Guitarrista Charlie Hunter toca em SP com Scott Amendola

Músico é um dos novos talentos mais destacados do instrumento

Entrevista com

Charlie Hunter

Jotabê Medeiros, O Estado de S. Paulo

07 de outubro de 2014 | 19h00

Um dos mais versáteis e virtuosos guitarristas do jazz da atualidade, Charlie Hunter, de 47 anos, apresenta-se nesta quarta-feira no Bourbon Street, em São Paulo. Ele toca acompanhado do baterista Scott Amendola, que conhece há 20 anos e com o qual já gravou três discos: Not Getting Behind is the New Getting Ahead (2012), Pucker (2013) e EPs: Cars/Williams/Porter/Ellington (2014). Também este ano, lançou com a cantora Dionne Farris o disco Dionne/Dionne, com o repertório de Dionne Warwick.

Charlie é destemido. No recente disco com Amendola, emparelha em quatro EPs as canções da banda new wave The Cars com o country Hank Williams e os jazzistas Cole Porter e Duke Ellington. Tanto Charlie Hunter quanto sua parceira Dionne Farris militaram em grupos de hip hop, ela no Arrested Development e ele no The Disposable Heroes of Hiphoprisy.

Seu toque na guitarra, muito distinto e melodioso, se dedica a afrontar dogmas, algo que alguns chamam de pós-jazz, e esta noite o balanço do funk pode ser a tônica em São Paulo. Ele já tocou com o baterista Bernard Purdie, ex-sideman de Aretha Franklin, James Brown, B.B. King, Steely Dan e outros. Hunter falou ao Estado por telefone.

Ouvi uma composição sua com Mos Def chamada Street Sounds. É um samba, certo?

Totalmente. É um pouco uma versão americana do samba. Já toquei diversas vezes no Brasil. Toquei no ano passado com o grupo de Leo Gandelman. Tocamos no Auditório Ibirapuera, tocamos no Rio das Ostras Festival. Não sei se tenho um compositor favorito entre os brasileiros, gosto da música folclórica do Brasil, e também dos caras da Tropicália: Caetano e Gil. E Chico Buarque e Djavan. E da escola de samba tradicional, até toco um pouco de pandeiro.

Seu jeito de tocar é tido como moderno. É seu propósito quando grava rap, por exemplo?

Adoro rap, há muita música muito boa no meio do hip hop. Mas gosto de coisas principalmente das mais antigas, dos anos 1980 e 1990. Mas também há gente muito nova boa hoje em dia no rap.

Você foi influenciado por Joe Pass. Geralmente, os guitarristas de jazz declaram influência de Jim Hall. Por que Joe Pass?

Não sei se é assim tão direta a influência. Toquei muita música de raiz americana antes, quando eu estava crescendo. Tocava o blues com minha mãe. Toquei soul music e rock. E depois, quando comecei a tocar harmonias mais complexas na guitarra, Joe Pass foi para mim o cara com quem mais me identifiquei. Não me considero um guitarrista de jazz ou só um guitarrista, sou apenas um músico. Há muita coisa que me interessa vindo de muitos lugares diferentes.

Você fez três discos com Scott Amendola. O que há de tão sedutor na música dele?

Não há nada sedutor sobre Scott! (risos). Nada. Somos velhos amigos e viemos de diferentes tradições musicais. E sempre articulamos para achar um caminho no meio, entre esses dois backgrounds diferentes.

Pensa em ir à frente em termos de futuro quando compõe?

É claro, tem de ser assim. Você não pode parar, a menos que queira ficar aborrecido e aborrecer as pessoas. Sou muito curioso e sempre persegui algo diferente na música, algo que não tivesse sido feito antes.

Você toca simultaneamente as linhas de baixo e as de guitarra em seu instrumento.

O ponto central é: o que importa não são as partes separadas, que geralmente são muito simples, mas, sim, como elas funcionam juntas desde o princípio, e como criam a melodia juntas.

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