Guinga mostra novo repertório em SP

O compositor e violonista Guinga, carioca da gema, volta a São Paulo neste fim de semana para mostrar o repertório de seu último disco, Cine Baronesa. Os shows serão realizados no Teatro do Sesc Pompéia, hoje, às 21h, e amanhã, às 18h. Mesmo sendo um dos melodistas e harmonizadores mais sofisticados e inventivos da música brasileira contemporânea, Guinga defende seu espaço na MPB sem arrebatar grandes públicos ou colecionar discos de ouro. Longe de ser elitista, o artista investe num público pouco numeroso, mas fiel, conquistado ao longo de seus 34 anos de carreira - sobretudo a partir dos últimos dez anos, depois que gravou Simples e Absurdo (1991), seu primeiro disco. Acompanhado de ótimos músicos - Paulo Sérgio Santos (clarinete), Lula Galvão (violão e guitarra) e Cris Delano (voz) -, Guinga interpretará novas parcerias com Aldir Blanc (seu parceiro mais freqüente), Nei Lopes e Sérgio Natureza, entre outros. Será um passeio por diversos estilos musicais brasileiros, como samba, choro-canção, baião e frevo. Há também um foxe no repertório, mas o compositor avisa: "Não é um foxe com som de Broadway, mas de Cinelândia e Avenida São João. O Custódio Mesquita, que eu admiro muito, compôs foxes lindos, e com toda a cara de Brasil". Algumas obras de álbuns anteriores também costumam ser lembradas durante os shows e, muitas vezes, nem constam no programa: "Às vezes, me dá saudades das minhas filhas e resolvo colocar no meio do show a Senhorinha, que fiz para elas", conta Guinga nesta entrevista à Agência Estado, um compositor dono de uma maneira muito pessoal de entender e fazer música. Tem um conceito por trás do show e do disco? Guinga - O conceito é a minha vida toda, é a melhor música que posso fazer, a que eu faria se estivesse no meu último dia de vida e que me ajuda a sobreviver. Não penso em conceito, mas como eu nasci e vivo no Rio de Janeiro, o repertório acaba tendo a cara da cidade. Cine Baronesa, inclusive, é um cinema que existia lá em Jacarepaguá, na minha infância. Os elogios por parte da crítica e de grandes nomes da MPB, como Chico Buarque e Aldir Blanc, são um peso para você? Os elogios melhoram minha auto-estima e, vindo de onde vêm, indicam que eu não atirei no escuro. Mas eu não me sujo de importância, não deito em elogios. Peço a Deus para ter bastante autocrítica e saber parar, se um dia não conseguir fazer música direito, para não macular minha obra. Agradeço muito a Deus porque eu tinha tudo pra dar errado, para morrer anônimo, e o destino não quis. De onde veio o tipo de música que você faz? Qua foi a maior influência? Eu sempre soube, desde garoto, que iria ser um compositor. Aos 14 anos de idade, me impus a disciplina de ouvir diariamente quatro horas de jazz e bossa nova. Mas nunca pensei em ser jazzista e não me sinto um bom compositor de bossa nova. A calma da bossa não se reflete em minha obra porque sempre fui mais incendiário, barroco, nervoso. Por ser criado no subúrbio, em Madureira, na hora de compor, a alma pedia modinha, seresta, choro... E, misturando essa música com o jazz e a bossa, dá um resultado original e progressivo. Guinga - Cine Baronesa. Teatro do Sesc-Pompéia (Rua Clélia, 93). Hoje, às 21 h, e amanhã, às 18 h. Ingresso: de R$ 6 a R$ 12.

Agencia Estado,

06 de outubro de 2001 | 13h33

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