Gil volta a Montreux como "figura política"

Depois de receber Gilberto Gil por oito vezes ao longo dos mais de 30 anos de história, o Festival de Jazz de Montreux abre hoje seu fim de semana dedicado à música brasileira com mais um show do cantor brasileiro. Desta vez,porém, os próprios organizadores apontam: "Teremos um ministro de Estado em nossos palcos. Essa é provavelmente a primeira vez que ocorre." Gil cantará ao lado de Maria Bethânia e os ingressos estão praticamente esgotados. Mas a maior atração é mesmo seu novo cargo no governo Lula, de ministro da Cultura.No endereço eletrônico do festival, os organizadores apontam que Gil deixou de ser apenas um músico e passou a fazer parte da categoria de "figura política". Entre os jornalistas europeus que cobrem o evento, a curiosidade é saber se Gil irá adotar uma atitude "politicamente correta" durante suas apresentações. A avaliação da participação de Gil nos festivais europeus, porém, nem sempre é positiva. "Um ministro se divertindo" - assim o jornal suíço Le Matin trouxe a notícia, na semana passada, de que o brasileiro estaria nos palcos da pequena cidade de Montreux.Mesmo diante das críticas, os organizadores do evento afirmam que a relação entre Montreux e Gil é antiga. A primeira participação do cantor no evento ocorreu em 1978, quando Gil gravou um disco ao vivo. Na avaliação do próprio cantor, a ida ao festival foi fundamental em sua carreira. Em entrevista ao Estado, dada na última vez em que esteve na Suíça, em 2001, Gil revelou que em 1978 estava passando por um"período difícil". "Eu estava questionando o futuro de meu trabalho e decidi escrever para Caetano (Veloso). Na carta, me queixava muito", afirmou Gil. Ele conta que Caetano o persuadiu a desistir das dúvidas ao apontar o sucesso da gravação em Montreux.

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