Gotan Project traz mais tango eletrônico aos paulistanos

Cohen, Müller e Makaroff se apresentam nesta terça, 4, no Via Funchal, e quinta, 6, em Porto Alegre

Pedro Henrique França, da AE, e Marilia Neustein, de O Estado de S. Paulo,

04 de dezembro de 2007 | 12h16

Há menos de seis meses, o Gotan Project - composto pelo DJ francês Philippe Cohen Solal, o produtor suíço Christoph H. Müller e o guitarrista argentino Eduardo Makaroff -, mostrou aos paulistas sua refinada sonoridade, resultada de uma mistura do tango com o eletrônico. Nesta terça-feira, 4, Cohen, Müller e Makaroff voltam ao mesmo palco, do Via Funchal, para apresentarem novamente a música que conquistou muitos fãs pelo mundo. Eles ainda fazem show na quinta, em Porto Alegre. Encerrando a turnê mundial de divulgação do álbum Lunático (2006), o Gotan Project deve trazer aos palcos canções também do primeiro disco La Revancha del Tango, lançado em 2001. Está chegando às lojas ainda a compilação Inspiración-Espiración, pela MCD, que traz uma reunião de tangos raros e funkeados, além de duas faixas inéditas da banda e alguns remixes. O argentino Makaroff conversou com a reportagem, por telefone, na semana passada e disse que o retorno ao Brasil é como estar "de volta ao paraíso". "Sou fanático pelo Brasil", exaltou o músico. A aceitação por aqui da sonoridade produzida pelo Gotan Project é justificada por Makaroff pela "sensibilidade musical muito potente dos brasileiros". O argentino não elogia apenas a alegria dos brasileiros, como assim fazem tantos outros artistas internacionais. Ele conhece a música produzida por aqui. "Tenho a discografia completa de Chico Buarque", conta. Quem está antenado a essa experimentação de um ritmo tão tradicional com as batidas eletrônicas, também conhece ou ouviu falar sobre o grupo argentino Bajofondo Tango Club, que esteve por aqui no primeiro semestre, poucos antes do outro show do Gotan Project. Com uma sonoridade mais efusiva, o Bajofondo, liderado pelo argentino Gustavo Santaolalla, tem menos fama que o Gotan. Apesar de uma ou outra alfinetada entre as duas bandas, Makaroff garante que não há "rivalidades". "Não somos rivais, porque fazer música não é um jogo", diz. E emenda, reconhecendo um clima de disputa: "O que pode haver é uma disputa de superação. Um observar a criação do outro, se inspirar, querer fazer tão bem quanto". O Gotan Project é, para muitos, pioneiro no ritmo tango eletrônico. Makaroff, no entanto, desdenha o título. "Não existe isso de pioneiros. O importante não é quem fez primeiro ou quem fez mais, mas sim quem tem uma produção que perdura na história", avalia. Escudados no palco pela voz de Verónica Silva e ainda bandonéon, piano, violino, viola e violoncelo, Makaroff, Müller e Cohen devem surpreender novamente aqueles que forem ao Via Funchal conferir esta refinada confluência de sonoridades. Gotan Project. Via Funchal, Rua Funchal, 65, tel (11) 3188-4148. Terça-feira, 4, às 21h30. De R$ 60 a R$ 300.

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