Gil e Milton estreiam à vontade no palco

Casa lotada na estréia da turnê de lançamento do disco de Gilberto Gil e Milton Nascimento, ontem à noite, no Canecão. Na platéia, que assistia ao encontro histórico e inédito dos dois grandes nomes da MPB, estavam artistas, cantores, compositores e celebridades. Quem mais chamou atenção foi a primeira-dama Ruth Cardoso, que entrou na casa de espetáculo sob aplausos. Com um repertório equilibrando sucessos antigos dos dois compositores, e novas canções, feitas exclusivamente para o novo disco, o show foi um passeio pelo Brasil - de Minas à Bahia, dando uma volta pelo Rio de Janeiro, cidade que os dois escolheram como lar e à qual dedicaram a canção Sebastian. No cenário simples, destacavam-se somente os músicos e as duas sanfonas, instrumentos que eles retomam depois muitos anos. "Essa sanfona vai fazer 50 anos. Tem mais de 40 que eu não toco. Espero que vocês perdoem qualquer deslize", brincou Gil. Os dois estavam muito à vontade no palco. Milton Nascimento passeou pela platéia no final do show. Eles ficam no Rio até o fim da próxima semana e depois seguem para São Paulo, onde tocam no Via Funchal.Para contar ao público a história do encontro, é transmitido no início do espetáculo um vídeo, feito pela Conspiração Filmes, com entrevistas e making-of da gravação do clip de Sebastian. Nos depoimentos, eles falam de como decidiram finalmente trabalhar juntos, durante uma viagem de avião, e fazem uma declaração de amor ao Rio de Janeiro, onde moram. Contado o "causo", os dois entram, vestidos com túnicas, para mostrar as 29 canções selecionadas para o show. Músicos que já trabalhavam com os dois foram, dessa vez, reunidos no palco.E foi com Sebastian, uma homenagem a São Sebastião, padroeiro do Rio, que eles abriram o espetáculo. Uma pausa para a emocionante parceria, agora como sanfoneiros, em Duas Sanfonas, música composta exclusivamente para marcar o encontro. "Eu não toco isso desde os 18 anos, mas o Milton anda tocando a concertina dele", diz Gil no único momento do show onde ele se aventura no velho instrumento. O público aplaudiu muito a versão dos dois para Certas Coisas, de Nelson Motta e Lulu Santos, que assistia feliz da platéia. O baiano cantou Bom Dia e dedicou à Nana Caymmi, que divide com ele a autoria da música e que também estava presente. Jorge Benjor veio em dose dupla: em Xica da Silva e Mas Que Nada, já no bis, encerrando a apresentação. Das carimbadas do repertório estavam Ponta de Areia e Cais, do compositor mineiro e Palco, do baiano.Eles homenagearam o Nordeste, Minas e, especificamente, a Bahia nas figuras de Luiz Gonzaga, Ary Barroso e Dorival Caymmi, nomes marcantes na carreira dos dois. "Na verdade isso não é uma homenagem. Porque esses nomes a gente não homenageia, a gente reverencia", diz Milton emocionado.Há dois momentos dedicados à história dos dois. Na música Calix Bento, imagens de arquivo de Milton Nascimento eram projetadas ao fundo do palco. Como música emblema de Gil, o show opta por Andar Com Fé. Neste momento, além de antigos trechos de clipes e entrevistas do cantor e compositor baiano, imagens projetadas do bloco Filhos de Gandhi compõem o cenário da canção.

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