Gil quer classe artística mais "ecológica"

O cantor e compositor Gilberto Gil cobrou ontem maior participação da classe artística nas questões ambientais. Embora reconheça que o engajamento da classe esteja crescendo, Gil lembrou que em países mais desenvolvidos, como Inglaterra, Alemanha e Estados Unidos, o envolvimento de artistas em causas ligadas ao meio ambiente é mais efetiva. "Os ingleses estão mais avançados, compram até floresta", observou o cantor, que participou, ontem, da abertura do seminário O Meio Ambiente por Inteiro: A Percepção da Vida, promovido pela Petrobrás, para a Semana Nacional do Meio Ambiente, que está sendo comemorada.Gilberto Gil, que é presidente da organização não-governamental (ONG) Fundação Onda Azul, lembrou que o grupo de rock inglês Pink Floyd, por exemplo, iniciou um projeto de reflorestamento em quatro países por conta do impacto ambiental provocado pelo prensamento de seu recente CD, Ekkos."Não é justo que se espere que os artistas se organizem. Eles devem ser chamados pelas instâncias ecológicas. Toda vez que isso ocorre a resposta é imediata", frisou, referindo-se, por exemplo, aos vários movimentos realizados no Rio para salvar a Lagoa Rodrigo de Freitas. O seminário tem por objetivo debater a importância da qualidade de vida e da saúde na integração do homem ao meio ambiente.O coordenador-geral de defesa dos Direitos Indígenas Brasileiros, Marcos Terena, destacou a preocupação com o acelerado processo de degradação ambiental provocado pelo homem. "Isso ocorre dentro da terra, com o lixo atômico, nas águas dos mares e também na atmosfera."Gil aproveitou o evento para criticar o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, que se recusa sistematicamente a assinar o Protocolo de Kyoto, o tratado para controle e redução da emissão de gases na atmosfera (Leia abaixo). "Bush é um pré-político. É um troglodita da política."Em relação ao governo brasileiro, o cantor e compositor disse que a política de Fernando Henrique Cardoso passou de acanhada, na primeira administração, a mais ofensiva a partir da chegada de José Sarney Filho ao Ministério do Meio Ambiente. "Sobretudo pelo seu trabalho vigoroso junto aos foros internacionais."

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.