Guinga estréia como letrista e até canta em Casa de Vila

Guinga resolveu cantar. Depois de setediscos instrumentais (com uma ou outra faixa cantada porconvidados), ele decidiu ser seu próprio intérprete, em Casa deVila, seu novo CD. "Nunca pretendi ser cantor, mas compositores quando cantam suas próprias músicas, passam mais emoção. ChicoBuarque e Tom Jobim são o melhor exemplo", explica o compositor,já gravado por grandes canários brasileiros, como Elis Regina eLeila Pinheiro. Quase todas as músicas são do ano passado, com exceçãode Porto de Araújo, dele e Paulo César Pinheiro, que tem duasdécadas, mas andava esquecida. Com Aldir Blanc (que assina TudoFora de Lugar), Pinheiro é o letrista mais constante de Guingaque, embora preze muito essas parcerias, se abriu a novas. "Temmuita gente boa fazendo música. Como gosto de ver o que osjovens produzem, conheci algumas dessas pessoas", avisa. "Paracompor não tenho preferência, tanto entrego a melodia para oletrista quanto pego o que ele escreve e crio a música em cima.O importante é que nos emocione." Entre os poetas, está Edu Kneip, violonista e compositorcomo Guinga, ainda não descoberto pelo grande público, queassina Mar de Maracanã; Mauro Aguiar, parceiro de discos enoitadas de Edu, que fez Contenta, e Thiago Amud, outrotalento que anda (ainda) pelos circuitos alternativos. A cantoraSimone Guimarães "letrou" o choro Capital, enquanto o próprioGuinga se encarregou de Maviosa, sua estréia como letrista."Nunca pensei que fosse capaz, mas um dia, voltando de umapelada perto de Xerém (distrito de Duque de Caxias, na regiãometropolitana do Rio), as palavras vieram de uma só vez", conta."Não sei se vou fazer outra letra, mas gostei desta e resolvigravar." Embora com voz pequena e timbre estranho, Guinga provoca Até porque não facilitou em nada seu desempenho. Suas melodiascontinuam intrincadas, "com dribles desconcertantes... que fazempensar em Garrincha", elogia Francis Hime. "Guinga parece quevai para um lado, depois aponta para outros, e depois para outroe mais e mais!", entusiasma-se o maestro e compositor no textodistribuído pela gravadora Biscoito Fino. Guinga também chamou instrumentistas como Carlos Malta,Lula Galvão, Paulo Aragão e Marcus Tardelli (também seu produtornesse disco) para criar arranjos que exploram, quase o tempotodo, o diálogo do violão (o dele sozinho ou junto com o de LulaGalvão) com metais. E prescinde mesmo de seu instrumento em"Jongo de Compadre", choro instrumental dele e Simone Guimarães,em que o arranjo de Paulo Sérgio Santos explora sustos esutilezas da melodia. Já a última faixa, "ComendadorAlbuquerque", tem só seu violão. Essa mistura de violões e sopros não é novidade. Guingatem tocado com o trompetista Jessé Sadock, com Paulo SérgioSantos e Lula Galvão até nos Estados Unidos, com a Filarmônicade Los Angeles. "Não gosto de contar, porque parece cabotinismo,mas foi um sucesso", conta modesto. "Esse grupo vai meacompanhar no lançamento do CD no Sesc Pompéia, nos dias 24 e 25de março e, depois, no Teatro Rival, no Rio (com Toninho Horta),na semana seguinte." Até outubro, sua agenda está dividida entre shows peloBrasil e na Europa, quase sem folga. Com isso, tem sobrado poucotempo para compor. "Sinto a maior falta. Não me considero cantor sequer instrumentista, acho que vim ao mundo para compor, maspreciso de concentração" comenta. "Nos últimos seis meses nãoparei e não fazer música me incomoda. O jeito será aprender acompor mesmo quando estiver nos quartos de hotel porque não vouparar este ano."

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.