Michael Probst/AP
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Grandes empresas do mundo investem em orquestras corporativas

Experiência que já é seguida por fabricantes de automóveis como Daimler, BMW e Ford tem resultados no rendimento de seus funcionário

AP

24 Dezembro 2017 | 15h22

FRANKFURT - Será que a união para executar sinfonias de Beethoven pode ajudar os funcionários a se agregarem também em projetos no trabalho? Algumas empresas - principalmente na Alemanha e na Ásia - parecem acreditar que sim.

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Um número notável de grandes nomes corporativos alemães, juntamente com vários no Japão e na Coreia, tem uma orquestra sinfônica própria, ligada à empresa. Isso significa 60 ou mais contadores, engenheiros, representantes de vendas e especialistas em informática que trazem violões, violoncelos, oboés e trombones e se reúnem no tempo livre para ensaiar e tocar longas e complexas peças de música clássica.

As orquestras servem como ferramentas de relações públicas, tocando em concertos de caridade e animando eventos corporativos. Mas há mais do que isso.

É difícil de quantificar, mas os músicos engenheiros e contadores - e alguns especialistas no mundo empresarial - argumentam que uma orquestra sinfônica é um excelente modelo para o trabalho criativo em grupo nas empresas que precisam competir. “Não há atividade no mundo na qual você precise interagir tão rapidamente um com o outro e trabalhar junto tão bem como em uma orquestra!”, diz Johanna Weitkamp, regente da sinfônica na empresa de software SAP. “É preciso ouvir a outra pessoa, até o centésimo de segundo, responder, passar a bola a outro - é um excelente exemplo de cooperação”.

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Outras empresas com orquestras formadas por funcionários incluem a firma de engenharia Siemens, fabricante de trens e scanners médicos; as fabricantes de automóveis Daimler, BMW e Ford; a produtora de componentes automotivos e eletrônicos, Robert Bosch GmbH; a companhia aérea Lufthansa e empresa química BASF.

Em um ensaio recente, Weitkamp e os músicos da SAP lotaram o cavernoso auditório de Rosengarten, de 2.300 lugares, na cidade de Mannheim, no sudoeste da Alemanha, com um rico e quente som de cordas, executando primeiro uma animada mistura pop da Sinfonia de Praga, de Mozart, e Rock Me Amadeus, de Falco. “Então, os instrumentos de sopro soaram em alto volume a animação da música temática de John Williams para os Jogos Olímpicos, enquanto a orquestra se preparava para participar de uma cerimônia de graduação na faculdade local.

A maioria das orquestras parece ter começado de baixo para cima, a partir de iniciativas de funcionários. A orquestra SAP começou depois que a Weitkamp se juntou à empresa em 1997 e notou que havia muitos músicos amadores habilidosos entre seus colegas. “Perguntei se alguém queria se unir a nós”, disse ela.

A própria Weitkamp não é uma mera amadora; ela estudou regência na Universidade de Música e Teatro em Leipzig, na sua nativa Alemanha Oriental. Os professores incluíam o renomado maestro Kurt Masur, futuro diretor musical da Filarmônica de Nova York. Mas depois da queda do Muro de Berlim, obteve outro diploma, desta vez em tecnologia da informação, e passou para o campo da computação. / TRADUÇÃO DE CLAUDIA BOZZO

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