no Auditório Ibirapuera (Av. Pedro Álvares Cabral, s/n.º - Portão 2 do Pq. do Ibirapuera).

 

Sábado (07/8) - 19 h

Vânia Bastos e Maria Alcina, no CCSP (R. Vergueiro, 1.000, tel. 3397-4002).

 

Domingo (08/8) - 18 h

Osvaldinho da Cuíca, Fabiana

Cozza e Milena, no CCSP.

 

Sexta (13/8) - 20 h

Trovadores Urbanos, no Seresta de Sexta (R. Aimberê, 651, tel. 2595-0100). Também nos dias 20 e 27/08.

 

Sábado (14/8) - 19 h

Cida Moreia e Passoca, no CCSP.

 

Domingo (15/8) - 13h30

Roberto Seresteiro, no Sesc Vila Mariana (R. Pelotas, 141, tel. 5080-3000).

 

Também no dia 29/8 - 18 h

Cauby Peixoto, Thobias da Vai-Vai e Graça Braga, no CCSP.

 

Sexta (20/8) - 21h30

Banda Mantiqueira e Fabiana Cozza, no Sesc Pompeia (R. Clélia, 93, tel. 3871-7700). Também no sábado, dia 21/8.

 

Sábado (21/8) - 19 h

Virgínia Rosa, Maurício Pereira e Markinhos Moura, no CCSP.

 

Domingo (22/8) - 18 h

Wanderléa, Thomas Roth e Márcia Castro, no CCSP.

 

Sábado (28/8) - 1 9 h

Tetê Espíndola e Eduardo Gudin, no CCSP.

 

Domingo (29/8) - 18 h

Demônios da Garoa e Quinteto em Branco e Preto, no CCSP.

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