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Grande nome da canção italiana, Peppino di Capri faz show em SP

Clássicos como 'Champagne' e 'Roberta' estarão no show

Antero Greco, O Estado de S. Paulo

24 de outubro de 2014 | 03h00

Giuseppe Faiella é sujeito de sorte, tem pouco do que se queixar da vida, que o premiou já no berço, ao fazê-lo nascer numa das ilhas mais famosas do mundo. No final de julho, a folhinha dele virou os 75 anos e mostrou que a saúde vai bem, obrigado, e que continua em ótima forma profissional. Quando a maioria dos colegas nessa idade amarga aposentadoria forçada, ele ainda mantém agenda agitada, com espetáculos que o levam a perambular de Nápoles a Roma, de Nova York a São Paulo, onde estará neste sábado à noite, no HSBC, depois de passar também por Porto Alegre e Rio.

O sobrenome Faiella não diz nada ao público, aparece só no passaporte. Pois no documento musical que lhe abre portas no mundo todo há 56 anos vem estampado Peppino (“com dois pês, per favore”) di Capri. Mais do que nome artístico, que junta o diminutivo de Giuseppe (seria como “Zezinho” para nós) com o local de origem, se trata de marca registrada, símbolo de qualidade. Desde o final da década de 50, virou figurinha carimbada da música popular italiana.

“Talvez seja um milagre da natureza.” Com ironia e autocrítica típicas do caráter napolitano, Peppino tenta definir a longevidade do sucesso, a ponto de varar o século 21 e ir muito além do boom da canção italiana na década de 60. Sim, aquela da turma de Rita Pavone, Sergio Endrigo, Gino Paoli, Nico Fidenco, Gianni Morandi... Para emendar, de sem-pulo, como no futebol. “Na minha idade, a voz costuma falhar, tremer.” Tormento pra qualquer cantor. “E isso não acontece comigo.” 

O fantasma da desafinação não lhe tira o sono por razão simples: não tem timbre sofisticado. “Tento pegar a nota de primeira. E vou em frente”, admite, com a segurança que vem com a experiência. “Tenho estilo, voz pessoal.” Como assim? “Passa um carro na rua, alguém escuta a música e reconhece na hora: ‘Ah, este é Peppino di Capri.’ Não é como tantas vozes clonadas que existem por aí, em que se deve primeiro reconhecer a música para depois ligá-la a quem a canta.” Faz sentido.

Andanças e shows por bares, boates, teatros, salas de concerto, estádios, estúdios de metrópoles a aldeias moldaram também a relação de Peppino com o público. Aos 18 anos, nos tempos dos “Rockers”, uma de suas primeiras bandas -, transgredir, inovar era misturar gêneros “americanos” com cançonetas napolitanas. Era a maneira da geração pós-guerra registrar o período de transição, de uma Itália que abandonava o Fascismo e se via dividida entre a modernidade e a tradição. “Então, estava em busca de identidade.”

Hoje, a forma de comunicar-se é entender o desejo da plateia ao pisar no palco; sentir o que ela esteja disposta a ouvir. Com variações. “As pessoas podem ir à apresentação dispostas a apreciar Peppino di Capri. Ou só com vontade de escutar Champagne e Roberta. Ou curiosas para ver meu desempenho, depois de tanto tempo de ausência (Peppino não vinha ao Brasil havia mais de dez anos). Se capto logo a alma do público, o show flui fácil, sem sobressalto.”

Isso se chama sabedoria, que se acumula com a combinação equilibrada de tempo e sensibilidade. Peppino atingiu fase da vida em que toca por vocação e por prazer de ver o público reverenciá-lo, sem parecer presunçoso. “Os fãs admiram sinceridade, humildade. O brasileiro, por exemplo, percebe se há espontaneidade no artista. Não engole personagem forçado.”

Serenidade que o leva a cantar as canções que a plateia pede e aguarda, embora se divirta ao criar expectativa. O segredo? Mesclar o repertório. “Alterno alguns de meus sucessos mais duradouros com coisas novas, incluindo inéditas. Entretenho o público até chegar ao auge.”

O clímax costuma vir com os clássicos Champagne e Roberta, obrigatórios em qualquer espetáculo dele. Uma espécie de mantra. O artista esnobe poderia fingir incômodo com tamanha repetição. Bobagem, para fazer tipo. Para Peppino di Capri, é uma alegria. “Que sentido teria frustrar quem me admira? Bom saber que há temas que duram, numa época de música descartável.” Duram como o público dele. “Gente na maturidade, em maioria. Mas é bonito ver jovens que estão lá para conhecer um ídolo dos pais ou avós.”

O criador de Champagne tem a suavidade dos bem-resolvidos e simples. Tanto que, na hora em que o garçom lhe pergunta o que pretende beber, a resposta está na ponta da língua: “Uma caipirinha.” Só uma.

PEPPINO DI CAPRI

HSBC Brasil. Rua Bragança Paulista, 1.281, Chácara Santo Antônio, 4003-1212. Sáb., às 22 h. R$ 200/ R$ 500.  

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