Gotan Project mergulha fundo no tango em novo CD

Em seu novo disco, Lunático, que começa a ser vendido hoje nos Estados Unidos, a banda argentina Gotan Project aprofunda nas raízes do tango, enquanto continua explorando a fusão deste gênero com a música eletrônica, o jazz, o hip-hop e as pulsações do "chill-out". Formada por Phillipe Cohen, Christoph Müller e Eduardo Makaroff, a banda vendeu mais de 1 milhão de cópias de seu CD de estréia, La Revancha del Tango.A fusão do tango e da música eletrônica do primeiro disco, lançado em 2002, se expande e complementa nesta nova gravação com temas que mergulham na música folclórica argentina. "O novo disco aprofunda no universo do tango e do folclore argentino, um mundo muito rico que não foi totalmente explorado no primeiro disco, feito para a pista de dança, DJs e cena musical alternativa", disse Makaroff, guitarrista da banda, em entrevista telefônica à EFE.Se em seu primeiro CD o grupo caminhou às "margens desse oceano que é o tango", neste novo trabalho mergulha em suas profundezas até chegar às raízes. "Este disco foi feito mais para se ouvir, embora também tenha faixas dançantes. É uma viagem onde se notam mais as diferenças entre os temas. A influência eletrônica continua, mas de forma menos evidente", disse.Lunático, nome tirado do cavalo campeão de corridas que pertencia ao lendário cantor de tango Carlos Gardel durante os anos 30, traz doze músicas gravadas em Buenos Aires.O disco traz participações do grupo de "folk country" alternativo, Calexico, dos rappers argentinos Koxmoz e Chile Parker, do argentino Nini Flores, no bandoneon, e da cantora argentina Cristina Villalonga, que também participou do primeiro álbum. Os músicos tiveram apoio de Juan Carlos Cáceres, um reconhecido inovador do tango, assim como de uma das lendas vivas do gênero, Gustavo Beytelmann.Em Lunático, a banda explora o tango clássico através de "músicas com estruturas muito tradicionais, que pessoas como o mestre do tango Aníbal ´Pichuco´ Troilo utilizariam", segundo Cohen.O grupo Gotan Project, junto com a banda Bajofondo Tango Club, do argentino Gustavo Santaolalla, é considerado precursor do hoje popular gênero do tango eletrônico, também conhecido como "tango fusão", "tecnotango" e "tangotrônica".O movimento mistura os instrumentos tradicionais do tango, como o bandoneon, com computadores e sampler - um aparelho que grava, reproduz e manipula seqüências sonoras de forma digital. O gênero é atualmente desenvolvido por outras bandas argentinas como Narcotango, Otros Aires, Ultratango, Tango Crash, San Telmo Lounge, Yira, Tanghetto e Malevo Sound Project. No entanto, a Gotan Project diz estar à busca de outro som, mais diferente, que poderia estar nas mesmas raízes do tango e da música folclórica argentina, como a zamba, a baguala e a chacarera."Não nos identificamos com o electrotango, mas somos catalisadores do fenômeno e estamos orgulhosos de ter inspirado outras pessoas a levar o tango à época dos computadores e rumo à estética que surge das novas tecnologias", diz Makaroff. "O bom é que, na Argentina, o tango passou a ser uma linguagem dos jovens, e são eles que estão recuperando suas origens africanas, estudando o bandoneon e o tango-canção. Isto devia acontecer com o tango", afirmou.Makaroff diz que viver em Paris, um dos principais centros da cultura mundial e cidade que acolheu o mestre Astor Piazzola - considerado o pioneiro a fundir o tango com outros estilos e sons -, lhe permite ver o tango com distanciamento.Após o lançamento do disco, a Gotan Project fará a partir de junho uma turnê mundial por várias cidades da Europa e dos EUA.

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