Gil reúne 15 mil em show em Brasília

Pela primeira vez desde que assumiu o ministério da Cultura, o cantor Gilberto Gil subiu ao palco na capital do poder na madrugada de domingo, apresentando o espetáculo Kaya N?Gan Daya. Ao anunciar sua participação no tributo a Bob Marley, Gil fez um discurso político-musical. "Estamos aqui para homenagear o grande homem das grandes lutas, que se dedicou à denúncia dos problemas causados pela escravidão e pela abolição mal feita nas Américas, que negou ao negro a oportunidade de inclusão social", disse o ministro sob aplausos delirantes da platéia.Em vez do requinte de um teatro com ar condicionado e cadeiras aveludadas, Gil preferiu fazer sua estréia em Brasília no "camping show", um espaço gramado a céu aberto, distante cerca de 5 quilômetros do ministério da Cultura. Foi lá que cerca de 15 mil jovens cantaram e dançaram animados até às 6h da manhã, enquanto alguns pais, entre eles o senador Aloízio Mercadante (PT-SP) e a senadora Patrícia Gomes (PPS-CE), acompanhavam discretos e à distância, no conforto dos camarotes, a vitalidade impressionante do ministro sexagenário."O show está lindíssimo?, elogiou Patrícia, já no camarim do artista. Feliz com o carinho da fã, o ministro lembrou que, como tem se dedicado muito ao ministério, a música agora só vem de vez em quando. "Mas, quando vem, vem com um gosto enorme", disse. "Que energia fantástica", emendou Mercadante no abraço a Gil. "E olha que estou com 60 anos e embarco daqui a pouco (às 7h de domingo) para a África. Nem vai dar para dormir", continuou o artista, revelando aos senadores que tem uma missão dupla em Angola.Como ministro, Gil segue as orientações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de intensificar a cooperação com o continente africano e tem agenda cheia em Gana, hoje e amanhã. "Tenho adorado o trabalho de ministro, a sublimação, o sentimento de serviço prestado com enorme honra ao presidente Lula e ao povo brasileiro", contou. Gil está afinado com seu colega das Relações Exteriores, ministro Celso Amorim, que tem incentivado muito o trabalho com governos africanos e as conversas sobre políticas públicas que possam intensificar as relações bilaterais.

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