Herbert teve ainda queimaduras e pancreatite

Assim que recobrar inteiramente a consciência, o cantor e compositor Herbert Vianna terá que se defrontar não só com a notícia da morte de sua mulher, a jornalista Lucy Needham, mas também com a constatação de que está, ainda que temporariamente, paraplégico. "Em geral, nesses casos, a sensação é de mutilação, de perda da autonomia", explicou a psicóloga Regina Trotto, do Hosptial Copa D´Or. "As pessoas que vivem essa situação tendem a ficar muito tristes." Por uma questão de ética profissional, Regina não comentou especificamente o caso do músico. Segundo ela, no entanto, em casos similares de retomada da consciência depois de um período de coma, as pessoas tendem a perceber por si mesmas que estão sem os movimentos das pernas e, em geral, entram em depressão. "O ideal é que essas pessoas tenham um acompanhamento psicoterápico", explicou. "Não deixa de ser uma espécie de luto, que tem que ser vivenciado." A opção pela psicoterapia, no entanto, depende muito da vontade de cada um. "É uma decisão muito pessoal", frisou. "Muita gente supera essa fase com o apoio dos amigos, da família, da religião." Segundo Regina, depois de algum tempo, as pessoas tendem a superar a tristeza, a medida em que a realidade cotidiana vai se impondo e o trabalho é retomado. "Tanto em caso de morte de alguém próximo quanto no caso de se descobrir paraplégico, depois de um período de tristeza, há uma adaptação à nova vida." No caso específico de Herbert, ele terá que superar as duas perdas. Exame de ressonância magnética realizado na noite de quarta-feira confirmou que houve uma lesão na medula de Herbert Vianna. Os médicos informaram que o músico tem 50% de chances de recuperar o movimento das pernas dentro de um perído de um ano. Ele já vem sendo submetido a sessões diárias de fisioterapia. Tão logo deixe o hospital e recobre totalmente a consciência, será encaminhado a um centro de reabilitação para que possa fazer fisioterapia mais intensiva e recupere, ainda que parcialmente, o movimento dos membros inferiores. O diretor-médico do Copa D´Or, João Pantoja, informou que, além das lesões na coluna, no cérebro e no pulmão, e da fratura no punho esquerdo, Herbert Vianna teve queimaduras químicas de primeiro e segundo graus nas costas e nádegas em função do acidente. Durante o período em que está hospitalizado, teve ainda que superar uma pancreatite. As queimaduras foram causadas pelo combustível que derramou do ultraleve no momento do acidente e acabou embebendo a camiseta e o short que o músico vestia. "No momento do socorro, todos estavam preocupados com os aspectos mais sérios do problema, o que é perfeitamente compreensível", justificou Pantoja. As queimaduras já estão cicatrizadas. O músico superou também uma inflamação no pâncreas, que se manifestou entre a primeira e a segunda semana de internação. Segundo Pantoja, a inflamação foi causada porque o pâncreas fica próximo à área do trauma e devido ao excesso de remédios. "Não é raro que isso aconteça nesses casos", explicou Pantoja. "Mas a situação foi rapidamente controlada: retiramos alguns medicamentos mais tóxicos e tiramos a gordura da alimentação para não sobrecarregar o pâncreas."

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