Hamilton de Holanda e Yamandu Costa duelam no palco

Vai ser um duelo de titãs. Fenômenos da música instrumental brasileira, dos mais festejados nos últimos anos, o bandolinista carioca Hamilton de Holanda e o violonista gaúcho Yamandu Costa, celebram dez anos de amizade em show inédito, desta sexta-feira, 16, a domingo no Auditório Ibirapuera. Carreiras entrelaçadas, diversas colaborações com outros artistas nos currículos, ambos fazem um show inteiro juntos pela primeira vez no Brasil. "Essa parceria tem um carinho como muito poucas. A gente encontra músicos na estrada, grava discos, faz parcerias e tal, mas amizade sincera é muito difícil", diz Yamandu. "Acho que é isso que vai prevalecer no palco. A gente vai bater uma bola e o público vai sentir todo esse carinho." Para Hamilton, tocar junto também parte da mesma condição. "Cresci numa família de músicos. Aprendi a música como uma coisa afetiva, como motivo de congregação, comemoração. Se não rolar uma relação, não rola música", diz o bandolinista. Reunindo temas já conhecidos, como o choro Mistura e Manda, e novas composições próprias - entre elas Estações e Pros Anjos (Hamilton), Mariana e Meiga (Yamandu) -, o encontro vai ter muito improviso e "sangue", como diz o gaúcho. O desafio é fazer "um show bonito, aprazível", independentemente da capacidade de cada um. "Até por ter muita vontade de tocar juntos, temos de tomar cuidado para um não engolir o outro e deixar a música soar", observa Yamandu. Além de gostar dos mesmos músicos (Hermeto Pascoal, Egberto Gismonti, Pixinguinha), o que eles mais têm em comum é o que Hamilton costuma sintetizar como "moderna tradição". Yamandu detalha: "Acho que esse é o nosso lema. A gente não tem preconceito com absolutamente nada: sempre caminhando para frente, mas olhando para trás. Esse gosto é que dá asas para a gente enlouquecer e tocar dessa maneira tão despojada, tão maluca." Novo disco Ainda divulgando amplamente o trabalho autoral mais recente com seu quinteto, Brasilianos, Hamilton vai lançar outro CD, de intérprete, em abril. "Estou numa fase de criação intensa mas o Brasil tem tanto compositor da pesada, que eu adoro tocar mas não mostro em show", diz. De hotel em hotel, ele foi registrando temas como Beatriz (Edu Lobo/Chico Buarque) num laptop, a princípio para deleite pessoal. "Mas foi ficando tão bom que resolvi gravar em disco", conta. Também em abril, Yamandu chega com outro álbum em parceria, desta vez com Dominguinhos, só violão e acordeom. O projeto de duo começou na homenagem a um amigo comum a ambos, morto em 2000, em Brasília. Houve uma festa e os dois ficaram tocando "horas sem parar". "As músicas duravam uns 40 minutos, foi aquela doideira, uma catarse mesmo. E naquele dia se selou esse compromisso de um dia fazermos um show juntos", lembra Yamandu. Uma prévia foi realizada em Bruxelas (Bélgica) e o próximo será no dia 10 de abril, no Canecão, Rio. O apelo internacional do encontro ganha ressonância no que Yamandu aponta como missão ideológica. "Fizemos um pacto um tempo atrás de levar essa música para fora do Brasil, dar dignidade a esse país tocando músicas bonitas, que os estrangeiros conhecem muito pouco. Nosso país infelizmente não tem muita relevância." Hamilton de Holanda e Yamandu Costa. Auditório Ibirapuera (800 lug.). Av. Pedro Álvares Cabral, portão 2, Pq. do Ibirapuera, (11) 5508-4299. Amanhã, 21 h; sáb. e dom., 20h30. R$ 30

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