Gilberto Gil: "faço música nordestina"

Depois do sucesso estrondoso de seus dois discos mais recentes, São João Vivo (recém-lançado, e que já vendeu 200 mil cópias) e As canções de Eu Tu Eles (que acaba de receber duas indicações ao Grammy Latino, melhor gravação e melhor álbum), Gilberto Gil já se prepara para encarar seu novo projeto: gravar um disco só com regravações de músicas de Bob Marley."Vou entrar no estúdio em novembro, quero gravar os clássicos e também coisas escondidas do trabalho de Bob", diz Gil. "Vai ser uma colaboração estreita entre Jamaica e Brasil: vou gravar com The Wailers e com Rita Marley", adiantou o cantor em entrevista à Agência Estado, de dentro de um carro a caminho de Nápoles, na Itália, onde se apresenta amanhã com Milton Nascimento. O disco com as músicas de Marley será lançado em abril, provavelmente, diz.Disco com composições inéditas só mais para a frente, diz o cantor e compositor baiano. "Recentemente fiz uma música para o novo disco de Bethânia, outra para Daniela Mercury, outra para Ivete Sangalo e outra para Carla Visi", afirmou. "Tenho feito uma coisa que não vinha fazendo há muito tempo, que é compor músicas para minhas colegas cantoras". Leia trecho da conversa com Gil.Agência Estado - O que achou de ganhar um Grammy na categoria World Music e concorrer agora ao Grammy Latino? Você prefere ser world music ou latino?Gilberto Gil - Eu não gosto nem de um nem de outro. Esse enquadramento é feito pelos outros, não por nós. Se eu tivesse que me enquadrar, diria que faço música nordestina.Quais as vantagens que você vê nessa nova indicação dupla?Eu acho que as indicações têm uma coerência e celebram a qualidade da música regional nordestina. É um estilo que eu prezo muito e que considero um dos mais importantes do Brasil. As indicações parecem reconhecer o conjunto dos elementos marcantes do disco: o gênero, o compositor, o mito Luiz Gonzaga.O ator Paulo Betti causou um reboliço por aqui ao dizer que não vota mais no Lula porque ele não vai ver as peças dele. O que achou disso?São os movimentos sísmicos das opiniões, os abalos. Depois vem a acomodação de terreno, das posições, das expectativas. Paulo Betti era um petista histórico, uma das representações dessa área política no mundo cultural. Ele deve ter lá suas razões para se posicionar dessa forma. Mas eu acho que não é razoável posicionar-se contra o Lula só porque ele não foi ver suas peças.E a Gal? O apoio dela ao ACM pegou mal, e isso despertou a ira da opinião pública...A Gal resolveu ter uma posição aberta e diretamente de apoio, no momento em que a figura do ACM estava sob julgamento. Foi um posicionamento arriscado, e ela correu o risco. Eu, pessoalmente, não achei que a posição dele fosse passível de um apoio. Estava literalmente envolvido com um ato ilícito e respondia por isso em um foro especial, que era o Congresso Nacional. Não me senti inclinado a apoiá-lo, mas não havia razão também para execração pública. ACM não chega a ser meu adversário. Sempre houve um distanciamento. Uma vez, quando tentei ser candidato a prefeito pelo PMDB, estivemos em trincheiras opostas, mas nunca houve confronto. Mas também nunca houve apoio. Não sou adversário nem sou alinhado com ele.

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