Karsten Moran/The New York Times
Karsten Moran/The New York Times

Grandes atrações e novo maestro da Osesp devem ser destaque em 2019

Na Osesp, o ano será de expectativas, tanto pela renovação do contrato de gestão com o governo do Estado quanto pelo anúncio do nome do novo regente

João Luiz Sampaio ESPECIAL PARA O ESTADO, O Estado de S.Paulo

26 Dezembro 2018 | 03h00

Um novo maestro e diretor musical para a Osesp, os entraves burocráticos no Teatro Municipal de São Paulo e a presença de grandes estrelas nacionais e internacionais devem pautar a programação da música clássica em São Paulo em 2019.

A ópera é ainda a grande incógnita. Os desentendimentos entre a Secretaria Municipal de Cultura e o Instituto Odeon devem levar à sua saída da gestão do Teatro Municipal de São Paulo – mas a suspensão do edital de chamamento para novas entidades torna incerta a programação para 2019, que já estava pronta mas não foi anunciada.

A programação lírica do Teatro São Pedro só deve ser anunciada em fevereiro, “quando já teremos tido a oportunidade de conversar com a nova equipe que assumirá a gestão da secretaria no início do ano”, segundo Paulo Zuben, diretor artístico pedagógico da Santa Marcelina Cultura. “De qualquer maneira, continuaremos investindo no repertório dos séculos 20 e 21, e nos períodos barroco e clássico.” Serão quatro produções, incluindo a estreia mundial de uma obra encomendada pelo teatro.

Na Osesp, o ano será de expectativas, tanto pela renovação do contrato de gestão com o governo do Estado quanto pelo anúncio do nome do novo regente. O segredo sobre o substituto de Marin Alsop ainda é guardado a sete chaves e o nome só será anunciado após o início da temporada, em março, mas nos bastidores o nome do maestro inglês Alexander Shelley parece ter ganhado força no comitê de busca.

A programação da Fundação Osesp foi batizada de Futuros do Passado e a temporada terá algumas datas a serem celebradas, como os 20 anos da Sala São Paulo e os 50 anos do Festival de Inverno de Campos de Jordão. A agenda é pautada pelo trabalho com alguns artistas importantes, que passarão mais de uma semana com o grupo, atuando tanto com a orquestra como em séries de câmara: o violoncelista Pieter Wispelwey, os pianistas Kirill Gerstein, Jean-Louis Steuerman, o clarinetista Michael Collins, o oboísta, maestro e compositor Heinz Holliger, o violinista Thomas Zehetmair e o barítono Paulo Szot, que será o artista em residência. A orquestra também lança, em dezembro, um projeto mundial dedicado à Nona sinfonia de Beethoven, inaugurando as celebrações pelos 250 anos do compositor, em 2020.

A Cultura Artística retoma em 2019 o seu modelo tradicional de assinaturas, com dois concertos por atração. São, ao todo, dez, em um cardápio variado. O ano começa com um duo formado pelo violoncelista Antonio Meneses e o pianista Cristian Budu e segue com a Sinfônica de Antuérpia, a Sinfônica de Pequim, o duo de piano formado por Alessio Bax e Lucille Chung, a Orquestra de Câmara da Irlanda (com o maestro e compositor Jörg Widmann), o pianista Alexandre Tharaud, o Quarteto Ebène, a Sinfônica de Montreal (com Kent Nagano), a mezzo-soprano Joyce DiDonato e o pianista Nelson Freire, que comemora 75 anos de vida e 70 de carreira em 2019. 

A Cultura Artística também mantém em 2019 sua série de violão no MuBE, com a presença de Zoran Dukic, Sharon Isbin, Aniello Desiderio, do Duo Assad e de Thibaut Garcia. Já o Mozarteum Brasileiro seguirá dividindo sua agenda entre São Paulo e Trancoso, tendo como destaque a mezzo Elina Garanca (leia mais abaixo).

Outra grande estrela internacional na temporada do ano será o maestro John Eliot Gardiner e de dois grupos criados por ele – The English Baroque Soloists e o Monteverdi Choir. Eles integram a série internacional da Tucca, que tem ainda o pianista britânico Paul Lewis, que vai se apresentar com os músicos do Festival Ilumina, que começa no dia 2 de janeiro sob direção da violista Jennifer Stumm. Também estará em São Paulo a Orquestra Filarmônica Jovem de Boston.

Pronta, temporada do Municipal não deve ser anunciada

Montada pelo Instituto Odeon, a temporada de óperas do Teatro Municipal de São Paulo incluiria quatro títulos. Turandot, de Puccini, estreada por André Heller-Lopes em novembro, seria repetida ao lado de novas produções de O Barbeiro de Sevilha, de Rossini (com direção de Cleber Papa, já em fevereiro), e de Rigoletto, de Verdi, com direção de Jorge Takla, em parceria com o Teatro Colón de Buenos Aires. O outro título seria uma encomenda feita pelo Municipal, a primeira em décadas: Navalha na Carne, de Leonardo Martinelli, baseada na peça de Plínio Marcos, que já contava com a autorização da família do dramaturgo.

A direção seria de Caetano Vilela e no elenco estaria o barítono brasileiro Paulo Szot. Não há previsão para o anúncio da temporada. A Secretaria Municipal de Cultura pediu o fim do contrato com o Instituto Odeon, que questiona os motivos da decisão. A Prefeitura lançou um chamamento público para um novo contrato, mas ele foi alvo de suspensão cautelar pelo Tribunal de Contas do Município, que questiona a metodologia utilizada, pedindo sua reformulação “de modo a conferir objetividade, transparência e isonomia entre eventuais concorrentes”.

 

Elina Garanca é principal atração do Mozarteum

Cantora fará concertos com orquestra na Sala São Paulo em junho; a temporada tem foco pedagógico em Trancoso

O Mozarteum Brasileiro anunciou uma temporada com treze atrações. O grande destaque é a mezzo-soprano letã Elina Garanca, que fará concertos nos dias 22 e 24 de junho com a Orquestra Acadêmica Mozarteum Brasileiro e o maestro Constantine Orbelian. Garanca é um dos principais nomes do canto lírico mundial.

Na Sala São Paulo, as demais atrações são a Filarmônica de Luxemburgo (com a violinista Janine Jansen como solista) e o violoncelista Mischa Maisky, que toca com a Orquestra Filarmônica Eslovaca e o maestro Raoul Grüneis. 

“Queremos oferecer uma programação variada, do melhor nível artístico, que também possa contribuir para a presença de música de qualidade no calendário cultural de São Paulo. A ida ao teatro deve representar um momento de bem-estar, de contato prazeroso com boa música, interpretada por grandes artistas. Ao proporcionar momentos de elevada inspiração para nosso público, esperamos mostrar quão importante é cultivar o convívio com a arte, inserindo-a no dia a dia, inclusive das escolas, como um instrumento de evolução”, diz Sabine Lovatelli, diretora da entidade. 

O Dance Theater of Harlem se apresenta no Teatro Alfa e em Trancoso, no sul da Bahia, onde o Mozarteum realiza também o 8.º Música em Trancoso e o festival Canto em Trancoso, dos quais participam artistas como o violoncelista Leonard Elschenbroich, o violinista Lorenz Nasturica e o casal Paula e Jacques Morelenbaum, entre outros. Também participa a Orquestra Sinfônica Jovem de Goiás.

“Ambos são programas para descobrir talentos e apresentar jovens músicos para o público. Por meio da convivência entre músicos brasileiros e internacionais, conseguimos abrir portas e estabelecer contatos valiosos para os jovens brasileiros. A ideia é que nossos músicos solistas, a Orquestra Acadêmica Mozarteum Brasileiro e o Coro Mozarteum Brasileiro se apresentem além destes dois projetos e se firmem no mercado de música nacional e internacional”, explica Sabine. “A continuidade destes eventos é fundamental para que possamos ter perspectivas futuras. Estes eventos seguem a conduta do Mozarteum, que nunca se pautou pelo imediatismo. É através da persistência ininterrupta, que conseguimos a consistência necessária para o surgimento e o fortalecimento de talentos musicais. 

 

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