Gravadora lança 13 raridades dos mestres de jazz em CD

Entre 1996 e 1999, o selo Drive Archive recuperou para o CD gravações antigas de mestres do jazz do blues e do rhytm´n´blues, remasterizando obras que pareciam perdidas sob as ranhuras dos discos originais. Obras de astros como o flautista e saxofonista Herbie Mann, o cantor Cab Calloway, os bandleaders Duke Ellington e Count Basie, a cantora Sarah Vaughan, os trompetistas Louis Armstrong e Harry James, o guitarrista John Lee Hooker, o baterista Gene Krupa, entre outros. Agora, por meio do selo brasileiro Trama, esses discos começam a desembarcar no Brasil. O primeiro lote traz várias preciosidades. Uma das maiores é o disco Everything I Have Is Yours, da cantora Sarah Vaughan (1924-1990), gravado entre 1945 e 1947, que traz no encarte notas de Scott Yanow. Todas as 12 faixas - o que inclui uma versão embasbacante de September Song, gravada com o Teddy Wilson Quartet - foram remasterizadas digitalmente.Esse disco precede os chamados Anos da Columbia (entre 1949 e 1953) e mostra miss Vaughan se fazendo acompanhar, entre outros, por Dizzy Gillespie e Charlie Parker em Lover Man (canção de Ramirez/Davis/Sherman), além da orquestra de Ted Dale, mais o saxofonista e clarinetista Al Gibson, o pianista Jimmy Jones, o guitarrista Remo Palmieri e outras feras.Da mesma época, 1947, aparece Struttin´, uma gravação raríssima de Louis Armstrong com os All Stars do clarinetista Edmond Hall - além de Hall, o grupo tem o tromponista Henderson Chambers, o pianista Ellis Larkins, o baixista Johnny Williams e o também trompetista Irving Mousie Randolph. É um trabalho de exceção, equilibrado entre os concertos de Satchmo com suas big bands e com os próprios All Stars (recrutados após o célebre concerto do Town Hall de Nova York).Louis "Satchmo" Armstrong abre esse disco com uma versão matadora de Dippermouth Blues e, em 12 caixas, no que foi uma histórica jam session no Carnegie Hall, em fevereiro de 1947, ele mostra porque seu nome perpassa toda a história do jazz como um clássico. Há algumas distorções na gravação que não foram resolvidas na remasterização, como na faixa Mahogany Hall Stomp, mas não se pode ganhar todas.Outra gravação antológica recuperada no pacote é Cruisin´ with Cab, com o cantor Cab Calloway (1907-1994) e sua orquestra. Não é o mesmo Cruisin´ with Cab da Topaz, de 1943. Este aqui tem duas fases (as caixas de 1 a 6 foram gravadas em 1940 e as seguintes em 1945) e foi gravado com uma big band de 26 músicos, com Dizzy Gillespie e Mario Bauza à frente dos trompetistas. Calloway foi um dos maiores cantores de jazz da história, desde que se aventurou a cantar nos anos 30 com a antológica banda The Missourians.E tem a maravilha que é o disco At the Royal Roost 1948, gravado pela Count Basie Orchestra em 11 de setembro de 1948, em Nova York. O pianista e bandleader William "Count" Basie tornou-se líder da banda de Bennie Moten em Kansas City quando Moten morreu, em 1935, e imprimiu uma nova pegada à Era do Swing - quando a cena East Coast era dominada por Ellington, Lunceford e Henderson.Não foram anos fáceis para Count Basie. Ele tinha assinado um contrato com a RCA Victor em 1947 e produziu alguns discos malvistos pela crítica, como Basie´s Basement. Mas o fato é que aqui, com um time de convidados especialíssimos, ele driblou aquela "má fase": as cantoras Dinah Washington e Anita O´Day, o cantor Jimmy Rushing e uma banda espantosa, que inclui o lendário trompetista Clark Terry.O suave piano de Basie emoldura interpretações belíssimas de Dinah Washington para Evil Gal Blues (de Leonard Feather) e Am I Asking too much (Miller/Whitman). Anita O´Day aparece com a scats lépidos em Malaguena (de E. Lecuons, construída somente sobre scats) e a suave balada How High the Moon (Hamilton/Lewis).Alguns dos discos do pacote, como Let me off Uptown, do baterista Gene Krupa (1909-1973), precisaram passar (antes da remasterização) por um processo de restauração. Krupa, que começou a carreira nos anos 30, foi um homem-show do jazz, com festejados dotes histriônicos e uma incalculável contribuição para a seção rítmica do jazz neste século. "Eu tornei o baterista um cara de cotação alta", disse Krupa, nada modesto.Let me off Uptown foi gravado em Hollywood, entre 5, 8 e 12 de abril de 1949. Krupa tinha dois percussionistas em sua orquestra de 20 integrantes. A primeira faixa, Disc Jockey Jump, no dia em que for descoberta pelo pessoal do drum´n´bass vai se tornar muito sampleada. Estão ali também algumas das incursões de Krupa pela batida étnica, que abriu caminho no futuro para bateristas como Max Roach, Elvin Jones, Andrew Cyrille e Milford Graves.Do saxofonista (e também cantor) Coleman Hawkins está sendo relançado Cool Groove, gravado em Nova York em maio de 1955. Muita bossa em canções como I´ll never Be the Same e The Breeze and I. Mas também uns climas dark, como em What´s New, marcada por um órgão dedilhado nervosamente por Joe "Earl" Knight - a mais bela faixa. Na banda, nomes como Ernie Royal (trompete), Sidney Gross (guitarra) e Osie Johnson (bateria).Dizzy Atmosphere traz uma série de gravações feitas por Dizzy Gillespie e grupo entre fevereiro de 1945 e novembro de 1946, com uma banda all stars à toda prova: Charlie Parker, Dexter Gordon e Sonny Slit nos saxofones, mais Milt Jackson no vibrafone, John Lewis ao piano, Ray Brown no baixo, Kenny Clark na bateria, entre outros. A cantora Alicia Roberts participa de duas faixas e o próprio Gillespie, fazendo-se acompanhar de Gil Fuller, canta Oop Bop Sh´Bam, canção do próprio.Isso não é tudo que se pode dizer a respeito, mas é o suficiente para despertar a curiosidade do jazzista. Serviço - Drive Archive Collection. CDs de Count Basie, Sarah Vaughan, Dizzy Gillespie e outros. Trama. Preço médio de cada CD: R$ 18,00

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