HBO exibe show de Bruce Springsteen

Para quem gosta de rock´n´roll, ele não precisa ser apresentado. Para quem gosta, mas perdeu o trem da história nos anos 70/80, Bruce Springsteen é aquele compositor que chegou a ser comparado a Bob Dylan, que virou uma espécie de porta-voz dos injustiçados da América - dos negros aos pobres - graças às letras contundentes e consideradas antipatrióticas pelos conservadores. É, também, o cantor de voz rouca que fez história ao lado de um grupo chamado E Street Band.E é no palco que eles mostram a que vieram. Para conferir, basta ver nesta sexta-feira, às 22h30, a produção original da HBO - Bruce Springsteen e E Street Band em Concerto - que será reapresentada no dia 14 (sábado, às 4h30). Não é um show como outro qualquer, de um astro de rock cinquentão (Bruce faz 52 este ano). Nas semanas que antecederam a série de dez concertos, entre junho e julho de 2000, a polícia de Nova York pedia aos fãs de Bruce que não fossem ao Madison Square Garden por receio de manifestações violentas provocadas pela canção American Skin (mais conhecida por 41 tiros), na qual ele relata o polêmico episódio da morte do imigrante africano Amadou Diallo, assassinado pela polícia de Nova York, em fevereiro de 1999, com 41 tiros.O público não deu ouvidos aos apelos e lotou todas as sessões de um espetáculo memorável - inteiramente captado por 11 câmeras espalhadas em pontos estratégicos da imensa arena.Operário pop - Na verdade, todo mundo queria ver de perto o reencontro de Bruce com a E Street, de quem tinha se separado havia quase uma década. Neste meio tempo, ele ganhou Oscar de melhor canção original, em 1994, com The Streets of Philadelphia, trilha do filme Filadélfia, com Tom Hanks e Denzel Washington. Com a mesma canção, ganhou, no ano seguinte, quatro prêmios Grammy, além do MTV Award.No palco, ele sua a camisa e não esconde a felicidade com o reencontro. A velha E Street está tão em forma quanto Bruce, The Boss, o operário de New Jersey, vestido como sempre com sua calça "five pockets" e a camisa de mangas arregaçadas. Ele usa a canção Tenth Avenue - Freeze out para apresentar a banda ou talvez seja melhor dizer para reverenciar a banda que veio com sua formação original: Roy Bittan e Danny Federici nos teclados; a mulher de Bruce, Patti Scialfa, Nils Lofgren e Steven Van Zandt nas guitarras; Garry Tallent no baixo; Max Weinberg na bateria; e o magnífico Clarence Clemons no saxofone. Tem um discurso de agradecimento especial para cada um dos instrumentistas. Das 13 canções do show, apenas Land of Hope and Dreams e American Skin são inéditas. Assim, a cada canção identificada, a platéia se transforma num imenso e contagiante coro, fazendo a temperatura do show subir em Youngstown, Badlands, Out in The Street e tantas outras. Afinadíssima, a banda chegou a Nova York depois de um ano da turnê que começou em abril de 1999 na Europa. The River, um dos maiores sucessos de Springsteen, ganha uma introdução lenta e bonita do sax de Clarence Clemons, seguida de um solo de gaita do cantor e uma interpretação emocionada. Outros solos vão se sucedendo e mostrando que a E Street é muito mais do que um agrupamento de bons instrumentistas. Premiada pela National Association for the Advancement of Colored People por seu conteudo anti-racista, a esperada American Skin - que a polícia nova-iorquina temia tanto - fica para o fim, criando um clima catártico como só se consegue em um grande show de rock.

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