Ivone Bueno/Acervo Estadão - 16/11/1988
Ivone Bueno/Acervo Estadão - 16/11/1988

Gravadora Revivendo, de Leon Barg, teve destaque nos anos 1980 e 90

Empresa comercializava LPs e CDs feitos a partir das gravações originais das canções da primeira metade do século; parte do acervo do colecionador foi adquirido pelo Instituto Moreira Salles

Guilherme Sobota, O Estado de S. Paulo

28 de julho de 2019 | 03h00

“Leon Barg, o caçador de insucessos” – essa era a manchete do Caderno 2 do dia 16 de novembro de 1988, noticiando o 16.º lançamento da gravadora Revivendo. A empresa criada por Leon Barg em Curitiba no ano anterior pretendia soprar vida no seu rico acervo de música brasileira em 78 rotações, e lançar as canções em formatos mais atuais: primeiro o LP, depois o CD. Na ocasião, cinco discos eram lançados, entre eles Dalva de Oliveira com Roberto Inglez e sua Orquestra, Emilinha Borba, e gravações inéditas em LP de Sônia Carvalho, Mário Reis e Helena Pinto de Carvalho.

“A música brasileira sempre machucou meu coração”, disse Leon Barg ao jornalista Luís Antônio Giron. Desde o momento de criação da gravadora a intenção era, segundo Barg, preservar e divulgar autores e cantores pouco conhecidos do público brasileira, da música do passado. A mesma intenção se mantém nas irmãs Lais e Lilian Barg, que trabalharam com Leon em vida, e agora cuidam da transferência de uma parte do acervo para o Instituto Moreira Salles.

Nascido no Rio em 1930, Barg se mudou ainda criança para o Recife, onde foi enfeitiçado pela voz de Francisco Alves no rádio. O mosquito da música o picou, e a coleção de discos foi algo que o acompanhou a vida toda. Representante comercial, numa de suas viagens conheceu a esposa Eva, em Curitiba, para onde se mudou em 1954. Lá, adquiriu uma tradicional loja de música e no fim dos anos 1980 criou a Revivendo, trabalhos que manteve até o fim da vida em 2009 – ele morreu no mesmo Rio de Janeiro onde nasceu, em uma de suas viagens em busca de discos. A gravadora colocou no mercado mais de 70 LPs e 250 CDs, recuperando digitalmente uma parcela do acervo, e também editou dois livros: Francisco Alves – As Mil Canções do Rei da Voz (1998), de Abel Cardoso Junior, e mais recentemente, o Livro de Partituras: Carnaval (2015), organizado por Lilian a partir da coleção do pai.

Após a morte de Leon, as filhas iniciaram um esforço de preservação que agora culmina na transferência do acervo – houve especulações para distribuir as músicas comercialmente em meio digital, mas o custo financeiro foi um empecilho. Atualmente, a Revivendo atua no mercado de discos usados e ainda comercializa CDs do catálogo.

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