AP Photo/Matt Rourke
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Hip hop domina o Super Bowl com shows de Dr. Dre, Snoop Dogg, Eminem, Mary J. Blige e Kendrick Lamar

Espetáculo marcou volta do evento a Los Angeles trinta anos depois com estádio lotado, um ano após edição mais restrita por conta do coronavírus

Redação, AFP

14 de fevereiro de 2022 | 10h24

As mega estrelas Dr. Dre, Snoop Dogg e Mary J. Blige levaram as batidas do hip hop pela primeira vez ao intervalo do Super Bowl, com Eminem fazendo um protesto por justiça racial se ajoelhando no palco. O esperado show, que incluiu uma aparição surpresa de 50 Cent, adicionou brilho ao primeiro Super Bowl em Los Angeles, na Califórnia, em quase 30 anos, que terminou com vitória dos Rams, donos da casa, contra os Cincinnati Bengals por 23 a 20. 

No gramado do novíssimo Estádio SoFi, inaugurado em 2020 com um orçamento de mais de 5 bilhões de dólares, cinco casas brancas foram colocadas contra um mapa iluminado de Los Angeles com carros esportivos estacionados do lado de fora das portas, em uma mensagem clara de que se trata fundamentalmente de música urbana. Dr. Dre e Snoop Dogg começaram a apresentação com o sucesso The Next Episode, antes de prestarem homenagem ao falecido Tupac Shakur com California Love

O rapper de Detroit Eminem interpretou seu sucesso Lose Yourself, vencedor do Grammy e do Oscar, que ele encerrou se ajoelhando no palco, um gesto que evocou o protesto anti-racismo do ex-jogador da NFL Colin Kaepernick. O gesto de Kaepernick, que escolheu ajoelhar-se durante o hino americano pré-jogo em 2016, foi fortemente criticado por Donald Trump e setores da sociedade e lhe custou sua carreira na NFL.

Os rappers foram acompanhados por seus respectivos bailarinos diante dos 70.000 espectadores que lotaram o estádio, no que parece ser um novo normal após dois anos da pandemia de covid-19, apesar de terem que apresentar um certificado de vacinação ou teste negativo e máscara.

Os cinco artistas juntos já ganharam 44 prêmios Grammy - só Eminem tem 15 - e lançaram 22 álbuns que se tornaram número 1 da Billboard. Assunto esta semana de uma alegação de abuso sexual em 2013, apenas Snoop Dogg não tem Grammys, apesar de ter sido indicado 17 vezes.

O Super Bowl voltou a Los Angeles pela primeira vez desde 1993, o terceiro ano de uma parceria entre a NFL, Pepsi e Roc Nation, a empresa de propriedade do magnata do hip hop Jay-Z, marido de Beyoncé, que juntamente com o produtor Jesse Collins produziu o show. A liga justifica esta apresentação como forma de promover a justiça social.

Deuses no Olimpo

"É como ver os deuses voltarem ao Olimpo", comemorava um usuáruio do Twitter sobre o minishow de pouco mais de dez minutos, realizado no intervalo do maior evento esportivo do ano nos Estados Unidos. "O hip hop é o gênero musical mais importante do planeta neste momento, por isso é uma loucura que tenhamos levado tanto tempo para sermos reconhecidos", disse Dr. Dre esta semana. Ele incluiu em sua apresentação dois rappers surdos, Sean Forbes e Warren "WaWa" Snipe, portanto, pela primeira vez, houve intérpretes de sinais.

Assim, Dre, Snoop Dogg, Eminem, Blige e Lamar se juntaram a uma longa lista de célebres artistas que já participaram deste cobiçado espetáculo, incluindo Beyoncé, Madonna, Coldplay, Katy Perry, U2, Lady Gaga, Michael Jackson, Jennifer Lopez e Shakira.

No Twitter, as opiniões foram divididas. Muitos afirmaram que o melhor show ainda era o das estrelas femininas Katy Perry, Lady Gaga, Madonna e Shakira e Jennifer Lopez. Na edição anterior foi o cantor pop The Weeknd, Abel Tesfaye, quem protagonizou o espetáculo, marcado pelas limitações impostas pela pandemia de coronavírus, protagonista em uma boa medida daquela apresentação. Um ano antes, a edição de 2020 foi eminentemente latina com Jennifer Lopez e Shakira

A presença das megaestrelas acontece três anos depois que a NFL foi criticada por escolher a banda de rock Maroon 5 para se apresentar em Atlanta, que durante anos tinha sido considerada a capital mundial do hip hop. Há rumores de que artistas como Rihanna, P!nk e Cardi B haviam se recusado a participar dessa edição, em meio a controvérsias sobre protestos contra a brutalidade policial contra afro-americanos que eram liderados por Kaepernick, então um jogador do San Francisco 49ers.

Na abertura do jogo, o astro Mickey Guyton interpretou o hino nacional e Jhene Aiko cantou America the Beautiful acompanhado por uma harpa.

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