Grammy volta a NY em clima de segurança máxima

Quando o prefeito Michael Bloomberganunciou a volta do Grammy a Nova York, em novembro, pouca genteprevia que a tensão em relação a possíveis atentados terroristaschegaria aos níveis de hoje. Com segurança super-reforçada, amaior premiação da indústria da música acontece no domingo noMadison Square Garden, com capacidade para 14 mil pessoas. Oevento vai reunir os principais nomes do pop internacional (deEminem a ´N Sync, passando por Lenny Kravitz, Bruce Springsteene Avril Lavigne), os mais importantes profissionais da indústria e milhares de policiais e seguranças.Com a recente elevação do alerta para um novo ataque terroristae os pronunciamentos oficiais injetando uma boa dose de pânicona cidade, os organizadores estão tendo trabalho para manter oclima de festa. Menções oficiais à possível guerra contra oIraque não foram anunciadas, mas o assunto deve ser abordadopelo menos por Bono, que está sendo homenageado com o título de"pessoa do ano" pela fundação MusiCares, ligada à AcademiaNacional de Artes e Ciências Fonográficas. O assunto também deve ser lembrado por Bruce Springsteen, cujo disco The Rising é inspirado nos ataques terroristas de 11 de setembro de 2001. O "chefe", como é chamado na América, disputa os prêmios de melhor álbum, melhor disco de rock e melhor canção, pela faixa que dá nome ao trabalho.Se o clima político não é a tônica do Grammy, a choradeira deveocorrer nas duas homenagens a artistas mortos recentemente. JoeStrummer, do The Clash, vai ser lembrado em um tributo feito porElvis Costello, Bruce Springsteen, Steve Van Zandt (oguitarrista de Springsteen) e Tony Kanal, do No Doubt. O TheClash concorre a um Grammy por um vídeo de longa duração chamadoWestway to the World. Os outros homenageados são os Bee Gees, que anunciaram o fim do grupo há poucas semanas, por conta damorte de Maurice Gibb. O ´N Sync deve fazer uma versão da algumsucesso do grupo.A premiação vai ser transmitida na TV aberta pelo SBT, a partir das 22 horas, e na TV paga pelo canal Sony, a partir das 21 horas. Terá apresentações de Eminem, Sheryl Crow com Lenny Kravitz, Ashanti, Dixie Chicks, Avril Lavigne, No Doubt, Bruce Springsteen and the E Street Band, James Taylor e o Coldplay. Único grupo inglês a conseguir penetrar no mercado americano nos últimos tempos, o Coldplay vai tocar com a Orquestra Filarmônica de Nova York. A banda concorre aos prêmios de melhor álbum de música alternativa, por A Rush of Blood to the Head, e melhor performance de rock de duo ou grupo, por In My Place.Um dos destaques do Grammy pode ser o reencontro de Paul Simon e Art Garfunkel. Os antigos parceiros de Mrs. Robinson e Bridge Over Trouble Water estão em negociações para fazer seu primeiro dueto em dez anos. Os dois ensaiaram em um estúdio de Nova York na quarta-feira, um sinal de que o show deve mesmo acontecer. Dois dos artistas de folk musicde maior sucesso dos anos 60, eles estão separados há 33 anos, e vêm de uma relação bastante tumultuda.Brasileiros - O Brasil está representado no prêmio deste ano pela cantora Luciana Souza e o percussionista Duduka da Fonseca, radicado nosEstados Unidos. A filha dos compositores Walter Santos e TeresaSouza concorre na categoria de melhor álbum de jazz com vocaispelo disco Brazilian Duos, lançado na América pela gravadoraSunnyside. Na disputa, também estão Patti Austin (For Ella),Natalie Cole (Ask a Woman Who Knows), Etta Jones (EttaJones Sings Lady Day) e Diana Krall (Live in Paris). Oálbum da brasileira tem composições de Luiz Gonzaga, Edu Lobo,Dorival Caymmi e Jacob do Bandolim, entre outros. Tambémparticipam os músicos Romero Lubambo e Marco Pereira.O percussionista tem seu Samba Jazz Fantasia (MalandroRecords) na disputa pelo Grammy de melhor álbum de jazz latino.Também estão na briga pelo prêmio os discos Alma de Santiago(Jane Bunnett), The Gathering (Caribbean Jazz Project),S.F. Bay (John Santos and The Machete Ensemble) e Sentir(Omar Sosa). Este é o primeiro trabalho solo de Fonseca, que éum dos fundadores do Trio da Paz, grupo de música brasileiraformado em Nova York.

Agencia Estado,

21 de fevereiro de 2003 | 18h06

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