Guitarrista prodígio respira blues

Nos últimos anos, o blues tem experimentado uma renovação. Garotos brancos invadiram o território que era quase exclusivamente dos negros. Nomes como Jeff Healey, Jonny Lang, Kenny Wayne Shepherd e Blues Traveler apresentaram o blues a uma nova geração. Infelizmente alguns nomes são esquecidos. É o caso de Joe Bonamassa e seu disco New Day Yesterday.Bonamassa é um rapaz de 22 anos, nascido em Nova York, e fã de rock inglês e do blues moderno. Começou a tocar guitarra aos quatro anos de idade e aos oito já era elogiado por B.B. King. Lançou um disco com a banda Bloodline, que acabou logo depois. O primeiro disco-solo é um testemunho de amor ao rock dos anos 60 e 70. Joe começa com o blues-rock Cradle Rock, um clássico do guitarrista irlandês Rory Gallagher, e Walk in My Shadows dos britânicos do Free. A faixa título é uma porrada tirada do segundo álbum do Jethro Tull, Stand Up. Em If Heartaches Were Nickels, Bonamassa convida dois ícones da guitarra, Gregg Allman (The Allman Brothers ) e Leslie West, fundador do mitológico grupo Mountain. A sonoridade meio anos 70 deve-se ao produtor Tom Doud, que trabalhou com Derek & The Dominos e The Allman Brothers. Don´t Burn Down That Bridge é uma reverência aos ingleses do Cream, leia-se Eric Clapton, o timbre da guitarra é idêntica a clássica Sunshine Of Your Love. O guitarrista mostra que também é um compositor competente no rock Nuthin´ I Wouldn´t Do e no blues Trouble Waiting. O disco ainda conta com a participação do guitarrista Rick Derringer, outra referência importante em sua formação.Não é surpresa dizer que o disco não foi e dificilmente será editado no Brasil. Por algum motivo, os executivos da gravadora brasileira acharam que ele não seria um hit. Ruim para o consumidor que terá que desembolsar um bom dinheiro para conhecer um grande disco.

Agencia Estado,

16 de dezembro de 2000 | 16h33

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