Goldfrapp, vida inteligente nas paradas

Existe vida depois do hype. Goldfrapp,um dos mais elogiados grupos eletro-alternativos da virada domilênio, está de volta com um novo disco que ganha espaço aténas paradas da Billboard americana. A dupla formada pelosingleses Alison Goldfrapp e Will Gregory assume a produçãoeletrônica em Black Cherry, que usa sintetizadores como basepara uma nova série de canções que trazem referências de cabaré,glam rock e synthpop. Com o disco de estréia, Felt Mountain, de 2000, o Goldfrappinovou ao reinterpretar o trip hop em canções lounge, recheadasde orquestrações que produziam o conceito de "paisagenssonoras". Com uma voz suave que ganhava proporçõesimpressionantes com a manipulação por meio de efeitos analógicos Alison (que nos anos 90 havia trabalhado com Tricky e Orbital)levou o trabalho aos palcos, acompanhada de uma banda querealizava todos os trechos musicais ao vivo. A "novidade" do Goldfrapp era o não uso de samples. O"pacote" vinha ainda embalado em vídeos e imagens recheadas decharme, uma estética que referenciava o estilo de vida dopúblico que adotou a banda.Se a dupla surpreendeu com a versão "orgânica" da sonoridadeexplorada anteriormente por Portishead, Saint Etienne e MassiveAttack, agora eles invertem o processo e lançam um discototalmente eletrônico. Black Cherry tem guitarras, baixo,bateria e até orquestras de verdade, mas os principais elementossão os sintetizadores e a bateria eletrônica. O resultado é umálbum que serve tanto para "lounging" quando para"dancing"."Queríamos fazer um álbum diferente", disse Alison àBillboard. Definimos uma série de regras para poderquebrá-las em seguida. O ponto forte do disco é a complexidadedas faixas: não há música de um conceito só. O primeiro single,Train, começa como uma faixa tecno, transforma-se em umaespécie de recriação de Roxy Music e evolui para o synthpop.Tiptoe parte de uma revisão de Eurythmics, segue para umtrecho orquestrado minimalista e termina com referências aoprimeiro disco do próprio Goldfrapp.Há também a lenta e delicadíssima Black Cherry; aremanescente de Giorgio Moroder Strict Machine,irresistível; e a assumidamente dançante Twist, que parte dasonoridade do electro, mas tem caráter atemporal.Se com Felt Mountain, que teve 500 mil cópias vendidas emtodo mundo, o Goldfrapp conseguiu garantir lugar em todas asrevistas modernas e prateleiras informadas de lojas do planeta,com Black Cherry eles aumentam consideravelmente as chancesde virar um fenômeno internacional de maior abrangência. O discoestá no quarto lugar na lista eletrônica da Billboard etambém garante lugar na parada de revelações. A vidainteligente finalmente consegue entrar novamente no mercadoamericano, ainda que de fininho.

Agencia Estado,

21 de maio de 2003 | 19h06

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