Grupo de hip hop Mzuri Sana se inspira em Machado de Assis

O rap se alimenta da realidade das periferias das grandes cidades misturada com uma batida marcante e um discurso forte e permeado de rimas. Mas um trio paulistano foi buscar outro elemento aparentemente estranho ao hip hop para fazer seu disco: a literatura de Machado de Assis (1839-1908).Basta ouvir a primeira faixa do CD Ópera Oblíqua (Trama), que o grupo Mzuri Sana lança semana que vem no Sesc Pompéia para perceber que há algo diferente. Já na abertura, eles citam o famoso trecho de Dom Casmurro em que o personagem Marcolini, um velho tenor italiano, compara a vida a uma ópera.?Escolhemos este trecho porque tem muito a ver com a vida dos jovem. Marcolini explica que o universo é todo torto, que não podemos ter controle sobre o que acontece com a gente?, diz o rapper Parteum, que desde 1998 integra o Mzuri Sana junto com MC Secreto e o DJ Suissac. Mas essas referências tão eruditas não devem ser entendidas como pedantismo por parte dos rappers. ? A alta sociedade tem a mania de querer se apropriar de tudo o que é bom. Machado era descendente de escravos, funcionário público: tem muito mais a ver com o universo do hip hop do que com as mansões?, dispara Parteum.Assim como Machado, que em sua obra fez um retrato da sociedade carioca do século 19, o Mzuri Sana usa suas rimas para falar do cotidiano das grandes cidades. Suas influências não param aí. Passam por jazz, filmes, documentários e cultura negra:o nome do grupo significa ?muito bom? no dialeto africano Swahili. Mzuri Sana. Lançamento oficial do CD Ópera Oblíqua. Choperia do Sesc Pompéia. Rua Clélia, 93, 3871-7700 . Dia 30 de março, a partir das 21h. Ingressos de R$ 3 a R$ 10

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