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Glastonbury 2020 é cancelado por causa do coronavírus Henry Nicholls/Reuters

Glastonbury 2020 é cancelado por causa do coronavírus

O festival de música britânico receberia Paul McCartney, Gilberto Gil e Taylor Swift numa fazenda, em junho

Redação, O Estado de S. Paulo

18 de março de 2020 | 09h41

Um dos principais festivais de música do mundo, o Glastonbury, que seria realizado entre 24 e 28 de junho na Inglaterra, foi cancelado para evitar a disseminação do coronavírus. Entre os artistas e bandas que se apresentariam nesta edição estavam Paul McCartney, Taylor Swift, Pet Shop Boys, Kendrick Lamar, Camila Cabello, Diane Ross, Thom Yorke e Gilberto Gil.

"Isso não é, certamente, algo que esperávamos para o nosso aniversário de 50 anos, mas seguindo as medidas anunciadas pelo governo nesta semana, e nesse momento de incertezas sem precedentes, esta é a nossa única alternativa", disseram os organizadores em comunicado. Eles afirmaram ainda que esperam que até o fim de junho a situação melhore no Reino Unido. "Mas mesmo que isso ocorra, nós não podemos passar os próximos três meses com centenas de profissionais aqui na fazenda nos ajudando a construir a infraestrutura necessária para receber mais de 200 mil pessoas nessa cidade temporária que criamos no campo."

No comunicado, eles se desculpam com as 135 mil pessoas que há haviam pago um adiantamento de 50 libras para garantir os ingressos que seriam vendidos no início de abril. Essas pessoas poderão escolher entre o reembolso ou a garantia de um ingresso - eles são concorridos - para o Glastonbury 2021.

O cancelamento do Festival de Glastonbury vem na esteira de uma série de cancelamentos e adiamentos de eventos na área cultural para evitar a propagação do coronavírus. Muitos artistas e casas de espetáculos estão organizando apresentações caseiras com transmissão online.

 

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Artistas, produtores e casas de espetáculos se organizam para apresentações caseiras

Devido aos riscos de contaminação por coronavírus, Casa de Francisca fará primeira transmissão de show com casa vazia

Julio Maria, O Estado de S.Paulo

18 de março de 2020 | 06h00

As pessoas estão isoladas, mas não sozinhas. Ainda que com prejuízo estimado em R$ 34,5 bi para um cenário previsto de pelo menos três meses de paralisação do setor artístico em São Paulo, artistas que pensam assim tomam atitudes para não deixar a música parar. Mais simbólicos do que estratégicos ou artísticos, pocket shows com material inédito começam a ser feitos e gravados pelos músicos em casa. Após algumas iniciativas isoladas de nomes como Teresa Cristina e Roberta Sá, os primeiros movimentos organizados em bloco são testados nesta semana.

 

 

Em São Paulo, a Casa de Francisca, do empresário Rubens Amatto, vai fazer algo sem precedentes. O artista Kiko Dinucci, compositor, violonista e guitarrista das bandas Metá Metá e Passo Torto, estava com shows agendados para lançar seu disco solo Rastilho nesta quarta, 18, e quinta, 19. Com a interrupção da programação por causa das ameaças de contágio pelo coronavírus, seu show seria adiado não fosse pela ideia de Rubens: fazer o lançamento de portas fechadas e câmeras ligadas. Rastilho, mesmo cheio de participações, como as de Ogi, Juçara Marçal e Ava Rocha, terá versão voz e violão para apresentação na quinta, 19, às 21h30, direto do palco com transmissão pelo Facebook da Casa de Francisca. “Para preservar as pessoas, decidimos ter só o Kiko no palco e eu fazendo a gravação”, diz Rubens. O restaurante ficará fechado e sem funcionários além do proprietário, que deve operar entre duas e quatro câmeras.

Rubens vai convidar outros artistas que tenham formatos para esse tipo de transmissão. O show da Orquestra Mundana Refugi, de Carlinhos Antunes, por exemplo, seria perfeito como mote na noite de terça, 17, mas os riscos de contaminação aumentariam por ser um grupo grande. O show foi adiado. “Por ser formado por músicos refugiados de vários países, esse era um ótimo momento, já que todos nos sentimos um pouco refugiados em nossas casas.” A cantora Cida Moreira, um dos shows que não devem mais ocorrer na data prevista, deve ser convidada para fazer como Kiko.

Ao ser procurado pela reportagem para comentar sobre o isolamento dos artistas neste momento, o pianista e compositor Marcos Valle surpreendeu ao atender o telefone de sua casa, no Rio: “Acabei de ser procurado para fazer algo nesse sentido. O pessoal me ligou faz 20 minutos para eu pensar em um show de 30 minutos aqui em casa e transmiti-lo”. Valle teve seu show de lançamento do disco Cinzento cancelado, mas fará um pocket show em seu estúdio caseiro a pedido da dupla Beto Feitosa e Claudio Lins, que organiza uma espécie de festival com shows pela internet para tempos de confinamento. A investida se chama Eu Fico em Casa BR (#festivaleuficoemcasabr) e terá shows de 12 artistas até agora confirmados, entre quinta, 19, e domingo, 22, de 18h às 21h. Toda a escala de apresentações está disponível no site de Beto, o ziriguidum.com. Os shows serão exibidos também pelas redes sociais dos artistas.

“Vou armar meu Fender Rhodes (teclado) e participar sim. É um momento em que podemos fazer coisas boas, levar amor para as pessoas. Vi o que a Roberta Sá fez, tocando seu ukulele, e achei demais. Conversando, cantando, sem falar muito de política. Nesse momento, é o que podemos fazer”, diz Valle. Feitosa, responsável por um site com 24 anos, o Ziriguidum, conta que os shows serão menores, mas muitos com um conteúdo ainda não mostrado pelos artistas. “A ideia é essa mesmo, que eles transmitam com o que têm em casa.” 

 

 

Feitosa investiu em nomes do Rio. Entre seus artistas confirmados até então estão Claudio Lins, seu pai Ivan Lins, o violonista João Camarero, a sambista Ana Costa, a compositora e cantora Joyce Moreno, a atriz e cantora Laila Garin, o também violonista Zé Paulo Becker e o próprio Marcos Valle

Não há uma pretensão de se monetizar as iniciativas, tanto de Beto quanto de Rubens. O discurso dos dois discorre sobre a necessidade de se mostrar que há como fazer algo mesmo nesses dias de confinamento responsável. No entanto, o momento traz uma segunda preocupação. O tempo de suspensão de atividades nas casas de shows pode levar algumas delas ao fechamento. “A casa custa caro”, diz Rubens. “São 40 funcionários, e o que se paga de impostos é muito alto. Estamos na expectativa de que venham medidas dos poderes públicos, como já houve em países como a Alemanha, para que casas como a nossa não fechem. Não sabemos se aguentamos muito tempo assim. Estamos fazendo as contas e não sabemos se aguentamos um mês assim.”

Paula Lavigne, que conseguiu um feito raro no fragmentado meio musical, que é o de organizar um grupo de trabalho com o movimento Procure Saber, diz que o problema não serão os cantores consagrados como seu marido, Caetano Veloso. “Caetano está em casa, aproveitando para compor as músicas de seu próximo disco. Tem 77 anos e uma carreira consolidada. O problema que preocupa é uma cadeia do setor artístico e das pequenas casas, dos pequenos artistas, assim como os técnicos de som, roadies, seguranças. Cantar em casa é bacana, mas o que vai acontecer com essa gente é o mais importante.”

Ela afirma ainda que não pensa em pedir ajuda ao governo federal via sua representante da Cultura, Regina Duarte. “Pra quê? Não tenho nada contra Regina e jamais vou falar mal de sua pessoa, sou contra artistas falarem mal de artistas, mas por que vou pedir algo a uma mulher alinhada a um presidente que pensa como o Jair Bolsonaro?” Ela afirma que um pedido de socorro seria como levantar uma bola para que Bolsonaro cortasse em sua cabeça. “Posso imaginar ele dizendo, depois de tudo o que vem fazendo pelo setor cultural, ‘bem feito pra vocês’.”

 

 

 

Governo quer amenizar perdas do setor cultural

Como ficam as casas de shows com uma paralisação sem prazo de retorno? O poder público pode entrar com socorro financeiro como têm feito autoridades em países como a Alemanha? Segundo o secretário estadual de Cultura e Economia Criativa de São Paulo, Sergio Sá Leitão, esse é o setor de produção de conteúdo presencial mais afetado pelo novo coronavírus. “Fomos de 100 a zero em duas semanas. Estávamos em um bom momento e agora a expectativa é de que essa situação dure pelo menos mais três meses”, afirma. 

Sá Leitão estima que vá haver uma perda nos negócios ligados à Cultura de cerca de R$ 34,5 bilhões, o equivalente a 1.7% do PIB do Estado de São Paulo. “E a economia criativa estava em crescimento, estamos em um momento dramático”, explica.

O secretário responde a alguns questionamentos feitos por Rubens Amatto, da Casa de Francisca. Afinal, pode sua secretaria ajudar os empresários nesse momento como, por exemplo, abrindo mão de receber impostos estaduais até suas recuperações econômicas?

“Os únicos impostos estaduais que as casas pagam são referentes às mercadorias que elas vendem. Se não vendem, não vão pagar. No caso, os impostos são mais municipais e federais.” 

O secretário diz ainda que, diferentemente do governo federal, o Estado não tem instrumentos que permitam emitir moedas e títulos, os chamados instrumentos anticíclicos. “Não podemos ser fontes se recursos.” Ainda assim, ele diz algo que pode trazer uma boa notícia ao setor: o governador João Doria criou um grupo de trabalho para recuperação econômica priorizando três setores: cultura e economia criativa, turismo e viagens e comércio e varejo. “Vamos fechar um pacote de medidas na próxima reunião desse grupo, que será na quinta-feira. E vamos fazer o que for possível”, acrescenta.

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Virada Cultural de São Paulo é adiada para setembro

Outros eventos com aglomeração de pessoas também foram suspensos pela Prefeitura

Guilherme Sobota, O Estado de S.Paulo

17 de março de 2020 | 16h41

 

A Virada Cultural de São Paulo foi adiada por conta do surto do novo coronavírus. Como parte das medidas tomadas pela Prefeitura, estão o adiamento ou cancelamento de eventos que gerem aglomeração de pessoas. Em 2019, a Virada atraiu cinco milhões de pessoas, entre as atividades no centro e em equipamentos culturais espalhados pela cidade. Uma nova data, em setembro, ainda será definida pela Prefeitura.

 

 

No decreto assinado pelo prefeito Bruno Covas e publicado nesta terça-feira, 17, no Diário Oficial do município, também fica determinado "o fechamento imediato de museus, bibliotecas, teatros e centros culturais públicos municipais,

bem assim a suspensão de programas municipais que possam ensejar a aglomeração de pessoas, tais como o 'Ruas Abertas'".

O decreto também prevê que a Secretaria Municipal de Cultura "suspenda as autorizações para filmagens e gravações de que trata o Decreto nº 56.905, de 30 de março de 2016", medida já anunciada pelo órgão em suas redes sociais.

A Prefeitura também veda a expedição de novos alvarás de autorização para eventos públicos.

Outra medida que pode afetar os equipamentos culturais é a previsão de usá-los para atendimento emergencial de saúde, se necessário.

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Quarentena cultural: espaços fecham em São Paulo por conta do novo coronavírus

CONTEÚDO ABERTO PARA NÃO-ASSINANTES: A partir desta terça, 17, cinemas, teatros, galerias, museus e o Sesc estarão fechados por causa da epidemia

Ubiratan Brasil, O Estado de S. Paulo

17 de março de 2020 | 06h00

A partir desta terça-feira, 17, São Paulo inicia uma quarentena cultural. Afinal, as salas de cinema não abrirão suas portas, assim como teatros, museus, shows, espaços culturais, galerias, além de todas as unidades do Sesc. A decisão atende a uma recomendação feita pelo governo estadual na luta contra a disseminação do novo coronavírus – e segue medidas drásticas adotadas por capitais europeias, além de Nova York.

O Sesc compreende 43 unidades em todo o Estado e a decisão foi tomada na manhã desta segunda, 16, pelo seu diretor regional, Danilo Santos de Miranda, que determinou a reabertura no dia 31 de março, caso a situação tenha se acalmado. Decisão diversa da escolhida, naquele mesmo momento, por distribuidores de cinema, que mantiveram uma conversa virtual até concluir que o fechamento de suas salas será por um prazo indeterminado – uma solução inevitável pois na segunda, 16, último dia com portas abertas, se repetiu o desânimo do fim de semana: um pequeno público decidiu comparecer.

“Logo percebemos que algo aconteceria”, contou ao Estado o ator André Loddi. “Na nossa última sessão, o público não parecia receptivo, estava frio e dava para notar muitas pessoas usando máscaras.” Ele integra o elenco de Summer: Donna Summer Musical, que apresentou no sábado, no Teatro Santander, suas duas últimas apresentações antes do recesso forçado. O mesmo aconteceu no 033 Rooftop, localizado no último andar do Santander, onde também aconteceram as sessões finais de Silvio Santos Vem Aí! “Esperei o final da última apresentação para revelar a triste notícia”, disse a produtora Marília Toledo.

Silvio Santos estreou no dia anterior, na sexta, e, apesar de uma plateia animada, percebiam-se cadeiras vazias: foram desistências de última hora. “Estávamos muito animados, foi decepcionante”, confessa Adriano Tunes, que brilha no musical no papel da Velha Surda da Praça da Alegria. “Se há algum consolo é que tivemos uma semana com muitas apresentações; então, a folga inesperada no domingo ajudou no descanso.”

Quem não conseguiu relaxar foram os produtores, preocupados com uma conta que não fecha: sem bilheteria, como manter os pagamentos de elenco e equipe técnica em dia sem espetáculos? “Não sei precisar um número exato, mas o prejuízo seria gigantesco”, continua Marília. “Não apenas por conta da falta de bilheteria, mas teríamos de manter a folha de pagamento por mais tempo que o planejado. E ainda tem a campanha de mídia.”

No caso de Donna Summer e Silvio Santos, a volta está prevista para o dia 4 de abril, determinada pela direção do Teatro Santander, autora também da decisão de parar. Isso representou um alívio pois, se fosse uma escolha da produção, o aluguel do espaço deveria continuar a ser pago.

O que preocupa de fato são os projetos financiados por leis de incentivo, notadamente a Rouanet. Segundo as regras, o dinheiro liberado só pode ser utilizado para pagamentos (especialmente de salários) quando acontecem apresentações. “Se não tem peça, não é possível usar aquela verba”, conta a produtora, dramaturga e jornalista Célia Forte, da produtora e assessoria Morente Forte. “Foi por causa disso que resolvemos manter a apresentação da peça Sede no domingo, no Tucarena, mesmo com o risco de pequeno público – ao menos seria possível fazer os pagamentos.”

Célia e outros profissionais integram entidades como a Associação dos Produtores de Teatro, que ontem apresentou um guia com 10 medidas para enfrentar o impacto econômico, social e institucional do coronavírus na cultura. Entre elas, desoneração dos impostos para os espaços culturais por um período determinado e descontingenciamento dos mais de R$ 300 milhões do Fundo Nacional de Cultura.

Questionado pelo Estado, Sérgio Sá Leitão, secretário estadual de Cultura e Economia Criativa de São Paulo, disse que estão em estudo medidas em três eixos: incentivo fiscal, fomento direto e crédito facilitado. “Teremos notícias em breve”, acrescentou.

O que está fechado em São Paulo por conta do novo coronavírus?

  • Cinemas

Todas as salas na cidade de São Paulo estarão fechadas a partir de hoje por tempo indeterminado

  • Sesc

Todas as 43 unidades espalhadas pela capital e interior estarão fechadas até 31 de março

  • Companhia das Letras

A editora decidiu adiar os lançamentos de livros programados para o mês de abril

  • Museus

Masp, MAM, Pinacoteca, Museu de Arte Sacra, MAB/Faap, Tomie Ohtake, Museu da Casa Brasileira, Ema Klabin, IMS, entre outros, fecham suas portas por tempo indeterminado

  • Shows

As casas de espetáculos também aderem ao pedido para distanciamento social, como é o caso do Bourbon Street, Auditório Ibirapuera, Memorial da América Latina, Casa Natura Musical, Espaço das Américas

  • Teatro

Todas as salas estarão fechadas por tempo indeterminado, como é o caso do Teatro Bradesco, Teatro Alfa, Teatro das Artes. Além dessas, a MITsp também teve sua programação interrompida 

  • Música clássica

Nesse setor, as principais casas da cidade estarão de portas fechadas – Theatro Municipal, Sala São Paulo, Teatro São Pedro

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Biblioteca Nacional fecha as portas no Rio para evitar disseminação do coronavírus

Medida busca proteger os funcinários, diz a instituição que tem sede na Cinelândia

Redação, O Estado de S. Paulo

17 de março de 2020 | 09h07

A Biblioteca Nacional fechou suas portas nesta terça-feira, 17, como medida para conter a disseminação do coronavírus.  Segundo a instituição, o fechamento deve durar 15 dias e a medida busca proteger os funcionários do coronavírus.

Ainda segundo a Biblioteca Nacional, já estavam suspensas, desde a semana passada, as visitas guiadas e o funcionamento aos sábados. Guardiã da memória nacional e um dos mais importantes centros de pesquisa, ela é o mais antigo centro cultural do País e tem sede no centro do Rio.

A Biblioteca Nacional foi inaugurada com a chegada da família real, há mais de 200 anos e foi formada a partir de alguns milhares de livros da Biblioteca Real, de Lisboa. Hoje, ela conta com nove milhões de obras - muitas delas raras.

Este é mais um dos inúmeros centros culturais que começaram a fechar suas portas e cancelar ou suspender sua programação.

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Livros que narraram epidemias como a do novo coronavírus

Mary Shelley, Stephen King e Margaret Atwood estão entre os escritores que exploraram essa temática na ficção científica

André Cáceres, O Estado de S.Paulo

16 de março de 2020 | 08h00

Em meio ao surto global do novo coronavírus, um romance improvável vem ganhando posições nas listas de livros mais vendidos em países da Europa e no Japão: A Peste (1947), de Albert Camus

Nessa obra, o escritor argelino, laureado com o prêmio Nobel de Literatura em 1957, imagina uma doença transmitida de ratos para humanos no vilarejo de Orã, na Argélia. 

Diversas obras de ficção científica especularam sobre epidemias virais como a que o mundo enfrenta atualmente. Em entrevista recente ao Estado, o escritor americano Kim Stanley Robinson explicou por que isso acontece: 

“A ficção científica não tenta prever o que realmente acontecerá, isso seria impossível, mas sim submergir o leitor em um cenário possível, para que haja troca de experiência. Isso é muito valioso para orientar-se no mundo real, com a ideia de que posteriormente será mais fácil compreender quais ações tomar”.

Relembre outros livros de ficção científica sobre epidemias como a do novo coronavírus:

O Último Homem (1826) - Mary Shelley

Em O Último Homem, publicado em 1826 pela autora de Frankenstein, Mary Shelley imagina um mundo devastado por uma praga. O romance foi lançado meio século antes do cientista Robert Koch declarar que microorganismos podiam provocar doenças em seres humanos, mostrando como Mary Shelley foi uma autora pioneira na ficção científica. Editora: Landmark. 496 pág., R$ 64. 

Eu Sou a Lenda (1954) - Richard Matheson

O romance mais bem-sucedido de Richard Matheson foi adaptado para o cinema três vezes e ajudou a sedimentar não apenas a ficção pós-apocalíptica, mas também as histórias de zumbis. Eu Sou a Lenda narra o drama de Robert Neville, único e improvável sobrevivente de uma pandemia que transforma todos os habitantes de sua cidade em criaturas violentas. Editora: Aleph. 384 pág., R$ 43.

O Enigma de Andrômeda (1969) - Michael Crichton

Que o autor de Jurassic Park e Westworld gosta de criar cenários apocalípticos, não é nenhum segredo. Em O Enigma de Andrômeda, uma cidade no interior do estado americano do Arizona é dizimada por um micróbio vindo do espaço em um satélite militar. A partir dessa tragédia, o romance narra os esforços científicos para conter o surto provocado por essa forma de vida alienígena.  Editora: Aleph. 304 pág., R$ 30

A Dança da Morte (1978) - Stephen King 

O mestre do horror Stephen King se aventurou na ficção distópica em A Dança da Morte, na qual uma cepa do vírus influenza geneticamente modificada para fins militares acaba sendo liberada na sociedade. O romance narra o colapso social que se segue a esse ataque biológico, matando 99% da população. Editora: Suma. 1.248 pág., R$ 75. 

Clay’s Ark (1984) - Octavia E. Butler

Ainda inédito no Brasil, Clay’s Ark se passa em um futuro distante no qual a humanidade é infectada por um microorganismo alienígena que nos usa como hospedeiros para se reproduzir. Editora: Open Road. 228 pág., R$ 328.

Snow Crash (1992) - Neal Stephenson

O escritor William S. Burroughs dizia que a linguagem é um vírus que veio do espaço. Se é verdade, não se sabe, mas o autor Neal Stephenson deve ter se inspirado nessa ideia em Snow Crash, último grande romance do movimento cyberpunk, que mistura hackers, vírus de computador e um vírus neurológico-linguístico. Editora: Aleph. 561 pág., 36

Ensaio Sobre a Cegueira (1995) - José Saramago

O Nobel de Literatura português José Saramago nunca esclareceu se a doença de Ensaio Sobre a Cegueira era causada de fato por um vírus. No entanto, a trama segue um padrão muito semelhante ao de uma epidemia, em que os infectados perdem a visão e a sociedade entra em colapso. Editora: Companhia das Letras. 312 pág., R$ 50

The Years of Rice and Salt (2002) - Kim Stanley Robinson

Um dos subgêneros da ficção científica é a história alternativa, que especula as consequências de eventos históricos que não aconteceram. Em The Years of Rice and Salt, ainda inédito no Brasil, Kim Stanley Robinson, conhecido por construir panoramas amplos em seus livros, imagina o que aconteceria se a peste negra tivesse devastado toda a Europa durante a Idade Média, mostrando como impérios asiáticos, árabes e africanos lutariam entre si pela hegemonia global. Editora: Spectra. 784 pág., R$ 219.

Oryx e Crake (2003) - Margaret Atwood

Falando sobre manipulação genética, mudanças climáticas e a irresponsabilidade do avanço tecnológico, Oryx e Crake dá início a uma trilogia de Margaret Atwood em que a autora de O Conto da Aia mostra um cenário pós-apocalíptico no qual um vírus geneticamente modificado quase mata toda a humanidade, deixando apenas algumas pessoas — que também passaram por engenharia genética. Editora: Rocco. R$ 352 pág., R$ 28

Guerra Mundial Z (2006) - Max Brooks

Continuação do livro O Guia de Sobrevivência Zumbi, Guerra Mundial Z é um relato de uma pandemia que transforma os infectados em mortos-vivos sedentos por sangue. O livro foi tido como uma projeção tão realista do que poderia acontecer nesse tipo de catástrofe que Max Brooks foi procurado para dar consultoria militar aos EUA. Editora: Rocco. R4 368 pág., R$ 28.

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Lollapalooza e CCXP 2020 ocorrem na mesma data em São Paulo; veja o calendário do segundo semestre

Eventos adiados por conta do novo coronavírus carregam a programação cultural da cidade; no Reino Unido, Glastonbury cancelou sua edição comemorativa de 50 anos

Guilherme Sobota e João Ker, O Estado de S.Paulo

18 de março de 2020 | 08h00
Atualizado 18 de março de 2020 | 08h59

 

Com o surto do novo coronavírus, diversos eventos, shows e festivais em São Paulo foram adiados para o segundo semestre. Muitos deles ainda não informaram novas datas, mas na lista o abaixo a reportagem levantou os principais eventos no calendário da cidade para o segundo semestre de 2020.

A principal coincidência será entre o Lollapalooza (adiado por conta da epidemia) e a CCXP: ambos ocorrem no fim de semana dos dias 4, 5 e 6 de dezembro.

Outra coincidência, que já estava prevista, é a Mostra de Cinema e a Bienal do Livro, a serem realizadas entre o fim de outubro e o início de novembro.

Na quarta-feira, 18, a organização do festival britânico Glastonbury afirmou que sua edição de 2020 está oficialmente cancelada devido à pandemia do novo coronavírus. Os ingressos deste ano, que teria Taylor Swift, Diana Ross, The Killers e Paul McCartney como headliners, valerão para o evento de 2021.

"Claramente, essa não é uma medida que queríamos adotar na nossa edição de aniversário de 50 anos", disse a organização do evento em comunicado. 

 

Veja o calendário atualizado sobre os principais eventos na cidade de São Paulo no segundo semestre, a partir de junho de 2020.

 

JUNHO

5 de junho - Racionais MC’s no Espaço das Américas

6 de junho - Caetano Veloso e Ivan Sacerdote no Espaço das Américas

10 de junho - AnaVitória no Espaço das Américas

12 e 13 de junho - Micareta, com Ivete Sangalo, Claudia Leitte, Alinne Rosa, É o Tchan, na Arena Anhembi

12 e 13 de junho - Roupa Nova no Espaço das Américas

13 de junho - Pussycat Dolls no UnimedHall

13 de junho - Milton Nascimento no Internacional Eventos (Guarulhos)

14 de junho - Parada LGBTQ na Avenida Paulista

18 a 28 de junho - Óperas Navalha na Carne, de Leonardo Martinelli, e Homens de Papel, de Elodie Bouny, no Theatro Municipal

19 de junho - Djavan no Espaço das Américas

20 de junho - Duda Beat na Audio

26 de junho - Baile do Nego Véio 2 no Espaço das Américas

26 de junho - Queremos com Attooxxa, Quantic, Batekoo na Audio

27 de junho - Maria Bethânia no UnimedHall

27 de junho - Skank no Espaço das Américas

28 de junho - Manu Gavassi no Espaço das Américas

 

JULHO

3 de julho - Skank no Espaço das Américas

7 de julho - Tanabata Matsuri

8 de julho - Wesley Safadão no Espaço das Américas

10 de julho - Chitãozinho e Xororó no Espaço das Américas

10 de julho - Lenine no Teatro Opus

17 de julho - Thiago Arancam no Tom Brasil

18 e 19 de julho - Taylor Swift no Allianz Parque

31 de julho - Zeca Pagodinho no Espaço das Américas

 

AGOSTO

6 de agosto - Il Divo no Espaço das Américas

7 de agosto - Ivete Sangalo no Espaço das Américas

8 e 9 de agosto - Amigos 2020 no Allianz Parque

8 de agosto - Ana Carolina no Espaço das Américas

14 a 23 de agosto - Ópera Don Giovanni, de Wolfgang A. Mozart, no Theatro Municipal

20 de agosto - Renaissance + Curved Air, no Espaço das Américas

21 de agosto -  Vitão na Audio

22 de agosto - CPM 22 na Audio

 

SETEMBRO

10 e 11 de setembro - Almir Sater no Teatro Bradesco

11 de setembro - A-Ha no Espaço das Américas

12 de setembro - Uma Noite em Buenos Aires no Tom Brasil

24 de setembro - McFly no UnimedHall

26 de setembro a 7 de outubro - Ópera Benjamin, de Peter Ruzicka, no Theatro Municipal

 

OUTUBRO

7 de outubro - Harry Styles no Allianz Parque

22 de outubro a 4 de novembro - Mostra Internacional de Cinema de São Paulo

25 de outubro - Michael Bublé no Allianz Parque

30 de outubro - Jorge e Mateus no Espaço das Américas

30 de outubro a 8 de novembro - Bienal Internacional do Livro de São Paulo

 

NOVEMBRO

8 de novembro - Richard Clayderman no Tom Brasil

Segunda quinzena - Wu Tang Clan no Espaço das Américas

 

DEZEMBRO

3 a 6 de dezembro - CCXP

4, 5 e 6 de dezembro - Lollapalooza Brasil no Autódromo de Interlagos

 

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