Gil enverniza seus clássicos só ao violão, com o filho

CD e DVD Bandadois incluem inéditas e o lado ‘recitalista cool’ do cantor e compositor

Jotabê Medeiros, de O Estado de S. Paulo,

11 de dezembro de 2009 | 03h00

Gilberto Gil (esq.) em imagem do DVD 'Banda Dois'. Foto: João Wainer/Divulgação

 

SÃO PAULO - O violão Takamine de Gilberto Gil é influenciado pelo violão Di Giorgio de João Gilberto, como de resto toda sua geração, mas o amálgama de Gil é mais sertanejo que jazz, é mais baião que bossa. Gil é o antimonolito por excelência, e um disco de Gil é sempre um exercício de diversidade.

 

Veja também:

som Ouça trecho da inédita 'Quatro Coisas'

 

O violão de Gil suplantou sua guitarra tropicalista em tempos mais recentes, em pleno exercício ministerial, quando Gil teve de aprender a economizar na voz (por conta de um calo nas cordas vocais). Também teve, como ministro-cantor, a incumbência não-oficial de improvisar em diversas cerimônias, e parece que foi daí que nasceu esse coté de recitalista que geraram o disco e o DVD Bandadois (Geleia Geral, Warner Music).

 

Gil toca com o filho, Bem Gil, que já integra sua banda. "Tudo simples, tudo pessoal, tudo em casa, pai e filho", afirmou Gil. Outro filho, José Gil, o caçula da família, toca baixo no bis. A cantora Maria Rita os acompanha cantando Amor Até o Fim, uma das primeiras composições de Gil (gravada por Elis Regina, mãe de Maria Rita, nos anos 60). Gil faz corinho e a segunda voz.

 

O disco tem 16 canções, o DVD tem 23. O DVD traz ainda umas aulas de violão do mestre, para quem dedilha. Ambos foram gravados nos dias 28 e 29 de setembro de 2009, no novo Teatro do Bradesco, em São Paulo, dentro de um shopping da zona oeste. E trazem duas músicas inéditas. A primeira é Das Duas, Uma, que Gil fez para o casamento de sua filha e assistente de todas as horas, Maria. É o discurso do pai na hora da festa. "Façam das pazes noturnos bombons." O DVD traz ainda outra inédita, Pronto pra Preto, feita para o Festival Back2Black.

 

É bossa, é claro, quando Gil está frente a standards como Saudade da Bahia, de Dorival Caymmi. Quando revê suas próprias canções, brinca totalmente à vontade. A Linha e o Linho parece ganhar ares de moda de viola. O Lamento Sertanejo, dele e de Dominguinhos, vai fundo em sua porção de aboio nordestino. De suas muitas parcerias com o bardo Mautner, Gil escolheu a lúdica O rouxinol. Não inventou demais. Suas canções fundadoras, que originaram e motivaram movimentos, como Chiclete com Banana (de Almira Castilho e Gordurinha), ressurgem como se tivessem apenas sido envernizadas. É um disco cool, meio lounge, meio chill out. Mas com rara inspiração. O DVD tem direção de Andrucha Waddington e coprodução da Gegê e Conspiração Filmes.

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