Hip Hop ganha primeira mostra de cinema

CineSesc realiza a primeira mostra de filmes do gênero; a festa de abertura, hoje, no Sesc Pompéia, tem como grande atração o produtor e DJ Madlib Otis Jackson Jr., mais conhecido como Madlib, tornou-se o que alguns chamam de "revolucionário", "mago", "deus". Modesta e timidamente, o rapper, DJ, produtor e multiinstrumentista diz que só faz "algo diferente". Combina elementos de jazz e hip-hop - duas pedras angulares da cultura negra americana. Hoje à noite, no Sesc Pompéia, ele divide a noite com Jay Dee e o brasileiro Nuts. A festa marca a abertura da 1.ª Mostra de Filmes Hip Hop de São Paulo, que começa amanhã no CineSesc (cheque a programação no site do Sesc. Entre as 12 produções, que serão exibidas em 23 sessões até o dia 28, a maioria é de documentários (programação completa no quadro). Para os fãs do gênero é um acontecimento; para os leigos, um punhado de boas aulas - como Keepintime: a Live Recording, que tem Madlib em ação, e encerra a programação do primeiro dia. Em seguida à exibição do filme haverá um debate com o diretor B+ (ou Brian Cross), que promete exibir dez minutos de uma experiência semelhante que fez com músicos brasileiros, o Brasilintime: Batucada com Discos. Ele e Madlib se encontraram esta semana com percussionistas da Nação Zumbi em São Paulo. Parte de Brasilintime foi filmada em 2002 no Urbano, casa de shows paulistana, seguindo o mesmo esquema de Keepintime. Músicos e DJs criando música no ato, combinando instrumentos convencionais de percussão e scratches. Realizado no fim de dezembro de 2002 no teatro El Rey, em Los Angeles, onde Madlib e B+ moram, o show foi uma antológica experiência musical, realizada em duas horas, que B+ condensa pouco mais de 50 fantásticos minutos. "Aquilo também é jazz, sim", confirma o diretor. A jam session reuniu DJs craques em scratches e lendários bateristas de soul e funk, como James Gadson, do Steely Dan, e Paul Jumphrey, que gravou nada menos do que Let´s Get in on com Marvin Gaye. O evento será aberto amanhã com o documentário sobre o rapper Tupac Shakur. Nele, Spirer defende a tese de que Shakur, assassinado aos 25 anos em 1996, era um ativista político. Do mesmo diretor, The MC, Why We Do it mostra as origens e a evolução do MC (mestre de cerimônias). Freestyle, de Kevin Fitzgerald, é o único da mostra que, embora obscuramente, já foi exibido no Brasil. Como está explícito no título, trata-se dos duelos entre rappers, feitos de improvisos como no repente brasileiro. Os filmes são do catálogo da produtora Eleven Parallel e serão exibidos com legendas em português, nos formatos Beta e DVD. Mostra de Filmes Hip HopFestival. Show de abertura - Sesc Pompéia/Choperia. R. Clélia, 93, 3871-7700. Hoje, às 21h, com Madlib. R$ 4 a R$ 12 Filmes - CineSesc. R. Augusta, 2.075, 3082-0213. A programação vai até 28/7 e pode ser checada no site www.sescsp.org.br. Entrada franca.

Agencia Estado,

21 de julho de 2005 | 17h06

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