Herbert Vianna inicia nova etapa de tratamento

Sem compreender totalmente o que acontecia a sua volta, mas aparentando estar bem fisicamente, o cantor e compositor Herbert Vianna recebeu alta hoje do Hospital Copa D´Or, depois de 45 dias de internação. O músico deixou o hospital por volta das 10h30, sentado em uma maca reclinada, e chegou a falar algumas palavras com o pai, o brigadeiro Hermano Vianna, e a esboçar um sorriso, antes de entrar na ambulância que o levaria para casa, em Vargem Grande, na Zona Oeste. Em três meses, ele deverá ser enviado aos Estados Unidos para fazer reabilitação e tentar recuperar o movimento das pernas.Vestindo uma camisa pólo amarela e coberto com um lençol branco até a cintura, o músico deixou o hospital ladeado pelo pai; pelo baterista dos Paralamas do Sucesso, João Barone; e pelo empresário da banda, José Fortes; entre outros amigos e parentes. Com duas cicatrizes na cabeça e uma na parte superior do olho direito, o braço esquerdo engessado e um pouco mais magro, Herbert parecia frágil, embora saudável. O olhar vago e confuso demonstrava que ele não entendia muito bem o que estava acontecendo na porta do hospital, onde dezenas de repórteres o aguardavam."A reação é natural, é como se ele estivesse saindo de um sonho", explicou o neurocirurgião Paulo Niemeyer. "Ele ainda tem alguma dificuldade de percepção imediata do que está se passando, mas teve uma melhora espetacular nos últimos dois dias." Segundo o médico, ele aumentou a complexidade de seus raciocínios, se mostra cada vez mais presente, profere frases bem mais longas, demonstra humor e tem uma dicção perfeita. Além disso, já reconhece pessoas que conheceu depois do acidente, como os médicos. "As lesões cerebrais estão em fase final de absorção, os neurônios estão retomando suas funções."Para o médico, a melhora foi, em parte, motivada pela visita de dois grandes amigos do músico, o piloto Émerson Fittipaldi e seu cunhado Jeremy Needham. "Ele brincou com os dois, e chegou a traduzir algumas frases do inglês para o português", revelou o médico. Na avaliação de Niemeyer, o quadro clínico cerebral do músico está evoluindo muito bem. "Existem cada vez menos chances de ele ter alguma seqüela nessa área", afirmou. "Não vejo nenhuma razão para achar que ele não possa cantar ou compor." Com o passar do tempo e o estímulo de amigos e parentes o neurocirurgião acredita que o músico estará totalmente recuperado. Herbert, no entanto, ainda não perguntou pela mulher Lucy Needham Vianna, morta na queda do ultraleve. "Ele citou o nome dela, mas ainda não perguntou por ela. Isso deverá acontecer nos próximos dias porque, agora, ele já começou a fazer questionamentos." Tem consciência de que sofreu um acidente, mas não da gravidade. Segundo Niemeyer, ele tem noção de quem é e de sua profissão. "Ele está sempre acompanhado dos companheiros da banda e, inclusive, já cantou com eles no quarto", contou.O músico chegou a perguntar porque estava com o braço esquerdo engessado, mas ainda não fez questionamentos sobre suas pernas. O cantor está paraplégico e, segundo os médicos, tem 50% de chances de voltar a andar em um ano. A partir de agora, Herbert fará fisioterapia diariamente em casa. "Daqui a uns dois ou três meses, quando a parte cerebral estiver totalmente recuperada, vamos avaliar a possibilidade de mandá-lo para um grande centro de reabilitação nos Estados Unidos", contou Niemeyer, que estuda a possibilidade de enviá-lo ao Projeto Miami para a Cura da Paralisia, no Jackson Memorial Hospital. Durante os primeiros dez dias em que for atendido em casa, Herbert terá o acompanhamento de uma equipe de enfermagem durante 24h e receberá, diariamente a visita de Niemeyer, do clínico-geral Abdon Hissa e do pneumologista João Pantoja. Na saída do hospital, o pai de Herbert distribuiu um comunicado à imprensa, no qual agradece aos médicos e aos repórteres, pela cobertura do acidente e da recuperação de seu filho.

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