Grupo Pitanga em Pé de Amora lança 2º disco

'Pontes Para Si' traz influências da MPB ao jazz

Marina Vaz, O Estado de S. Paulo

08 Setembro 2014 | 19h05

São várias vozes de diferentes timbres. As composições e os arranjos são feitos de forma coletiva. E a sonoridade das canções incorpora referências brasileiras - como samba, xote, baião e marchinhas - e internacionais - como jazz e funk. No segundo álbum de sua carreira, o grupo paulistano Pitanga em Pé de Amora se mostra cada vez mais múltiplo. E criativo. Pontes Para Si já está disponível para download gratuito (pelo site www.pitangaempedeamora.com.br), mas será lançado oficialmente em show neste sábado, no Auditório Ibirapuera.

A banda, que existe desde 2008, é formada por Angelo Ursini (saxofone, clarinete e flauta), Daniel Altman (violão 7 cordas), Diego Casas (violão), Flora Poppovic (percussão) e Gabriel Setubal (trompete e guitarra). Os cinco integrantes emprestam suas vozes às canções, seja em interpretações individuais, seja em duetos ou em coros - algo que marca presença em várias faixas, e dá força a elas.

No primeiro CD - que leva o nome do grupo e foi lançado em 2011, também de forma independente - predominam canções de amor e uma atmosfera leve e ingênua. Em Pontes Para Si, produzido por Swami Jr., o clima se mantém, mas divide espaço com melodias e temas mais urbanos. É o caso de Insônia ("Baldes de café, cigarro, distração/ Papéis no chão, nenhuma inspiração/ Lá fora os prédios vão me sufocar”) e de Baião do Fela, cujo título faz referência ao pioneiro do afrobeat Fela Kuti ("A cidade mastiga, engole e me cospe na escuridão").

Entre as canções mais sensíveis e delicadas do álbum, está Ceará, em que Flora faz com Mônica Salmaso um belíssimo dueto. As duas se alternam em versos como "Eu parto desse chão/ Que é parte do que eu fui/ E é parte do que eu sou/ É que a partir daqui/ A vida vai ter que melhorar".

Assim como o trabalho de estreia, o encarte do novo CD é assinado pelo artista plástico Deco Farkas. A seguir, você lê trechos do encontro do grupo - e suas várias vozes - com o Estado.

Como se dá o processo criativo coletivo de vocês, considerando que a arte parte, em geral, de visões bem pessoais?

Diego: Até hoje, o que rola é cada um deles (Angelo, Daniel e Gabriel) fazer uma música sozinho; e eu colocar sozinho todas as letras. Depois, as composições ganham arranjos coletivos, passam pelo crivo, pelo gosto e pelas influências de todo mundo.

Flora: Neste disco, a gente discutiu bastante os arranjos de sopro, e as referências que queria em cada música. 

Gabriel: Sempre tem um momento pessoal de criação. Daí, a gente traz esse material para a roda e vai alterando. 

E como é ter um único compositor de letras para dar voz a todas as criações do grupo?

Flora: Tem a vantagem da amizade, de o Diego saber o que está rolando nas nossas vidas.

Diego: Tem isso. Mas, principalmente, quando a música é boa, ela reflete algum sentimento interno. É sempre um lance de lapidação. O desafio é sacar qual é esse sentimento, achar o que está por trás dela.

Angelo: Isto é algo recorrente - quando o Diego fala o que enxergou numa música, às vezes até a gente, como compositor, se surpreende; percebe que era aquele caminho mesmo.

Pensando nas mudanças que passaram, como artistas e como grupo, o que acham do Pontes Para Si em relação ao primeiro álbum de vocês?

Daniel: A gente foi crescendo - de idade, de experiência. Nossos dois discos são independentes, e, nesses casos, você depende mais do reconhecimento dos pares. Há quatro anos, se me falassem que este disco teria participações como a da Mônica Salmaso, falaria que não era possível. Acho que o Pontes Para Si é um CD que vem pra pontuar o que a gente é. É um disco jovem - mas de jovens que bebem em fontes como Tom, Noel, Guinga...

Gabriel: A gente bebe dessas e de muitas outras fontes, na verdade. E, neste segundo CD, isso foi amplificado, porque gravamos com uma banda maior, as músicas são bem diferentes umas das outras. No primeiro, éramos praticamente nós cinco tocando. Agora, entraram vários outros músicos. Ficou um disco de um colorido mais contrastante.

Diego: E acho que os dois discos são diferentes justamente porque refletem uma liberdade. Às vezes, artistas independentes se moldam a certo padrão, fazem uma autocensura.

Além da cantora Mônica Salmaso, o CD tem participação especial de outros sete músicos e também do grupo Batuntã.

Diego: Desde o primeiro disco, a gente tinha vontade de realizar essa música que precisa de mais gente, com outros instrumentos - e com mais peso, com mais base, sustentação.

A música Marchinha, que diz “O cara é mais perdido que pitanga em pé de amora”, inspirou o próprio nome da banda. Mas ficou de fora do primeiro álbum. Por que gravá-la agora?

Diego: A gente sempre a tocou em shows, até que, em um deles, fizemos esse arranjo, que acabamos gravando no CD.

Um arranjo que mistura marchinha com jazz, música árabe e até funk carioca...

Angelo: O potencial que a gente estava trabalhando no disco - com baixo, bateria, sopros - abriu caminho para gravá-la. E a primeira vez que a gente a tocou ao vivo com esse arranjo foi um momento especial.

E como será o show de lançamento, neste sábado?

Diego: Todas as participações do disco estarão lá, menos a Mônica Salmaso e o Teco Cardoso, que já tinham shows marcados. Agora, o Swami Jr., que não toca no disco, vai tocar no show. Vai ser algo exclusivo, pois é difícil reunir tantos convidados.

Flora: E vai ter pinceladas de músicas do primeiro disco.

PITANGA EM PÉ DE AMORA

Auditório Ibirapuera. Av. Pedro Álvares Cabral, s/nº, Parque do Ibirapuera, portão 3, 3629-1075. Sáb., 21 h. R$ 20. 

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