Grupo Solistas de Paulínia toca em São Paulo nesta quarta

Apresentação gratuita acontece a partir das 21h na Sala Cultura Artística Itaim

João Marcos Coelho - O Estado de S. Paulo,

07 de dezembro de 2010 | 14h53

Concerto sinfônico era coisa rara no início do século 19. E, como não havia a reprodução fonográfica, o jeito era recorrer às reduções das obras de grande porte em casa, com alguns instrumentos de cordas e um piano. Os compositores ganhavam mais dinheiro com a venda das partituras dos arranjos do que nos concertos públicos. Por isso, tratavam delas com cuidado. Beethoven supervisionou a transcrição de Ferdinand Ries para sua Sinfonia Eroica (selo Clássicos), agora lançada em CD pelo grupo Solistas de Paulínia, formado por Pablo de León (violino), Horácio Shaffer (viola) e Roberto Ring (cello), e o pianista francês Emmanuel Strosser. Eles tocam a sinfonia em versão para piano e cordas nesta quarta, 8, no concerto de lançamento do CD na Sala Cultura Artística Itaim, às 21 horas, com entrada franca.

 

É uma viagem no tempo, como se estivéssemos na Viena das primeiras décadas do século 19. Transcrições deste tipo eram hits. Alguns fatores contribuíram para isso: a consolidação do concerto com ingresso pago para o público emergente em busca de prestígio social; e a consolidação do piano como único instrumento capaz de substituir uma orquestra.

 

Beethoven gostou deste modo de capturar novos públicos. Vivia um difícil momento ao compor a Eroica. Constatou a surdez e acolheu em casa Ferdinand Ries (1784-1838), filho de seu professor de violino em Bonn. Ries morou lá entre 1801 e 1805, foi seu aluno de piano e, para "pagar" as aulas, fez reduções de suas obras. Esta fiel transcrição circulou pela Europa e ajudou a consolidar sua fama pelo continente.

 

Revolução musical. A versão camerística perde muito do impacto do original. Mas, em compensação, põe a nu a estrutura desta notável sinfonia que tem no conceito de heroísmo seu eixo motivador. Foi esta, aliás, a palavra que Beethoven usou quando Haydn, recém-chegado ao palácio do príncipe Lobkowitz, em Viena, no dia 9 de junho de 1804, perguntou-lhe qual o tema da sinfonia, ali tocada pela primeira vez.

 

Beethoven envolvera-se com o ideário da Revolução Francesa de 1789: freqüentou a embaixada francesa em Viena em 1798 e sonhou até em mudar-se para Paris, seduzido por Napoleão Bonaparte. Mas seu ídolo autocoroou-se imperador em 12 de dezembro, apenas seis meses depois da estréia da sinfonia. Decepcionado, generalizou a dedicatória: Sinfonia Eroica - per festeggiare il sovvenire d'un grand uomo. Mas conservou a obra intacta, que reproduz em seus quatro movimentos os passos da Revolução, do genial arroubo inicial do Allegro con brio à Marcha Fúnebre celebrando os mortos; das brincadeiras pós-batalha do Scherzo Allegro Vivace à celebração da vitória no Finale Allegro Molto.

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