Globo prepara novo festival da canção

Um novo Festival da Música Brasileira será realizado pela Rede Globo no segundo semestre. Mesmo sem ter definido detalhes como direção e local onde seriam apresentadas as eliminatórias, a emissora confirma a intenção de produzir uma nova etapa. "Quando o festival do ano passado foi idealizado, já havia a idéia de se fazer um segundo neste ano. Mas ainda é cedo. Ele será produzido mais para o fim do segundo semestre", informou o departamento de comunicação da emissora.O nome do jornalista Nelson Motta chegou a ser cogitado para produzir o evento. Motta recusou o convite, mas se propôs a oferecer consultoria ao projeto. Outro profissional cotado para a direção é Solano Ribeiro, responsável por festivais nos anos 60 e pelo recente Festival da Música Brasileira. Ribeiro diz que está aberto a negociações. "Nunca dizer não foi uma coisa que aprendi. Mas, para voltar a fazer um festival como o do ano passado, iria solicitar alguns acertos."Entre os detalhes do evento a serem acertados, o principal, para o produtor, deverá ser a escolha dos músicos. "Havia inscritos com um potencial muito maior do que o que acabou sendo apresentado", reconhece. Ele diz que, antes de "pendurar as chuteiras" definitivamente, deseja concretizar a realização de um novo evento, ligado ou não à Globo.Sobre o fato de o vencedor Ricardo Soares não ter gravado um disco pela Som Livre, Ribeiro responde: "A gravação de um CD era só para a categoria melhor intérprete. Ninguém falou que o vencedor iria lançar um disco pela Som Livre. Aliás, o Soares chora à toa. Ele recebeu R$ 400 mil como prêmio."Ná Ozzetti, considerada melhor intérprete do festival com a música Show, de Luiz Tatit e Fábio Tagliaferri, já está mixando o disco que gravou como prêmio. Previsto para ser lançado em abril, o álbum trará releituras de sambas canções dos anos 40 e 50. Satisfeita com o resultado do trabalho, ela fala com otimismo sobre uma próxima edição. "Penso em me inscrever para o próximo festival, sim. Prefiro acreditar que ele será até melhor."O vencedor da categoria júri popular, assim como Ricardo Soares, também luta para gravar um disco de forma independente. Amauri Fallabela, autor de Brincos, defendida por Lula Barbosa e considerada a melhor canção na opinião dos telespectadores, está finalizando seu trabalho. Ex-funcionário da Varig, Fallabela deixou a empresa assim que recebeu o prêmio de R$ 100 mil. "Dizem que um raio não cai duas vezes em um mesmo lugar. Mas vou arriscar e já tenho até música pronta para concorrer de novo se for preciso", diz o compositor.Sua mulher e empresária, Vera, conta que a luta para gravar um disco de forma independente é árdua. "Infelizmente, as gravadoras não querem ter trabalho. Preferem lançar um artista pronto."

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.