Gravando a 'Máquina Jorge'

Paulinho Tapajós é o homem por trás do clássico álbum A Tábua de Esmeralda, de Jorge Ben, que será relançado amanhã pela Discoteca Estadão. Aqui, ele abre os segredos de Jorge.

Roberto Nascimento,

11 de dezembro de 2010 | 03h41

Com o foi o processo de gravação de A Tábua de Esmeralda?

Trabalhávamos em conjunto. O Jorge dava algumas opiniões e sugestões, mas o trabalho mesmo ficava a meu cargo. Em termos de sonoridade, o Jorge era um cara diferenciado para se trabalhar. Primeiro porque ele tinha aquela pegada de violão que era só dele. Segundo porque o tipo de música também era único. O interessante era personalizar o máximo.

E como fazia isso?

Eu gravava ele sozinho primeiro. Ele ia com um tamanco alto para marcar o tempo. Eu microfonava o violão todo para captar bem a pegada, aquela percussão de palheta inconfundível. Mas com ele, o todo era o mais importante. A máquina Jorge. Era um músico integrado. O violão, a voz e a marcação do tempo funcionavam como uma coisa só. Então eu microfonava assim para poder colocá-lo no centro do disco. Isso criou uma sonoridade que até hoje a garotada tenta imitar.

E os arranjos?

Quando tinha arranjo de cordas, eu pedia para os maestros escreverem sempre nas pontas, sempre usando somente os agudos ou os graves, como fizemos em Os Alquimistas Estão Chegando. Isso para deixar aquele médio dele intacto para ele poder reinar sozinho naquela frequência do centro do disco. Esse era o segredo do Jorge. Todo mundo, até o Caetano, me pedia para fazer igual, mas era impossível fazer isso com outra pessoa.

Como funcionava a ‘cozinha’ (baixo e bateria)?

A percussão era feita por um time da gravadora que apelidamos de "Cream Crackers". Era o Zezinho, o Bezerra da Silva, o Mestre Marçal. O Jorge era a peça central, mas o surdo, o baixo, a bateria e o pé dele vazavam nos microfones e eram somados para formar aquela pulsação forte que bate direto dentro do coração da gente.

 

 

 

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