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Meninos de Minas
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Grupo Meninos de Minas celebra 21 anos reforçando a tradição do congado

Expressão afro-brasileira calcada na percussão é a espinha dorsal do conjunto, que já teve mais de 3,5 mil alunos e fez 11 turnês internacionais

Guilherme Sobota, O Estado de S. Paulo

22 de dezembro de 2020 | 16h09

O grupo de tamborzeiros Meninos de Minas completou 21 anos em 2020, e para completar a maioridade, o conjunto, parceiro do mestre Mauricio Tizumba e que já tocou com Milton Nascimento, Naná Vasconcellos e outros grandes nomes da música brasileira, preparou uma série de ações para celebrar o aniversário. Em 2021, um livro e um documentário fecham o ciclo, que este ano já teve diversas lives, oficinas online, lançamentos de canções e produção e finalização de discos.

Misturando a tradição do congado com a “garra, alegria e novidade dos meninos novos”, o grupo tem um histórico de respeitar as raízes mantendo as antenas ativas, conectado com o que está acontecendo no mundo. Em outubro, o grupo participou do Festival IMuNe 2020, com Djonga, e dividindo o line-up com Elza Soares, Flávio Renegado e outros nomes.

O grupo teve de adaptar o aniversário de maioridade ao contexto da pandemia, portanto toda a programação anunciada é virtual, transmitida no Youtube.

Ao longo dos 21 anos, foram mais de 3,5 mil alunos nas oficinas, a grande maioria de jovens entre 7 e 17 anos do interior de Minas Gerais - o grupo é sediado em Itabira, mas estende sua atuação por diversas outras cidades. O produtor cultural e fundador do Meninos de Minas, Cleber Camargo, fala com orgulho. “Na juventude, no início, a maioria tinha vergonha do congado, das manifestações afro-mineiras. Fomos de escola em escola, divulgando inscrições, e eles iam, sem saber o que encontrar. Quando viam que podiam participar e se tornar protagonistas da própria história, embarcaram na nossa história. É uma oportunidade de se empoderar, então eles mesmos passaram a defender, preservar e difundir.”

Ele reconhece também o importante papel que Mauricio Tizumba teve no resgate do congado. “Tizumba é o grande mestre do tambor mineiro, é um ícone. Ele é tão diferenciado que até parece uma entidade, de tão forte. Então contagia. O congado estava morrendo. Não tinha antigamente. Hoje há um respeito, espetáculos diversos. Nós fizemos nos 50 anos da UNB com orquestra, mais de 200 pessoas tocando.”

Ele esclarece que todos são bem-vindos a se juntar ao grupo. “Sempre tivemos meninos de todos os bairros, centro, periferia, limites do município.” A meta, segundo o fundador, nunca foi formar músicos, mas sim cidadãos. “Não consigo dissociar uma coisa da outra. Não é meio artista, meio cidadão. De coisa ruim o mundo já está lotado. O ser humano precisa de oportunidade. A gente vai como projeto sociocultural, mas volta com artista.”

Projetos

Em fevereiro de 2021, três projetos dão forma às celebrações de aniversário. O livro Nós Aos 21, também disponível em e-book, e o documentário de mesmo título, dirigido por Simão Kursseldorff, serão lançados, além do álbum Eh, Minas, com oito faixas, o terceiro da discografia do grupo.

Antes disso, o grupo já fez uma live no dia 26 de outubro, data redonda dos 21 anos de existência e abriu 320 vagas gratuitas nas oficinas online. 

Também estão previstos encontros do ciclo de debates Tambor de Prosa às quintas-feiras, até 4 de fevereiro, e outras dez apresentações dos espetáculos "Meninos de Minas Convida" e "Live dos Meninos" às sextas-feiras, até o dia 29 de janeiro, tudo no canal do Youtube do grupo.

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