Marcio Fernandes/Estadão
Marcio Fernandes/Estadão

Guitarras de Pedro Baby e Beto Lee unidas para celebrar o tropicalismo em SP

Filhos de expoentes da música brasileira tocam sucessos de seus pais em apresentação inédita nesta sexta-feira, 9

Gheisa Lessa, Especial para O Estado de S. Paulo

09 Janeiro 2015 | 03h00

“Deu samba, faz rock.” É como os músicos e produtores Pedro Baby e Beto Lee, filhos dos artistas Baby do Brasil e Pepeu Gomes e de Rita Lee e Roberto de Carvalho, explicam a parceria na formação de uma banda ainda sem nome que se apresenta pela primeira vez nesta sexta-feira (9), a partir das 22 horas, na Festa Odara, na zona oeste de São Paulo.

A herança musical traz um acúmulo de peso à dupla. Pedro, aos 36 anos, já contribuiu para discos e shows de Marisa Monte, Gal Costa, Bebel Gilberto e Ivete Sangalo, além de ter produzido o show Baby Sucessos com os hits da carreira da mãe. Beto, um ano mais velho, já lançou três álbuns solos e apresenta o programa Experimente, no canal Multishow.

“O mais engraçado é que eu conheci o Pedro Baby num show da Marisa (Monte), mas só tocamos juntos no programa Som e Areia, do Davi Moraes”, conta Beto Lee. “A maneira como nos conectamos foi tão harmônica que eu nunca tirei da cabeça a chance de voltar a tocar com o Pedro”, confessa o músico.

Os artistas, apesar dos apenas quatro anos de amizade, parecem ser amigos de uma vida inteira e mostram muita sintonia. Um completa a resposta do outro e, em qualquer momento livre entre as perguntas da reportagem, dedilham suas guitarras e trocam confidências sobre cordas, notas que executam com mais dificuldade e rouquidão. “Cara, cuida dessa garganta pra você aguentar o show”, aconselha Pedro, enquanto Beto espirra mel na boca.

“A gente só consegue manter a formação da banda com duas guitarras porque temos muito respeito e admiração pelos nossos trabalhos”, afirma Pedro, cujo argumento é imediatamente completado por Beto. “É possível ter uma banda com até oito guitarristas, mas todos têm que se ouvir sem ego, o que é raro. Já viu um guitarrista sem ego?”, brinca.

Para a noite de sexta a promessa é grande. Conhecedores das obras de seus pais, a dupla pretende homenagear o momento tropicalista com alguns sucessos de Novos Baianos, Mutantes, Tim Maia, Gilberto Gil e outros, mas sem deixar de expor canções lado B. “Tem muita música que eu ouvi meus pais compondo ou cantando em casa que nunca foram para os palcos. Agora eu vou fazer o que eles não fizeram”, promete Pedro Baby. Para integrar a banda, Pedro e Beto convidaram Betão Aguiar (baixo) e Gil Oliveira (bateria), ambos filhos de Paulinho Boca de Cantor, dos Novos Baianos.

Não dá para dizer exatamente o que o quarteto deve apresentar no palco. Questionados sobre arranjos e ritmos, Beto confessa que “vai rolar uns paranauês”. Betão Aguiar define tudo apenas com a frase “vai ser divertido”. E Pedro deixa no ar: “Vamos ver que bicho vai dar”. 

Pedro e Beto fazem planos de seguir com a banda. “Talvez a formação aumente, ainda não dá para saber. O que a gente sabe é que tudo pode aumentar, menos o número de guitarras. Esse vai ser sempre dois.”

Beto Lee fala com entusiasmo sobre a participação da sua banda na Festa Odara, balada de música brasileira criada há oito anos para celebrar o movimento tropicalista e seu legado. “Acho que o evento dá o espaço que estamos precisando agora para esse início”, explica ele.

A venda online de ingressos esgotou nos primeiros horários de quinta-feira, mas a organização garante que quem chegar cedo consegue entrar.

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