Grammy de jazz traz grandes nomes entre os favoritos

Como acontece todos os anos, a indústria fonográfica norte-americana tenta premiar, da maneira mais específica possível, os artistas que se destacaram no mundo da música. A 45ª premiação do Grammy, que será entregue na noite deste domingo, em Nova York, tem 104 categorias com os mais diversos gêneros musicais (rock, pop, blues, r & b, folk, clássico, country, salsa e etc). Entre as categorias com menos destaque está o jazz. Diferentemente do que acontece com indicados para os prêmios principais, os músicos concorrentes às seis categorias do jazz não sofrem a mesma pressão mercadológica. Aqui, na maioria dos casos, o que realmente importa é a qualidade do trabalho. As duas principais categorias do jazz, melhor gravação solo e melhor álbum, têm concorrentes de peso. A mais concorrida será a de gravação. Vencedor de oito Grammys, o saxofonista Michael Brecker disputa com a releitura da clássica música de John Coltrane, Naima. Aqui, Brecker ataca seu sax tenor em uma versão solo de arrasar, do disco Directions In Music, em parceria com o trompetista Roy Hargrove e o pianista Herbie Hancock. Do mesmo disco, a música My Ship, interpretada por Hancock, também está no páreo. Outros dois músicos podem surpreender. O guitarrista Pat Metheny, que já levou 13 Grammys para casa, concorre com Proof, do disco Speaking Now, e o lendário pianista Tommy Flanagan, com Sunset & The Mockingbird, de Duke Ellington. A gravação, ao vivo, em Nova York, está no disco duplo A Great Night In Harlem, um concerto beneficente às vítimas dos atentados de 11 de setembro. Foi o último registro de Flanagan, que morreu logo depois. Para fechar a lista, a música Chelsea Bridge, do disco This Is The Moment, arranjada por Sammy Nestico e interpretada pelo saxofonista Pete Christlieb.O melhor álbum de jazz tem dois favoritos, o veterano saxofonista Wayne Shorter e seu Footprints Live, e o trio formado por Herbie Hancock, Michael Brecker e Roy Hargrove, com Directions In Music. Os dois discos têm algumas afinidades. Ambos são ao vivo e trazem dois músicos em comum, o baixista John Patitucci e o baterista Brian Blade na retaguarda. O disco de Hancock e companhia, o grande favorito, foi gravado no Canadá e traz uma homenagem a Miles Davis e John Coltrane. Outro nome forte é o do pianista McCoy Tyner, em Plays John Coltrane ? Live At The Village Vanguard. Gravado no tradicional clube de Nova York, Tyner e seu trio disparam sete versões de clássicos do mestre Coltrane, com quem o pianista tocou nos anos 60. Por fim, o pianista porto-riquenho Michel Camilo, com Triangulo, e o trompetista Dave Douglas, que arriscou em The Infinite uma mistura entre o jazz, pop e r & b.Na categoria melhor álbum vocal, o Brasil está no páreo com a cantora Luciana Souza e seu aclamado disco Brazilian Duos. O álbum tem composições de Luiz Gonzaga, Edu Lobo, Dorival Caymmi e Jacob do Bandolim, entre outros. Dificilmente Luciana ficará com o prêmio, já que entre suas concorrentes estão duas queridinhas da crítica, Natalie Cole e Diana Krall. Natalie, que desde o sucesso de Unforgettable, que levou seis grammys, não lançava um disco à altura, é forte candidata com Ask A Woman Who Knows. O disco tem arranjos mais pops e agradou ao público. Além disso, um dueto com Diana Krall, em Better Than Anything, que concorre com melhor colaboração pop vocal, fez Natalie voltar às paradas. Por falar em Diana Krall, o disco Live In Paris também está na disputa. O CD tem apenas uma música inédita, mas tem a voz e a categoria de Krall, o que é meio caminho andado. Correndo por fora está o disco póstumo de Etta Jones (Sings Lady Day), interpretando canções de Billie Holiday, e a cantora Patti Austin, confirmada para a primeira edição do Tim Festival, este ano no Rio de Janeiro, com For Ella, um tributo a Ella Fitzgerald.A categoria álbum de jazz contemporâneo não conseguiu fugir dos grandes nomes, entre eles três feras na guitarra. Pat Metheny e seu fiel escudeiro, o pianista Lyle Mays, atacam no previsível Speaking Now, o veterano Larry Carlton deu um tempo no grupo Fourplay e lançou Deep Into It, e John Scofield, o grande favorito, que apostou na mistura jazz-funk no ótimo disco Überjam. A categoria ainda tem na briga o grupo fusion YellowJackets, no álbum duplo Mint Jazz, e o mitológico tecladista Joe Zawinul, com o CD Faces & Places.Na categoria melhor disco de jazz em grupo, que indica trabalhos desenvolvidos para orquestras, a bola da vez pode ser o baixista Dave Holland, considerado um dos músicos mais talentosos do momento. Desta vez, ele arriscou transformar suas músicas em peças mais trabalhadas. O resultado, o disco What Goes Around, é brilhante, com destaque para o quinteto de Holland, que se alinhou perfeitamente com a orquestra. Além de Holland, outro grande disco é This Is The Moment, do arranjador Sammy Netisco, que reuniu grandes músicos como o saxofonista Tom Scott, o flautista Hubert Laws e o pianista Tom Rainer. Os outros indicados são Jazz Matinne, do trombonista Slide Hampton, Tonight At Noon, da tradicional Mingus Big Band, com participação especial de Elvis Costello, e Can I Persuade You? , da orquestra nova-iorquina Vanguard Jazz.Para completar as categorias, o melhor álbum de jazz latino. Mais uma vez o Brasil está na briga. O percussionista Duduka da Fonseca concorre com Samba Jazz Fantasia. Este é o primeiro trabalho solo de Fonseca, que é um dos fundadores do Trio da Paz, grupo de música brasileira formado em Nova York. Duduka não vai ter moleza. Entre seus concorrentes estão a saxofonista canadense Jane Bunnet, com Alma de Santigo, álbum gravado em Cuba, o percussionista norte-americano John Santos and The Machete Ensemble, com S.F. Bay, que mistura salsa, merengue e mambo, e o disco The Gathering, do grupo Caribbean Jazz Project, liderado pelo flautista Dave Valentin e pelo vibrafonista Dave Samuels. Por fim, o destaque fica para o disco Sentir, do pianista cubano Omar Sosa. Aqui, o músico mistura seu piano jazzístico com o ritmo latino de Cuba e a vitalidade da música africana, em especial a marroquina.Apesar de não constar nas indicações de jazz, vale o registro da performance da cantora Norah Jones. Ela foi indicada em oito categorias, entre elas gravação (Don´t Know Why), disco (Come Away With Me) e revelação. A cantora, de 23 anos, lançou seu disco de estréia pela tradicional gravadora de jazz, a Blue Note, e conseguiu emplacar nas paradas pop e jazz simultaneamente. O Grammy, como em qualquer outra premiação, não tem espaço para indicar todos os grandes discos lançados no ano. Mas é sempre importante para o músico e para o público este tipo de evento. Mesmo que ?o melhor? não tenha sido citado ou ganhe o prêmio, o Grammy cumpre o seu papel de divulgar e destacar nomes do cenário musical. É claro que sempre serão questionáveis os vencedores, mas, no final, o que realmente importa é a música e seus intérpretes. O SBT vai transmitir a cerimônia de entrega no próximo domingo, dia 23, às 22h (horário de Brasília).

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