Rodolfo Magalhães/Divulgação
Rodolfo Magalhães/Divulgação

Gloria Groove lança clipe de 'Vermelho', do álbum 'Lady Leste', e diz: 'Orgulho das origens'

Drag queen fala das inspirações para o segundo disco, com músicas como ‘A Queda’, ‘Sobrevivi’, ‘Leilão’ e ‘SFM’

Ítalo Reis, O Estado de S. Paulo

11 de fevereiro de 2022 | 11h24

Gloria Groove cresceu. “Ela é GG mesmo”, brinca a artista. Daniel Garcia, que dá vida à drag queen que acaba de lançar um novo disco - Lady Leste, seu alter ego da hora -, tem 20 anos de carreira no meio artístico e está no seu melhor momento. O ator e cantor já dublou filmes, séries e desenhos infantis, participou de shows de talento como o Programa Raul Gil e fez parte do grupo Balão Mágico, mas é como Gloria Groove que explodiu no Brasil (em alguns outros países).

Em seu segundo disco de estúdio, ela traz a mistura que influenciou sua história como moradora da zona leste de São Paulo, cria da Vila Formosa. Pega inspirações da adolescência nos anos 2000/2010 e junta tudo: pop e hip hop gringos, pagode, funk e rap das periferias brasileiras e ainda arrisca alguns acordes de rock. Como faz para que isso tudo tenha sentido?

“O fio condutor do Lady Leste é essa segurança de que eu posso confiar no meu texto, que eu posso confiar na minha construção artística. Ter confiança na minha letra me deixou livre para explorar musicalmente. Eu sabia que o que tornaria aquilo a Gloria Groove era a minha voz, a minha dedicação”, explicou para uma plateia de fãs, amigos e familiares durante a coletiva de imprensa de lançamento do álbum nesta quinta-feira, 10, em um clube de São Paulo.

E como Gloria Groove está no melhor momento: ela acumula milhões de visualizações em vídeos no YouTube e plays em streamings de música; venceu o Show dos Famosos, no Domingão com Huck da Globo; suas coreografias são repetidas à exaustão em ‘challenges’ do TikTok e no Instagram; e até desponta em alguns rankings internacionais da música. E está pronta para mais.

“Isso evoca muito orgulho das minhas origens, mas que também mostra onde eu posso chegar”, conta. Mas onde a drag queen vai chegar? “Eu não sei. Minha mãe fala que quando acha que eu coloquei uma linha de chegada, eu afasto a linha de chegada um pouco mais. Eu tenho mais vontade, mais sonhos. Eu tenho vontade de ver até onde isso pode chegar.”

A era Lady Leste é a que a drag sonhou para ser sua maior - pela experiência, pelo investimento e pelo seu amadurecimento como artista -, e que ainda assim surpreende. Gloria conta que não esperava o sucesso de A Queda, por exemplo, o clipe que bateu 100 milhões de visualizações no YouTube na noite de lançamento do CD e foi responsável por fazer a cantora estourar a bolha do seu público até então. 

“A gente brinca que ainda estamos caindo porque estamos sentindo os efeitos de A Queda até agora. Quando decidimos que a música seria single, eu só queria ser divertida, fazer um vídeo de Halloween legal pois é a música mais macabra, que fala de ódio coletivo da sociedade. Eu não sabia que essa era a mensagem que as pessoas estavam precisando ouvir”, afirma ela. 

Antes de Lady Leste, Gloria estreou em 2017 com O Proceder, majoritariamente influenciado por rap e hip hop, e depois lançou mais dois EPs: Alegoria (2019) e Affair (2020), este último influenciado pelo R&B. No meio do caminho não faltaram singles e parcerias - os tradicionais feats - com artistas dos mais diversos como Iza, Léo Santana, Manu Gavassi, Karol Conká e Ludmilla, para citar alguns.

“O Lady Leste marca meu processo artístico, conseguindo juntar e canalizar todos esses anos de referências. Dentro do CD você vai ouvir a Gloria do Proceder, a Gloria de Alegoria, a Gloria de Affair. Agora com o meu trabalho eu venho afirmando essa coisa do estudo, da versatilidade, da minha estrada como ator e como cantor.”

O disco conta com seis participações e o processo de escolha de artistas foi, segundo a drag, de forma fluida em alguns casos, pela relevância para o trabalho em outros, e também por estratégia. Entre os destaques estão SFM, que abre o álbum com MC Hariel; Sobrevivi, um louvor com Priscilla Alcantara; Pisando Fofo, com Tasha & Tracie, gêmeas paulistanas que estão conquistando espaço no mundo do rap; e Apenas Um Neném, com Marina Sena, um dos nomes que têm despontado no cenário pop brasileiro. Há ainda os primeiros singles, Bonekinha e Leilão.

E como não tem como falar de Gloria Groove sem falar de representatividade, ela ressalta a relevância de mostrar as influências periféricas e LGBTs para o grande público. “Minha experiência como Gloria Groove é sobre minha busca por protagonismo, por quem eu sou, por minha identidade. É muito importante que meu texto se comunique com a existência de pessoas LGTBQIA+ em lugares periféricos, em situações diferentes de quem tem mais oportunidades”, diz. 

Gloria continua: “Quando eu existo na TV, no palco, no YouTube, é como se eu desse vazão para a vivência dessa bicha que passa a ser vista como alguém que pode ter protagonismo. Tornar a existência de alguém mais possível, palpável e aparente vai fazer efeito por muitos anos.”

Depois do lançamento de Lady Leste, ela se prepara para fazer shows da turnê que já estão confirmados em Lollapalooza (março) e Rock in Rio (setembro). “É tipo um sonho. Tenho uma gratidão imensa só por ser convidada”, afirma. E ainda lança nesta sexta-feira, 11, o clipe de Vermelho, o quarto single de trabalho que tem referência no MC Daleste, que morreu em 2013. “A mensagem do Lady Leste é que eu venho para ficar”, finaliza. 

 

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