Gilberto Gil compara prática do jabá a mensalão

O ministro da Cultura, Gilberto Gil, comparou a prática do jabá (pagamento às emissoras para executar determinadas músicas) ao mensalão (pagamento a deputados mediante apoio a projetos do governo federal) e disse que, em ambos os casos, torná-los crimes não resolve a questão.Segundo ele, é preciso estabelecer regras e criar uma legislação que coíbam práticas ilícitas. "O jabá pode virar um mensalão facilmente", disse ele, numa rara referência à prática que levou à cassação de deputados, inclusive a do ex-chefe da Casa Civil, José Dirceu. "Há várias formas de burlar a vigilância e a fiscalização, porque o jabá acontece por debaixo da mesa." Ele reconhece que, no caso do jabá, sobram poucos espaços para artistas iniciantes ou pequenos, mas lembra que a solução seria a criação de uma agência que regule o uso e os conteúdos do rádio e da televisão. "Onde está esta agência?", perguntou, numa referência à Agência Nacional do Cinema e Audiovisual (Ancinav), que ele tentou implantar mas que foi arquivada diante das críticas de parte do setor. Da mesma forma, cobrou as leis que evitariam o mensalão. "Na época, não se discutiu a nova legislação eleitoral que ia fazer isso e aquilo? Cadê?" Projeto visa tornar o jabá um crimeO comentário de Gil foi a respeito do projeto do deputado federal Fernando Ferro (PT-PE) de tornar o jabá crime, ora em tramitação na Câmara Federal. O ministro é contra, pois reconhece que as emissoras de rádio, embora sejam concessões públicas, têm direito, por lei, de vender espaços de sua programação. "Se existe este direito no noticiário, no entretenimento, por que não na programação musical?", indagou. "Sou contra o jabá, mas não sou a favor de torná-lo crime. Como seria fiscalizado, com mais aparato policial?" Gil não afirmou nem negou se fica no Ministério caso o presidente Luiz Inácio Lula da Silva seja reeleito, mas disse que está satisfeito com o que realizou até agora, embora reconheça que ainda há muito por fazer. Só avisou que não colocará mais a Ancinav em discussão. "A questão já está posta, não me cabe voltar a ela", concluiu.

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