Fábio Motta/Estadão
Fábio Motta/Estadão

'Guitarra invisível' de Mike Kerr intriga fãs

Vocalista e baixista do Royal Blood faz peripécias com habilidade de ilusionista

Julio Maria, O Estado de S. Paulo

19 de setembro de 2015 | 21h59

Onde está a guitarra de Mike Kerr? Essa é a pergunta que muitos, sobretudo músicos atentos aos detalhes mais específicos do palco, se fazem ao ver o vocalista e baixista do Royal Blood, a menor banda que já tocou na história de 30 anos do Rock in Rio. Eles são apenas Mike Kerr e Ben Thatcher, garotos norte-americanos que tocam juntos há impressionantes três anos e já estão nos palcos maiores de festivais grandes como o Rock in Rio. E que tiraram elogios de Tom Morello e Jimmy Page: "São absolutamente fascinantes", disse Page.

Mas qual o segredo do Royal Blood? De onde sai o som de guitarra que aparece nas caixas mas não se "vê" nas mãos de ninguém? Kerr é metade malabarista, metade ilusionista.

Seu contrabaixo Fender é usado de maneira peculiar, que ele criou para manter a formação em duo. Seu sistema é complexo, e requer uma concentração extrema. O baixo ora soa com suas quatro cordas como se fosse uma guitarra, ora divide-se em deixar as duas cordas graves para o som de baixo e as duas mais agudas para a guitarra. E por muitos momentos, seu baixo se torna uma guitarra de quatro cordas, tocado com pedais que aproximam seu som de um efeito dos guitarristas chamado overdrive. Sim, Lemmy Kilmister, do Motörhead, usa baixo com distorções há anos, mas mesmo assim seu instrumento continua com função de baixo. Nas mãos de Kerr, o baixo entra em crise de identidade e pensa como se fosse uma guitarra.

Quando assume-se como um guitarrista das quatro cordas, acontece a mágica. Um som de contrabaixo entra programado, pré-gravado, fazendo a sustentação de seus solos, e ali não é mais um duo, mas um trio. Ou seja, por melhor e mais força que tenha suas criações, Mike Kerr usa o formato como jogo de cena, mais do que por necessidade de alguma linguagem que tenha criado. Seu rock seria fantástico, com dois, três ou quatro instrumentos. O bom, para ele, é que, em dois, sobra mais cachê.

Mais conteúdo sobre:
Rock in RioMúsica

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.