Hoje tem Stockhausen no Carlton Arts

Ame-o ou deixe-o, não faz a menor diferença. Amanhã é dia de Karlheinz Stockhausen no Carlton Arts - e isso é um acontecimento, quer queiram quer não. Os 944 ingressos estão esgotados desde a sexta-feira passada. Mas, ele fará um concerto extra no sábado. A princípio, o compositor alemão queria apenas 150 espectadores por noite no teatro do Moinho, na Zona Leste. Esta semana, um leitor de uma revista semanal enviou carta ao seu veículo protestando contra a badalação em torno de Stockhausen, chamando-o de "embusteiro" e invocando a opinião de maestros "de verdade" para desqualificar o compositor alemão.De fato, as platéias convencionais - aquelas que amam a placidez de uma sinfonia virtuosística e "perfeita" - terão dificuldade em aceitar um compositor que, aos 74 anos, põe um quarteto de cordas tocando dentro de helicópteros num concerto aéreo. Mas Stockhausen, é fato histórico, mudou a face da música do seu tempo - para o bem ou para o mal. Trazer Stockhausen ao Brasil foi um gol de placa da organização do evento, que procurou compor um painel abrangente da mais radical produção artística contemporânea. Outro grande acerto foi a transformação que se promoveu no Moinho (antigo Moinho Santo Antonio, na Mooca), com um décor que bate de longe a estética nouveau riche da Casa Cor, instalada no Morumbi.A nota negativa do Carlton Arts fica por conta dos enfant terribles da grife americana Imitation of Christ. Seu desfile-performance, que ocorre pontualmente desde a segunda-feira e termina no domingo, é um happening colegial, para dizer o mínimo.Numa espécie de "jaula" gradeada, três atores vivem rotinas urbanóides. Uma garrafa de refrigerante litro com um tubo, à maneira de uma garrafa de soro, está enganchada na grade. Há um daqueles cilindros no qual os hamsters de loja de animais ficam se exercitando. Dentro dele há uma mulher. Em ação eles vêem TV incessantemente (no canal de esportes), correm para lugar nenhum e escalam a grade para beber do refrigerante.Outro destaque é para a exposição dos objetos de cena dos filmes do diretor canadense David Cronenberg. De amanhã a domingo, serão exibidos, sempre às 21 horas, os seguintes filmes do cineasta: Naked Lunch, Scanners - Sua Mente Pode Destruir e Shivers. Outros filmes programados são Westworld, de Michael Crichton; Blade Runner - O Caçador de Andróides, de Ridley Scott e The Terminal Man, de Mike Hodges, entre outros.Três artistas plásticos, contemplados com o Prêmio Carlton Arts, expõem obras no espaço do Moinho. Sônia Andrade consegue bom efeito visual com uma instalação na qual exibe, no chão de um quarto escuro, um espectro de cores semelhante ao que se usa para ajustar a cor nos aparelhos de TV. As faixas são feitas de vidro branco, no chão, e a iluminação provém de uma luz semelhante à de um tubo catódico. O visual é legal, mas o "comentário" é anódino.José Damasceno construiu colunas de palmilhas de sapato, feitas de papel. No seu caso, a imagem que obtém é pouco original, ineficaz. Lucas Bambozzi é o outro artista em exposição. Um snack-bar, dois restaurantes e diversos cafés, além de sofás brancos, completam o cenário no velho Moinho, numa atmosfera bon-vivant agradabilíssima. Podiam adotar o Moinho e transformá-lo em algo assim o ano todo.

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