Herbert obedece a comandos dos médicos

O cantor e compositor Herbert Vianna obedeceu hoje, pela primeira vez, a comandos dos médicos e chegou até a acenar com a mão, dando adeus à equipe. De acordo com o chefe do CTI do Hospital Copa D, José Eduardo Castro, o músico voltou a articular palavras desconexas; dessa vez, não apenas em português, mas também em inglês e espanhol, línguas que fala fluentemente. "Ele criou um esboço de interação, esse processo do cérebro de recobrar suas funções é gradativo", explicou o cirurgião-geral, Alfredo Guarischi.Herbert obedeceu aos comandos de apertar a mão, piscar duas vezes, abrir a boca e botar a língua para fora, mas intercalou momentos em que acatava as ordens dos médicos com outros nos quais não interagia. Obedecer a comandos, conforme havia explicado o neurocirurgião Paulo Niemeyer Filho na noite de sábado, era a última etapa que faltava - depois de abrir os olhos e falar - para que o músico recobrasse a lucidez. O cantor está com 13 pontos na Escala de Glasgow - que mede a profundidade do coma e vai de 3 a 15. Segundo os médicos, tecnicamente, ele já está fora do estado de coma desde sábado, embora ainda não esteja totalmente lúcido, nem dialogue com as pessoas. "É um quadro de evolução intermitente. Aparentemente, ele está reagindo muito bem", contou Castro. O músico vinha sendo mantido desde a semana passada em um quarto adaptado para funcionar como uma Unidade Semi-Intensiva. Os médicos retiraram os aparelhos de monitoramento - transformando o local em um quarto comum - e também reduziram o número de enfermeiros que o acompanham. Alimentação - Herbert continua sendo alimentado por sonda, mas, já começou a beber água pela boca. Ele continua fazendo fisioterapia respiratória e motora. Os médicos voltaram a afirmar que um prognóstico sobre possíveis seqüelas neurológicas só poderá ser feito em alguns meses. Segundo eles, mesmo que, inicialmente, Herbert demonstre algumas dificuldades, tais seqüelas podem desaparecer completamente em pouco tempo. A equipe não tem ainda condições de avaliar se o cantor ficará paralítico. "É uma coisa que nos preocupa. A recuperação neurológica está sendo mais rápida que a motora", disse Castro. "Não está descartada a possibilidade de ele estar paraplégico."Na manhã de ontem o pai do cantor, o brigadeiro Hermano Vianna, esteve no hospital e saiu muito otimista com a melhora do filho. Hoje, o músico será submetido a novas tomografias de tórax, crânio e abdômen.

Agencia Estado,

25 de fevereiro de 2001 | 17h44

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