Hip-Hop Experience traz Rahzel

Designar de Hip-Hop Experience os dois shows que serão realizados na quarta e na quinta-feira na Choperia do Sesc Pompéia é bastante apropriado. Pois os artistas que fazem parte da programação estão além de certas amarras estéticas que imperam no ritmo e poesia nacional. Cara feia, sectarismo, discursos prontos, e um tanto desarticulados, sobre marginalidade e questões raciais, entre outros equívocos - o que não são "privilégios" apenas da produção nacional, é verdade. O sepultado gangsta-rap e o Eminem que o digam.Digressões à parte, o Hip-Hop Experience, desculpando o trocadilho, experimenta e, o melhor, inova ao trazer pela primeira vez ao Brasil o auto-intitulado Poderoso Chefão do Barulho, o norte-americano Rahzel. Egresso do grupo The Roots, uma das belas atrações do Free Jazz de 1999, Rahzel (que não estava presente quando da passagem do grupo da Filadélfia pelo País) é mestre absoluto na arte do beatbox, segundos os teóricos um dos mais bem guardados segredos da cultura hip-hop. Trata-se da habilidade de reproduzir com as cordas vocais batidas, scratches ou qualquer outro ruído presente nas bases instrumentais do gênero."No começo, quando não existiam máquinas ou instrumentos, havia apenas a voz", ensina ele que teve seu álbum-solo de estréia, The Fifth Element: Make the Music 2000 (MCA Records) lançado em junho do ano passado nos Estados Unidos. O registro traz as participações de Brandford Marsalis, Q-Tip (do Tribe Called Quest), Aaron Hall e Black Thought (The Roots), entre outros. A destreza vocalica do artista pode ser conferida também em uma das melhores faixas de In the Mode, CD mais recente do produtor inglês de drum´n´bass Roni Size.Associado à "vanguarda" do hip-hop, Razhel tem sua formação na chamada velha escola. Ainda criança, ele presenciou os primeiros capítulos de sedimentação da cultura em Nova York e por conseqüência, no mundo todo. Seu primo, Rahiem, foi da formação original do Furious Five, grupo que acompanha o veterano DJ Grandmaster Flash.E por falar nas experiências e inovações já citadas, dividindo o palco com Razhel estarão MC Speed e Fernandinho. Mestre-de-cerimônia e contrabaixista, Speed, parceiro do rapper Black Alien (do Planet Hemp), encontra-se pela primeira vez com o beatbox impressionante de Fernandinho, do grupo Záfrica Brasil. "Vou fazer uma homenagem ao 509-E e reproduzir os mais diversos ritmos", avisa Fernandinho, que rouba a cena como convidado especial no álbum mais recente da cantora Fernanda Abreu. "Participei de quatro músicas e adorei."O núcleo de produção Mamelo Sound System traz sua música híbrida de jazz, hip-hop e sons jamaicanos. E o SNJ, sigla para Somos Nós a Justiça, que nas palavras do vocalista Sombra é influenciado por dublagens de desenhos animados e vibratos de Luciano Pavarotti e Placido Domingo. "Nossa principal característica é a irreverência na crítica das injustiças sociais", diz ele, citando os companheiros Bastardo, Cabeça, Cris e DJ WG. Na abertura e nos intervalos dos shows o DJ Nutz (que trabalhou com O Rappa, Herbert Vianna e Marcelo D2) fará a sua discotecagem seleta. A programação é a mesma nos dois dias de evento. A diferença fica para os shows de encerramento. Amanhã é a vez do SNJ e quinta-feira o Possementezulu. Razhel será sempre o penúltimo a se apresentar.Hip-Hop Experience. Quarta e quinta, a partir das 21 horas. De R$ 10,00 a R$ 15,00. Choperia do Sesc Pompéia. Rua Clélia, 93, em São Paulo, tel. (11) 3871-7700. Até quinta-feira.

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