Guns N´Roses e Papa Roach, juntos

Axl Rose adora. Tanto que indicou o Papa Roach para tocar na mesma noite que o seu Guns N´ Roses no "Rock in Rio por Um Mundo Melhor". Palpite aceito, o grupo será uma das atrações do palco principal no domingo, dia 14, ao lado de Oasis, Carlinhos Brown, Pato Fu e Ira! & Ultraje A Rigor . "Ficamos muito orgulhosos de termos sido indicados por Axl para tocar num festival brasileiro, vai ser demais, ainda mais pelo fato de ser essa uma volta deles ao palco, o Guns N´ Roses ficou sem se apresentar ao vivo por uns sete anos", diz o guitarrista Jerry Horton, do telefone de um quarto de hotel em Kansas City, à reportagem. "Você não imagina o frio que faz aqui nesta época do ano", reclama o músico desejando ter contato, o mais rápido possível, com a alta temperatura dos Trópicos.Após os anos de anonimato - a banda foi formada em 1993 em Vacaville High - e quatro álbuns lançados pelo selo independente Onion Hardcore, Caca Bonita (1995), Old Friends from Young Years (1997), 5 Tracks Deep (1998) e Let´Em Know (1999), Jerry Horton e seus companheiros Dave Buckner (bateria), Tobin Esperance (contrabaixo) e Coby Dick (voz e letras) estão sentindo o gostinho do sucesso. O álbum Infest (Universal) é a estréia do Papa Roach em uma megagravadora, a DreamWorks. A produção ficou a cargo do renomado Jay Baumgardner e as gravações foram no NRG Studios, em Hollywood. A faixa Last Resort ficou nas paradas das rádios de rock norte-americanas por oito semanas consecutivas e publicações especializadas os estampam na capa de suas edições. "Eu não esperava esse sucesso todo, fomos pegos de surpresa", comenta o guitarrista.A banda tem sido apontada como um dos expoentes do que a indústria convencionou designar como novo metal. É um termo genérico que coloca no mesmo bojo grupos como Limp Bizkit, Queens of the Stone Age (outra das atrações, das boas, da terceira edição do Rock In Rio), Korn, Coal Chamber e System of a Down. Mas em meio aos riffs pesados de guitarra, flertes com o rap e as harmonias pop características do estilo, Jerry Horton fala sobre as especificidades do Papa Roach. "Temos elementos do hip-hop, mas nos diferenciamos pelo teor melódico das canções", comenta. "Dessas bandas todas eu gosto mesmo é do Korn e do Sepultura", diz o instrumentista que aprendeu a tocar guitarra ouvindo velhos discos do Metallica. "Kill´Em All e Black Álbum são os melhores discos deles."O guitarista faz questão de destacar as letras do Papa Roach. Elas são assinadas pelo vocalista Coby Dick e são um prato cheio para a psicanálise. Em Last Resort, Dick versa sobre a solidão e o suicídio. Em Infest ele crítica o governo, a mídia e o mundo em geral. Broken Home trata das brigas em família e do divórcio e Binge fala de alcoolismo. "Eu não preciso de amigos/ tudo o que eu necessito é de uma garrafa´´, vocifera ele. "Dick escreve letras muito diretas, todas em primeira pessoa", continua. "Os fãs se reconhecem nelas."Se depender das agruras da vida familiar do vocalista, o arquivo de letras do Papa Roach não corre os riscos da escassez. Quando criança ele sofreu, e parece sofrer ainda, com a separação descrita em Broken Home. O pai biológico lutou na Guerra do Vietnã e não se refez da experiência traumática. De volta aos Estados Unidos, ele e a mulher caíram de cabeça no que restou do movimento hippie. Logo depois se divorciaram. A mãe casou novamente e Dick não desenvolveu um amor fraterno pelo padrasto, entre outros tormentos. "A música me salvou", costuma dizer.Contudo, alguns membros da família que Dick detrata são poupados. O nome Papa Roach faz referência ao avô do vocalista que tinha Roatch como sobrenome. Ele era o Papa Roatch, daí a expressão que dá título ao grupo. Ainda nesse tema, a entrada de Jerry Horton na banda se deu a partir de uma ex-namorada. "Ela me apresentou aos caras em 1996 e desde então não nos separamos mais."

Agencia Estado,

13 de dezembro de 2000 | 18h28

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