Gorillaz o pop com inteligência

Existe vida inteligente no pop - e elavolta a ganhar espaço por meio de uma banda formada porpersonagens de um desenho animado. O Gorillaz, uma colaboraçãode uma série de músicos conhecidos ou nem tanto (incluindo DamonAlbarn, do Blur) e pelo cartunista Jamie Hewlett, criador daTank Girl, é uma das mais criativas idéias a ganhar espaço nomercado nos últimos anos. Além de conquistar as paradas e serindicado para os principais prêmios atuais, o grupo foiconvidado por Steven Spielberg para a produção de um longa-metragem.O Gorillaz é "formado" pelos personagens de animação Murdoc,2D, Russell e Noodle. A biografia deles é tão curiosa quanto oconceito do projeto: 2D conheceu Murdoc quando tentava causar umacidente de carro em uma loja de sintetizadores para roubar osintrumentos, enquanto Russell é um nova-iorquino do Brooklynque teria sido expulso da escola por suspeita de possessãodemoníaca e Noodle, um guitarrista japonês, apareceu, viaFederal Express, na porta da casa dos companheiros de banda.Por trás da sonoridade do Gorillaz, estão Albarn, o produtor dehip hop Dan "The Automator" Nakamura e convidados como Miho Hatori, do Cibo Matto, Chris Franz e Tina Weymouth, do TalkingHeads/Tom Tom Club, Ibrahim Ferrer, do Buena Vista Social Club,e o DJ Kid Koala.Embora cada personagem não seja especificamente ligado a ummúsico, o vocalista 2D se parece muito com Albarn, enquantoRussel tem similaridades com Nakamura e Noodle poderia serinspirado em Miho Hatori. Impulsionado pelo vídeo do single Clint Eastwood (disponívelno site oficial deles, no endereço www.gorillaz.com), abanda, que pretendia ser apenas um projeto paralelo de seuscriadores, foi parar no top ten da parada inglesa e rapidamentevem ganhando espaço nos Estados Unidos. O clipe concorre noVideo Music Awards, em setembro, e acaba de ganhar a estatuetade melhor curta-metragem no Rushes Soho Short Film Festival, emLondres. De acordo com o site Dotmusic, Spielberg entrou emcontato com Albarn demonstrando interesse em produzir umlonga-metragem do grupo.Esta semana, o Gorillaz faz sua primeira apresentação ao vivo,no festival de Creamfields, na Inglaterra. Levando o conceito àsúltimas conseqüências, os músicos prometem subir ao palco atrásde uma tela, em que vão estar sendo projetadas imagens dospersonagens criados por Jamie Hewlett. Todos os envolvidos noprojeto falam sobre a liberdade produzida pelos personagens deanimação. "O fato de eles não serem reais, faz com que possamosseguir qualquer direção", disse Hewlett à MTV norte-americana.Para Albarn, o desprendimento aparece no disco. "O fato de nãotermos um rosto fez com que eu tivesse uma idéia diferente acada dia de trabalho no estúdio", diz. "Às vezes trabalhávamospor duas horas em uma faixa e logo em seguida estávamos fazendooutra coisa completamente diferente."O álbum é bem variado, mas nunca perde a consistência.Misturando influências do hip hop, rock, surf music, "spaghettiwestern" e puro experimentalismo, o Gorillaz é um projeto comperfeita "direção de arte": tudo combina, tudo é de fácildigestão, tudo é moderno e tudo parece inédito.Para os próximos meses, a banda deve fazer uma turnê pela Europae os Estados Unidos, mas sempre mantendo os personagens emprimeiro plano. "Temos fãs de 12 anos que nem sabem quem estápor trás do desenho", diz Hewlett. "Os fãs dos Simpsons nãoligam para Matt Groening, certo?" Albarn garante que o Gorillazveio para ficar. "Nossa próxima meta é gravar um disco noIraque." É bem possível que ele esteja falando sério.

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