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Gogol Bordello volta ao País com seu balaio de influências

Banda toca no Festival Indie Rock em SP e no Rio, onde fez show 'épico' na Marina da Glória no ano passado

Jotabê Medeiros e Lucas Nobile, de O Estado de S. Paulo,

09 de novembro de 2009 | 19h35

A longevidade de uma carreira pode levar uma banda à extinção. Anos, quiçá décadas, de rotina, com turnês, ensaios, passagens de som, divulgação e a execução do mesmo repertório, com os mesmos arranjos, tendem a desgastar a união de alguns grupos. Este último ponto, de tocar sempre as mesmas músicas, passa longe de ser um problema para o Gogol Bordello. Tudo porque a banda, que se apresenta hoje à noite no Festival Indie Rock, no Via Funchal, em São Paulo, mal sabe o que vai tocar.

Segundo o vocalista Eugene Hütz, costuma ser assim. Com 24 shows marcados até o final do ano, em diversas partes do mundo, como Brasil, México, Estados Unidos, Europa e Israel, o grupo sempre tem uma vaga ideia de repertório, mas deixa para definir as músicas do setlist poucas horas antes de subir no palco.

 

No ano passado, eles tocaram no Rio de Janeiro, na Marina da Glória, com um show classificado por muitos como "épico". Ficou na memória de Hütz, mas foi apenas mais um. "Será uma apresentação longa. Todo show é especial. Eu faço 200 apresentações por ano, não consigo me lembrar de todas, mas são especiais. A espontaneidade é parte importante do que fazemos", disse Hütz ao Estado.

 

Depois de São Paulo, o Gogol Bordello segue para o Rio, onde toca na sexta-feira, na Fundição Progresso. O vocalista ucraniano, que há muitos anos mora em Nova York e está acostumado a conviver com diferentes sotaques, já que os integrantes da banda são oriundos de diversas partes do mundo, tem adoração especial pelo Brasil, em particular pelo Rio, onde comprou um apartamento. "O Brasil é o país dos meus sonhos. Eu sempre fui louco pela música brasileira, tenho muitos amigos no País. Moro em Nova York há dez anos e realmente quero mudar o estilo de vida, fazer as coisas, me divertir mais naturalmente. A arte e a música nos Estados Unidos são muito institucionais", disse Hütz.

 

Em relação às influências, o vocalista assume que a convivência com os outros "estrangeiros" da banda e as visitas frequentes a todos os continentes são fatores determinantes em sua carreira. Conhecido por alternar momentos de calmaria com arroubos intempestivos, Hütz é daqueles sujeitos que jogam o tempo inteiro com o acaso. Perguntado se tem escutado algum brasileiro em seu iPod, ele foge da obviedade natural a todos estrangeiros, que, na maioria das vezes conhecem apenas Tom Jobim e João Gilberto. A resposta? Angenor de Oliveira, o Cartola. "Provavelmente é quem mais ouvi nesta turnê, suas músicas são muito bonitas, inacreditáveis. Tem também outra banda, o Shake Tosado, que é muito boa. Nosso próximo disco sai em fevereiro e certamente terá muitas influências brasileiras." (Lucas Nobile)

 

Super Furry Animals e seu tributo pop e krautrock, por Jotabê Medeiros

 

Direto do País de Gales, mais uma vez chega ao País o superbacana combo Super Furry Animals (Gruff Rhys, Cian Ciaran, Guto Pryce, Dafydd Ieuan, Huw Bunford). Eles dividem o palco do Festival Indie Rock esta noite no Via Funchal com o Gogol Bordello. Ambos fazem uma música que se realiza em grande movimento, com um notável senso dionisíaco, uma agradável farra sonora.

 

O Super Furry Animals (SFA) foi formado há 15 anos em Cardiff. Performático, chega ao País a bordo de um novo disco, Dark Days/Light Years, no qual faz uma mistura entre psicodelia, guitarras, krautrock e Beach Boys. Tudo com aquele senso de vaudeville. "Não nos levamos a sério demais, mas também não somos uma banda-piada", disse ao Estado, por telefone, o baixista Guto Pryce.

 

Dark Days/Light Years, conta Guto, foi feito "muito rapidamente, por causa da grana curta", e será a base do show de hoje. "Mas também vamos tocar muitas velhas canções, tudo que a plateia espera, como Juxtapose e os singles." Fãs do krautrock da banda alemã Can, eles fizeram uma homenagem às influências na faixa Inaugural Trams, que tem Nick McCarthy, do Franz Ferdinand, rapeando em alemão.

"Essa música fala de trens, um meio de transporte muito popular aqui, na Europa, algo que faz muito sentido para a gente. O cara cantando em alemão no meio é uma homenagem ao espírito do krautrock."

 

Guto Pryce gosta de futebol e torce para o Cardiff City Football Club, time da capital do pouco expressivo futebol do País de Gales. Olha como ele fala do time dele: "Horroroso. Mas é como uma família, a torcida e os jogadores. Não importa quão embaraçosa seja a partida com eles, a gente busca se alegrar com as pequenas coisas." Recentemente, o vocalista do SFA, Gruff Rhys, fez um filme (Separado) no qual mostra suas peripécias para localizar seus ancestrais que emigraram na América do Sul. "Ele os encontrou. Eram todos da Argentina", conta Guto.

 

Indie Rock Festival. Via Funchal (6 mil lug.). Rua Funchal, 65, Vila Olímpia. Informações e vendas: telefone 2144-5444 ou www.viafunchal.com.br. Hoje, às 22 h (abertura da casa às 20 h). Ingressos: R$ 120 a R$ 200

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