Grandes centros recebem música contemporânea brasileira

O percussionista Joaquim Abreu encomendou peças aos principais compositores brasileiros de música contemporânea em fevereiro deste ano. Convidou para participar do projeto, que batizou de Percussão e Invenção, L.C Csekö, o novato Alexandre Shubert, Eduardo Guimarães Alvares, Flo Menezes e Paulo C. Chagas, que, sem delongas, aceitaram o desafio. Nesta quarta-feira, no Espaço Cultural Sérgio Porto, no Rio de Janeiro, e sábado, no Museu Brasileiro de Escultura (MuBe), em São Paulo, Abreu e o clarinetista Paulo Passos apresentam as inéditas composições. Eles esperam mostrar a grandiosidade da música contemporânea produzida no País neste final de século.Das peças encomendadas no primeiro trimestre, apenas Colores, de Flo Menezes não será apresentada nos concertos desta semana. A peça, em tom de rèquiem, fica para o ano que vem. As outras todas, Vermelho Escuro, de L. C. Csenkö, Cidade das Pedras, de Alexandre Shubert, Noctívolos, de Eduardo Guimarães Alvares e Esferas I, de Paulo C. Chagas, estão no repertório. De Menezes, Abreu e Passos apresentam Transformantes 4, ainda inédita no Brasil. "Tirando Shubert, iniciante, a quem estamos dando força, os outros compositores são a nata do meio musical brasileiro. Compositores que adquiriram linguagem própria após pesquisa de muitos anos. Que construíram um nome e uma obra", afirma Abreu. Brasil afora - Após as apresentações no Rio e em São Paulo, o Percussão e Invenção, que conta com apoio do Itaú Cultural, da Rio Arte - Prefeitura do Rio, do MuBe e do Sesc, segue, em novembro, para o Nordeste, Centro-Oeste e Norte do País. Serão mais de 30 apresentações dentro do projeto Sonora Brasil, que visa divulgar a música contemporânea em palcos nacionais. "Trata-se de um projeto que tem como intuito descentralizar a música de câmara. Levar a música nova para os mais diferentes lugares.", explica Abreu. "Não conheço outro no País que tenha tanta importância e os mesmos objetivos", complementa. A estréia do projeto ocorreu em abril. Nessa época, Abreu, integrante do Duo Diálogos, representativo duo de percussão que existe há 11 anos, e Paulo Passos tocaram peças contemporâneas brasileiras e puderam sentir a reação do público erudito, geralmente avesso aos experimentalismos da música contemporânea. Em agosto, desta vez sem a presença de Passos, mas com a de Flo Menezes e do pianista Paulo Álvares, Joaquim participou da primeira inserção de música eletroacústica na Sala São Paulo, reduto da Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo (Osesp). Para o percussionista, o que importa no Percussão e Invenção é dar início a um interesse por projetos que unam intérpretes e criadores de uma música que é considerada não comercial, por muitas vezes, tachada de agressiva. "Nosso público, o brasileiro, em particular o do interior do País, é muito aberto a toda proposta musical, até porque desconhecem o que está sendo apresentado", diz. "Essa é a riqueza que a gente tem que explorar. Ao contrário do que a mídia e os academicistas dizem, há espaço para todo mundo. Nos agrada muito o fato de que houve um interesse de difundir esse trabalho para todo o País", finaliza.

Agencia Estado,

17 de outubro de 2000 | 23h17

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