WILTON JUNIOR/ESTADÃO
WILTON JUNIOR/ESTADÃO

Shows de Sam Smith, Rihanna e Elton John salvam o balanço do Rock in Rio 2015

Diferente de 2011 e 2013, nesta "era moderna" do evento, alguns alertas foram acionados e é aconselhável renovar alguns conceitos

Pedro Antunes , O Estado de S. Paulo

28 de setembro de 2015 | 01h00

ENVIADO ESPECIAL / RIO - 1985, 1991, 2001, 2011, 2013 e 2015. Se havia alguém que não acreditasse no sonho de Roberto Medina, criador do festival, as três décadas passadas a limpo com o fim da sexta edição, neste último domingo, 27, colocam uma nova perspectiva na ideia de se criar um conceito no qual a música é apenas uma das atrações, mas não a headliner. 

É impossível dizer que a edição deste ano tenha sido um fracasso. Ingressos se esgotaram com antecedência, embora com uma demora em relação à edição anterior, e viu-se a Cidade do Rock, arena montada em Jacarepaguá desde o retorno do evento às terras tupiniquins, em 2011, com movimentação intensa. O único dia fácil de caminhar por lá foi a sexta-feira, 25, em dia encerrado por Slipknot e Faith No More. 

O ano de 2015, contudo, tira o Rock in Rio do pedestal de imbatível. Diferentemente de 2011 e 2013, nesta “era moderna” do evento, algumas sirenes de alerta foram acionadas e é aconselhável a Medina renovar alguns dos conceitos para sustentar o posto de maior evento de música realizado no País. 

Neste ano, foram 595 mil ingressos vendidos para a Cidade do Rock. Número de bilhetes não significa lotação de arena, como o ato de caminhar pelo espaço nestes sete dias de shows foram capazes de provar. A justificativa da organização para o esvaziamento na noite do Slipknot, por exemplo, culpou convidados de patrocinadores que ganharam as entradas, mas não compareceram. 

Foi a prova de que nem mesmo o metal está livre da rejeição. Justamente o gênero considerado a cartada certeira de Medina: era a garantia de público vibrante sempre, enquanto as noites embaladas pelo pop poderiam se confundir com uma ida ao shopping center. 

Dias nos quais o rock foi a estrela costumam inverter a lógica do festival de que “a música não é o mais importante, a experiência sim”. O fã da guitarra prefere estar mais próximo do palco, é mais participativo e reage a grupos que talvez sequer conheça – ótimos shows de “ilustres desconhecidos” como Halestorm e Royal Blood são exemplos disso. 

Reunir um punhado de bandas de heavy metal que não dialogam entre si, contudo, pode não ser uma boa ideia – foi erro do 5º dia. Era fácil chegar perto do palco de onde Mike Patton, vocalista do Faith No More, tentou saltar para os braços do público, mas acabou estatelado no fosso – e prejudicou o restante da performance do grupo. A queda de Patton, melancólica, é a representação do fiasco daquela noite. 

Ainda assim, o festival ainda tem motivos para comemorar. E deve, principalmente, agradecer ao gênero que não está no seu nome, mas acabou como o responsável pelos melhores e mais animados momentos musicais da maratona de sete noites, realizada nos dias 18, 19, 20, 24, 25, 26 e 27. 

De veteranos como Elton John e Rod Stewart ao novatos, como o caso brilhante de Sam Smith, o pop trouxe nova vida à Cidade do Rock. Aí, sim, a tal experiência além da música propagada por Medina fez sentido.

Era desfile de roupas de marca, óculos escuros e uma artilharia pesada das ações de marketing de empresas parceiras do festival, que patrocinavam desde a tirolesa a espaços para carregar as baterias dos smartphones. Brindes distribuídos aos montes. Pulseiras brilhantes, bastões infláveis, entre outras quinquilharias. 

Tudo coloriu e gourmetizou (excessivamente?) a arena, mas não foi capaz de estragar as questões musicais. Pop de qualidade apareceu por aqui. Smith, vencedor de quatro gramofones do Grammy, era talvez o alvo de maior curiosidade. Apenas um disco lançado, toneladas de elogios e uma cirurgia recentemente realizada na garganta. Cantou com o coração – ou o que sobrou dele –, e conquistou um público eclético a ponto de curtir os embalos do inglês e, logo depois, a pista de dança promovida por Rihanna. 

O esquema para chegar e sair da Cidade do Rock também se adequou às questões de tráfego difícil do local. O transporte usado com os ônibus da linha BRT, partindo diretamente do Terminal Alvorada, apresentou problema apenas no primeiro dia, com a falta de sinalização e afunilamento de público. Nos dias seguintes, não foram registrados maiores problemas. 

O Rock in Rio nunca foi só rock, mas o gênero tinha seu peso. Com ênfase na experiência de estar ali dentro, edição que comemora 30 anos provou a força agora vital do “rival” pop.

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